Doutrina Católica e Catecismo
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um pouco mais sobre a Sagrada
Escritura
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Texto enviado por nosso leitor, Sr. Humberto Filho
"Eis
que vem o tempo, diz o Senhor, em que eu enviarei fome sobre a terra;
não
fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir a Palavra do Senhor"
( Am 8,11 ).
“Não
se ama, aquilo que não se conhece”. É necessário, pois, estarmos a
aprender, cada vez mais, sobre Deus e seus ensinamentos, contidos na Bíblia. É
Ele mesmo que nos pede: “buscai
diligentemente no Livro do Senhor, e lede; nada do que vos anuncio deixará de
acontecer ...” ( Is 34,16 ).
Na
introdução geral à Bíblia
Sagrada, editada pelas Edições Paulinas, 37 ed., nos explica que “O
Novo Testamento inteiro foi escrito em grego (...); quanto ao Antigo Testamento,
temos três idiomas originais. A maior parte foi escrita e chegou até nós em língua
hebraica. Alguns capítulos dos livros de Esdras e de Daniel, e um versículo
Jeremias, estão em aramaico, que foi o idioma falado na Palestina, depois do exílio
babilônico ( séc. VI aC ). Dois livros, o segundo de Macabeus e a Sabedoria
foram escritos originalmente em grego. Dos livros de Judite, Tobias e Baruc,
Eclesiástico e parte também de Daniel e Ester, perdeu-se, como no caso do
Evangelho de Mateus, o texto original, hebraico ou aramaico, sendo substituído
pela versão grega” ( pág. 8 ). Pe. Flávio Cavalca de Castro nos explica que
um terço do original hebraico do Livro do Eclesiástico foi descoberto em 1896
( Para ler a Bíblia, p. 32 ).
A
primeira grande tradução da Bíblia foi feita por São Jerônimo, do grego
para o latim, por solicitação do Papa Dâmaso, em 382. Essa tradução
chamou-se de “Vulgata Latina”. Foi terminada por volta do ano 405, chegando
a ser de uso universal. Atualmente, a Bíblia é traduzida em quase todas as línguas
do mundo. É considerado o livro mais conhecido, mais lido e estudado. Por
sinal, as cópias mais antigas da Bíblia se encontram na Biblioteca Vaticana, código
Vaticano B-03, e no Museu Britânico, código Sinaítico S-01.
Além
das traduções na sua própria língua nacional, para facilitar mais ainda a
sua leitura e para consultá-la, cada livro foi dividido em capítulo. E cada
capítulo em versículos. A divisão em capítulos foi feita pelo cardeal Estevão
Langton, em 1228, e a divisão em versículos, para o Antigo Testamento, foi
feita pelo Frei Sante Pagnini ( 1528 ) e, para o Novo Testamento, por Roberto
Estevão ( 1550 ). Entende-se, entretanto, que essas divisões são apenas de
valor prático, não científico. A Bíblia toda contém 73 livros, 1.333 capítulos
e 35.700 versículos.
A
Bíblia Católica contém todos os livros inspirados por Deus; traz sempre no
rodapé de cada página notas explicativas, para facilitar ao leitor a compreensão
da Palavra de Deus; e apresenta sempre nas suas primeiras páginas o “Imprimatur”,
isto é, o “imprima-se” de um bispo, como garantia absoluta de que se trata
de uma tradução autêntica da Palavra de Deus. Os bispos a aprovam na
qualidade de sucessores dos Apóstolos ( Cf. Mt
28,18-20 ).
Esclarece-nos
Pe. Vicente Wrosz: “Cronologicamente, Jesus: 1) Escolheu, autorizou e enviou
os Apóstolos, sob a presidência de Pedro, a evangelizar todos os povos,
estabelecendo assim o Magistério da
Igreja; 2) Este ensinamento, oral e pelas cartas, foi transmitido pelos Apóstolos,
- como Tradição Apostólica, - aos
bispos e presbíteros por eles escolhidos e consagrados ( Cf.
Mc 1,5 e 1Pd 5,1-2 ); 3) Somente depois de mais de 2 séculos, o Papa reunido
com os Bispos em Concílio, com sua autoridade infalível, declarou uma parte
destes escritos da Tradição, como Cânon
de Livros Sagrados, ou Sagrada Escritura, ou Bíblia: reservando-se o
direito e a obrigação de vigiar sobre sua autêntica interpretação, de
acordo com a Tradição Apostólica” ( Respostas da Bíblia, 48 ed., p.31 ).
A
Bíblia não é um livro comum. É para nós: Consolo
( 1Mc 12,9 ); alimento e sustento para a nossa vida (Lc 4,4); luz a nos guiar
(Sl 118,105); firmeza
na esperança e fonte de coragem e força ( Rm
15,4 ); bem-aventurança ( Ap
1,3 ); vida ( Pr 7,1s ); socorro
( Sl 118,175 ); uma arma e uma
armadura contra o mal (Ef 6,17); paz
( Sl 118,165 ); conhecimento que
nos ensina e nos forma na justiça ( 2Tm 3,16-17 ) etc.
Devemos,
pois, ter cinco atitudes perante as Sagradas Escrituras: 1) Ouvi-la
(Jo 8,47a); 2) Acreditar nela
(Jo 5,38); 3) Meditá-la (Sl 1,2); 4) Comunicá-la
(2Tm 4,2a); e, 5) Praticá-la
(Tg 1,22.25).
