Prezado Gilson, Salve Maria!
Vejo que você resolveu mostrar seu ódio à Igreja
de forma mais clara. É importante, nessa época de "ecumenismo",
conhecer o fundo da alma daqueles que negaram a Igreja de Nosso Senhor
Jesus Cristo.
Vou responder suas 14 páginas de forma objetiva, para facilitar
o debate e não ficar em uma discussão sem fim.
Você afirma que minha resposta veio muito depois de sua acusação.
Na verdade, meu e-mail foi enviado logo em seguida ao recebimento de seus
argumentos contra a Igreja. Durante mais de um mês, você silenciou.
Assim como, após uma semana em que a enviei novamente, manda um
novo e-mail com acusações contra a Igreja. Para verificar
a data em que eu enviei minha resposta anterior, basta olhar em "cabeçalho
de internet". Lá você encontrará as datas das mensagens.
Algumas contradições suas:
Em seu segundo e-mail, você transcreveu diversos trechos de dicionários
tentando provar que adorar e venerar eram, no fundo, a mesma coisa. Agora,
você reconhece: "Como você diz, adorare tem várias acepções..."
Em seu segundo e-mail, você reconheceu a intercessão dos
santos em vida, mas não aceitava após a morte. Agora você
diz: "Por esta razão é que não podemos contar com
a intercessão dos santos e de Maria. Só Cristo pode ser o
mediador..."
Para não ficar apenas nessas incoerências, vamos analisar
seu longo texto por partes, pelo menos as mais importantes.
Você interpreta a Sagrada Escritura dizendo que ela proíbe
imagens e cultos às elas. Entretanto, quando mostrei versículos
em que fazer imagens é permitido, você passou a dizer que
o proibido é "adorá-las". Ora, isso estava escrito em nosso
boletim... Será que você não o leu com atenção?
Será que todo esse debate foi em vão?
O ponto, Gilson, é provar que os católicos adoram imagens
e isso você não conseguiu.
Adorar, como já disse em todas as três respostas, é
um ato interno da alma humana e não um ato externo. Nenhum católico
confunde Nossa Senhora com Deus ou "confere atributos divinos" aos santos.
Nossa Senhora é muito mais do que disse Santo Afonso Maria de
Ligório. E é o que os protestantes não percebem. Ela
é medianeira universal de todas as graças que recebemos de
Deus, por meio de Nosso Senhor, é co-redentora, é onipotência
suplicante. Por uma palavra dela, o verbo de Deus se encarnou entre nós.
Ela aplaca a justiça de Deus, recebe nossos pedidos e os entrega
a Deus, intercedendo por nós como fez em vida, obtém de Nosso
Senhor o perdão e as graças necessárias para não
recairmos em nossos pecados, faz-nos crescer em virtude e santidade, cobre-nos
com seu manto de méritos, assim como Rebeca cobriu Jacob com a pele
de seu primogênito (Esaú) perante Deus Pai.
Em nenhum momento Santo Afonso ou qualquer outro santo disse que Nossa
Senhora era Deus ou a quarta pessoa da santíssima trindade.
Adorar, Gilson, é um ato interno que consiste em amar e reconhecer
a Deus como Deus e não a Nossa Senhora como Nossa Senhora.
Sobre o fato de que pessoas ignorantes podem confundir os cultos, digo
que isso é uma interpretação pessoal sua, assim como
todo o resto. É impressionante como você - e os protestantes
em geral - costumam "interpretar" os corações dos homens
e julgar contra eles com tanta facilidade. Nunca vi ou tive conhecimento
de algum católico que achasse que os santos ou Nossa Senhora fossem
deuses.
Eles rezam e pedem graças, ajoelham-se, rendem culto de dulia
ou hiper-dulia, mesmo não conhecendo os nomes técnicos, mas
eles sabem bem que Nosso Senhor é Deus e que os homens são
criaturas, apesar de muitos virtuosos no caso dos santos: "já não
sou eu quem vivo, mas Cristo quem vive em mim" (S. Paulo).
Quanto mais amamos ou veneramos um santo, tanto mais nos aproximamos
de Deus. Não foi através de homens que Ele quis ser conhecido?
Não foi através de uma mulher que Ele quis nascer? Qual é
sua dificuldade em entender a existência de homens entre Nosso Senhor
e nós? Não lhe mostrei a intercessão de Nossa Senhora,
de Job e de Elias? Não é verdade que os judeus rezavam ao
Deus de Abraão, Isaac e Jacob? Não é verdade que era
Moisés quem pedia pelo seu povo? Não foi aos apóstoloes
que Ele explicou as parábolas e não ao povo, de modo geral?
É claro, o único intercessor entre Deus Pai e nós
é Nosso Senhor, mas entre Nosso Senhor e nós, como Ele mesmo
quis, existem diversos.
Cristo, que você diz seguir, nunca escreveu um livro, mas fundou
uma religião.
Você pode argumentar que não está na Bíblia,
mas essa é sua interpretação pessoal... Ora, como
você sustenta o "livre exame"? E o "exame" dos católicos,
que não aceitam o "livre exame", como fica? Eu lhe mostrei um trecho
claro que condena o "livre exame" e você não refutou. S. Pedro
deixa claro que a interpretação pessoal é proibida,
exatamente porque são trechos inspirados pelo Espírito Santo
e que "ignorantes" podem deturpar para sua "própria perdição".
Você, incoerentemente, diz que os ignorantes podem mesmo errar.
Ora, e o Espírito Santo, ele não "iluminaria" os ignorantes?
E quem vai decidir quem são os ignorantes? Qual das igrejas protestantes?
Você nega o papado, mas não respondeu minhas objeções.
Primeiro, Pedro não se chamava 'pedra', mas Simão. Seu nome
foi alterado. Cristo nunca teria dito uma frase ambígua como você
afirma.
Sobre os trechos que confirmam o primado de S. Pedro, você esqueceu
alguns que citei e não respondeu aos outros.
Primeiramente, para não dizer que você está adulterando
os trechos (como você insinuou em relação a mim), vou
imaginar um lapso de sua parte. Não foi S. Paulo o escolhido para
o lugar de Judas, o traidor, mas Matias. Nas Sagradas Escrituras está
claro que Matias foi escolhido e não Saulo, que ainda nem tinha
se convertido... E foi S. Pedro quem liderou a escolha.
Maria Madalena foi a primeira a ver Nosso Senhor ressurrecto, mas quem
oficializou à Igreja foi S. Pedro.
Sobre a circuncisão, Gilson, chega a ser estranha sua afirmação.
Ora, se S. Paulo fosse "igual" a S. Pedro, ele não "resistiria",
mas pediria uma votação. Só pode resistir face a face
quem não pode comandar a mudança. E mais, foi S. Pedro quem
decidiu, por fim, e "toda a assembléia silenciou". Pergunta-se:
por que toda a "assembléia silenciou" quando S. Pedro decidiu? Será
que sua "interpretação livre" não aceita o que está
escrito?
E sobre a frase: "Pedro, tu me amas? Apascenta minhas ovelhas". O que
pensa dessas frases?
O fato de S. Pedro ter tido vergonha e ter sido severamente repreendido
por S. Paulo é o mesmo que ocorreu em diversas épocas da
história, quando vários santos "resistiram" contra erros
dos Papas, que são humanos como nós.
A infalibilidade apenas existe em matéria de Fé e Moral,
quando expressa através da fórmula oficial. Na vida particular,
vários Papas cometeram erros enormes. Em matéria de doutrina,
temos a mesma unidade.
Sobre as mortes causadas pelos católicos, chega a ser irônica
sua posição. Você acusa a Igreja de tudo e se esquece
que os protestantes mataram muito mais católicos. Basta lembrar
da Inglaterra e Escócia...
Sobre o Espírito Santo estar conosco, você, mais uma vez,
usa sua interpretação pessoal, dizendo que ele não
está com o Papa, mas com a comunidade dos cristãos. É
verdade, em parte. O Espírito Santo está com todos, mas especialmente
com o sucessor de S. Pedro e Chefe da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Ademais, como você pode ser contra a interpretação
que os católicos fazem? Você não diz que cada um interpreta
por sua conta a Bíblia?
Muito estranho esse seu "Espírito Santo" que em cada igreja
protestante diz coisas diferentes... Não lhe parece um deus contraditório?
Acho estranho que você diga gostar "tanto da tradução
da Bíblia de Jerusalém". Por acaso você esquece que
a Bíblia de Jerusalém tem Livros inteiros que vocês,
protestantes, rejeitam?
O fato de algumas passagens da Bíblia de Jerusalém terem
traduzido o termo "adorar" por "venerar" ou "prostrar" não muda
a argumentação. Primeiramente, quem pode alterar qualquer
tradução é apenas a Igreja e não um tradutor
qualquer. Quando Lutero adulterou, ele alterou sem aprovação,
isto é, em rompimento com a autoridade eclesiástica. O sentido
usado pelos protestantes é diverso do sentido católico.
O que você não entende, Gilson, é exatamente isso:
nós católicos temos uma Igreja, fundada por Nosso Senhor
Jesus Cristo sobre S. Pedro. É esta Igreja que tem as chaves do
Céu: "tudo que ligares na terra será ligado no Céu,
tudo o que desligares na terra, será desligado no Céu." "Os
pecados a quem perdoarem, serão perdoados. Os pecados a quem os
retiverdes, serão retidos". Ora, se não houvesse a "confissão",
negada pelos protestantes, Nosso Senhor teria dito: "peçam perdão
a mim (ou por meio de mim) que eu o perdoarei". Ele foi claro em dar uma
autoridade há alguns homens, encarregados de transmitir o evangelho.