Ela
“foi escrita a fim de que vós creiais
que Jesus é o Cristo, Filho de Deus; e para que, crendo, tenhais a vida eterna
em virtude do seu Nome” ( Jo 20,31
), por isso não podemos jamais tê-la como conhecimento inútil e desnecessário,
como nos adverte Moisés: “Maldito o que
não conserva as palavras desta Lei, e as não põe em prática” ( Dt
27,26 ). Devemos, porém, “atentar
antes de tudo a isto: que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação
particular” ( 2Pd 1,20 ) e “nas quais há
coisas difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes (na fé) adulteram
(como também as outras Escrituras) para sua própria perdição”
( 2Pd 3,16 ).
Sabemos
que a Palavra de Deus não pode desaparecer ( Cf. Lc 21,33 e 1Pd 1,25 ) e
nem ser desprezada ou anulada ( Cf. Jo
10,35c ), tendo sido comunicada por homens santos e inspirados ( Cf. 2Pd
1,21 ) e que devemos sempre dar graças a Deus, por tê-la em nossa vida (
Cf. 1Ts 2,13 ).
Alguém
poderia perguntar: Nossa única referência de fé é a Bíblia ? A resposta do
Cristão é simplesmente NÃO. A Bíblia por si só não basta, pois ela é um
livro mudo, apesar de ser sagrado. É o que confirma Pe. Júlio Maria: “Todo
livro precisa de uma interpretação, feita por uma autoridade competente, senão
é letra morta, e a letra morta só pode dar a morte ( Cf. 2Cor 3,6 ), enquanto o espírito da interpretação autêntica dá
vida” ( Luz nas Trevas, p. 12 ).
Questiona-se
bastante: Toda e qualquer pessoa é capaz de interpretar a Bíblia de maneira
correta e aprovada ? É claro que não, porque ela não é de interpretação
particular ( Cf. 2Pd 1,20 ). A própria
Escritura menciona a dificuldade de algumas de suas passagens e da interpretação
do livro como um todo ( Cf. 2Pd 3,16 e
Hb 5,11-12 ). Na passagem bíblica de
Lc 14,1-5 os fariseus não aceitam que Jesus cure uma pessoa no Sábado,
interpretando erroneamente o Livro do Exôdo ( Cf. Ex
20,8-11 ). Mesmo assim, muitos ainda contra argumentam dizendo que o Espírito
Santo toma a si a tarefa de explicar a Bíblia a cada pessoa. Então, se este é
o caso, por que não a explicou ao ministro etíope, por exemplo ? ( Cf. At 8,30-35 ). Como explicar também tantas seitas e doutrinas, as
mais diferentes e absurdas possíveis, onde seus líderes afirmam que
interpretam a Bíblia segundo o Espírito Santo ?
Devemos
ler a Bíblia lógica ou ilogicamente ? São Paulo responde: “Rogo-vos, pois, irmãos, que ofereçais os vossos corpos como uma hóstia
viva, santa, agradável a Deus, o culto racional que lhe deveis” ( Rm
12,1 ). A religião e a devoção, enquanto nos aproximam de Deus, também
devem ser baseados na lógica e na sabedoria. O próprio Cristo repreende os
dois discípulos de Emáus por sua falta de entendimento (Cf. Lc
24,25-27).
É
importante esclarecer que os livros do Novo Testamento foram completados mais ou
menos no ano 90 da Era Cristã. Jesus Cristo não escreveu nada. Portanto, os
primeiros cristãos viveram a fé em torno de 60 anos sem os livros do Novo
Testamento. Levaram mais 300 anos (por volta de 367) para terem todo o Novo
Testamento ( com seus 27 livros ) reconhecidos por todos. Já o Antigo
Testamento, começou a ser escrito no tempo de Moisés, que viveu em torno do
ano 1250 aC.
A
Bíblia inclui tudo ? A resposta é não ! Eis uma prova que vem da própria Bíblia:
existem livros que foram escritos pelos apóstolos e que não foram incluídos
na Bíblia, como a primeira epístola de São Paulo aos Coríntios, anterior à
nossa ( Cf. 1Cor 5,9ss ) e a carta de
São Paulo aos Laodicenses, mencionada em Cl 4,16. Mesmo os Livros Sagrados que temos em mãos não incluem
tudo sobre Jesus
e seus prodígios (Cf. Jo 20,30
). E da mesma maneira, os escritores inspirados não nos deram conta de tudo
aquilo que Jesus falou ou disse ( Cf. Jo
16,12 e Jo 21,25 ). Além disso,
devemos recorrer a Tradição Oral, como afirma São Paulo: “O que ouviste de mim na presença muitas testemunhas, confia-o a
homens fiéis capazes de ensinar a outros“ ( 2Tm
2,1-2 ) e “permanecei, pois,
constantes, irmãos, e conservai as tradições que aprendestes, ou por
nossas palavras, ou por nossa carta” (2Ts
2,14). Confira ainda: 2Tm 1,13 e 2Ts
3,6.
Enfim,
vale a pena citar alguns pensamentos sobre a Bíblia para reflexão: “A Bíblia
não existe para ser criticada, mas para que nos critique” ( Sören
Kierkegaard ); “É impossível
governar perfeitamente o mundo, sem Deus e sem a Bíblia” ( George Washington
); “Quem não conhece as Escrituras, não conhece Cristo” (São Jerônimo);
“Lendo a Escritura nós ouvimos a Deus; pela oração nós lhe falamos” (
Santo Ambrósio ).
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