Sobre os mandamentos, devo lembrar que a Bíblia não coloca
número neles. Eles estão dispersos em 17 versículos,
reunidos segundo os assuntos. "Amar a Deus sobre todas as coisas" é
o mandamento correspondente à proibição de idolatria,
pois é o sentido geral do mandamento.
O 9o e o 10o são separados porque a matéria é
diversa. Ou você acha que cobiçar a mulher do próximo
é o mesmo que cobiçar o jumento do próximo, como está
na Bíblia, reunidos em um mesmo versículo?
A confusão, Gilson, como você deveria perceber, não
vem através da Igreja quando resume, em seu catecismo, os 10 Mandamentos,
mas através dos protestantes...
Sobre a Tradição, você também não
refutou os meus argumentos. Já demonstrei como os discípulos
defendiam a tradição.
Dizer que existiam tradições boas e más é
muito superficial, pois a tradição que defendemos é
a tradição cuja pedra angular é Nosso Senhor Jesus
Cristo, transmitida pela sua Igreja. Ou seja, é a tradição
boa, fonte de revelação como se percebe através de
várias passagens das Sagradas Escrituras: S. Paulo: "Irmãos,
ficai firmes e conservai as tradições que aprendestes, quer
por palavra, quer por escrita nossa (2 Tess 2, 15).
Mais uma vez fica o seu problema. Como você pode condenar a interpretação
que os católicos fazem dessa passagem? E onde ficaria seu "livre
exame"? Ou, então, será que é a sua Igreja que tem
a verdade dogmática e que impede interpretações diversas?
Será que os protestantes não são mais dogmáticos
do que os católicos? Ficam as perguntas. Afinal, você condena
tão veementemente a interpretação católica...
Sobre os fariseus terem se arvorado em "sacerdotes", cabe lembrar que
essa passagem é clara na Bíblia, Deus escolheu uma das doze
tribos de Israel para o ofício divino, a tribo de Levi. Por isso
eram chamados os "levitas". Moisés é quem escolheu, como
intercessor e profeta que era.
O problema é que os judeus decaíram e não que
não tinham autoridade para seu posto, como o próprio Nosso
Senhor, em várias passagens, deixava claro. Eles eram "sepulcros
caiados", mas não deixavam de ser "sacerdotes".
Você faz várias acusações contra mim e contra
a TFP. Essas acusações nem merecem ser respondidas, pois
são nitidamente pessoais e não doutrinárias. Todo
o meu texto foi feito com argumentos e não apenas com suposições
contra você ou mesmo contra o protestantismo.
Finalmente, sobre Lutero, vejo que você fez de tudo para defendê-lo.
Entretanto, o que ele escreveu está escrito. Era assim que ele pensava,
apesar de você procurar "interpretar" como melhor lhe parece. Você
sabe como ele morreu? Seria bom estudar para conhecer o "fundador" de sua
religião.
Em relação ao panteísmo, convido-o a visitar minha
tese sobre a Pós-modernidade: http://www.angelfire.com/id/Viotti
Nesse site você entenderá o que é o panteísmo.
De fato, filosoficamente, o panteísmo é confundir a criatura
com o criador. Todavia, na prática, o panteísmo é
dizer que deus está nos objetos ou que cada objeto tem uma partícula
divina. As palavras de Lutero eram, no mínimo, dúbias demais
para alguém conhecido como "reformador".
Esperando ter respondido suas mensagens e desejando encerrar um debate
sem fim com alguém que apenas deseja "interpretar" tudo segundo
suas concepções, despeço-me
In Jesu et Maria
Frederico Viotti
Frente Universitária Lepanto
E-mail enviado em seguida - Frase falsa de Santo Afonso
Prezado G., Salve Maria!
Espero que tenha recebido o texto com as respostas.
Por via das dúvidas, resolvi consultar uma
das frases que você atribuiu a Santo Afonso Maria de Ligório.
É muito estranho, mas você se confundiu
na transcrição de uma letra da frase: "Se o meu Redentor,
por causa das minhas culpas, me lançar fora de seus pés,
eu me prostrarei aos pés de Maria, sua mãe, e deles
não me afastarei enquanto - - dela - - não alcançar
o perdão". Prezado Gilson, por coincidência, tenho um amigo
que possui o livro em questão, da mesma editora e do mesmo ano.
No livro, ao invés de "dela não alcançar o perdão",
está escrito "enquanto ela não me alcançar o perdão".
A diferença está clara "dela" para
"ela". Será que foi distração? E olhe que foi a única
frase que procurei, pois pareceu um pouco dúbia no sentido.
Acho que um debate deve ser baseado na honestidade
das citações!
Se desejar continuar a discussão, procure
não errar em pontos fundamentais de suas transcrições.
Atenciosamente,
Frederico Viotti
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