Debate com Leitores Contrários
Protestantes
Resposta de 2/6/99 ao e-mail de 31/5/99
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 * Resposta

Prezado Gilson, Salve Maria!
Vejo que você resolveu mostrar seu ódio à Igreja de forma mais clara. É importante, nessa época de "ecumenismo", conhecer o fundo da alma daqueles que negaram a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Vou responder suas 14 páginas de forma objetiva, para facilitar o debate e não ficar em uma discussão sem fim.
Você afirma que minha resposta veio muito depois de sua acusação. Na verdade, meu e-mail foi enviado logo em seguida ao recebimento de seus argumentos contra a Igreja. Durante mais de um mês, você silenciou. Assim como, após uma semana em que a enviei novamente, manda um novo e-mail com acusações contra a Igreja. Para verificar a data em que eu enviei minha resposta anterior, basta olhar em "cabeçalho de internet". Lá você encontrará as datas das mensagens.
Algumas contradições suas:
Em seu segundo e-mail, você transcreveu diversos trechos de dicionários tentando provar que adorar e venerar eram, no fundo, a mesma coisa. Agora, você reconhece: "Como você diz, adorare tem várias acepções..."
Em seu segundo e-mail, você reconheceu a intercessão dos santos em vida, mas não aceitava após a morte. Agora você diz: "Por esta razão é que não podemos contar com a intercessão dos santos e de Maria. Só Cristo pode ser o mediador..."
Para não ficar apenas nessas incoerências, vamos analisar seu longo texto por partes, pelo menos as mais importantes.
Você interpreta a Sagrada Escritura dizendo que ela proíbe imagens e cultos às elas. Entretanto, quando mostrei versículos em que fazer imagens é permitido, você passou a dizer que o proibido é "adorá-las". Ora, isso estava escrito em nosso boletim... Será que você não o leu com atenção? Será que todo esse debate foi em vão?
O ponto, Gilson, é provar que os católicos adoram imagens e isso você não conseguiu.
Adorar, como já disse em todas as três respostas, é um ato interno da alma humana e não um ato externo. Nenhum católico confunde Nossa Senhora com Deus ou "confere atributos divinos" aos santos.
Nossa Senhora é muito mais do que disse Santo Afonso Maria de Ligório. E é o que os protestantes não percebem. Ela é medianeira universal de todas as graças que recebemos de Deus, por meio de Nosso Senhor, é co-redentora, é onipotência suplicante. Por uma palavra dela, o verbo de Deus se encarnou entre nós. Ela aplaca a justiça de Deus, recebe nossos pedidos e os entrega a Deus, intercedendo por nós como fez em vida, obtém de Nosso Senhor o perdão e as graças necessárias para não recairmos em nossos pecados, faz-nos crescer em virtude e santidade, cobre-nos com seu manto de méritos, assim como Rebeca cobriu Jacob com a pele de seu primogênito (Esaú) perante Deus Pai.
Em nenhum momento Santo Afonso ou qualquer outro santo disse que Nossa Senhora era Deus ou a quarta pessoa da santíssima trindade.
Adorar, Gilson, é um ato interno que consiste em amar e reconhecer a Deus como Deus e não a Nossa Senhora como Nossa Senhora.
Sobre o fato de que pessoas ignorantes podem confundir os cultos, digo que isso é uma interpretação pessoal sua, assim como todo o resto. É impressionante como você - e os protestantes em geral - costumam "interpretar" os corações dos homens e julgar contra eles com tanta facilidade. Nunca vi ou tive conhecimento de algum católico que achasse que os santos ou Nossa Senhora fossem deuses.
Eles rezam e pedem graças, ajoelham-se, rendem culto de dulia ou hiper-dulia, mesmo não conhecendo os nomes técnicos, mas eles sabem bem que Nosso Senhor é Deus e que os homens são criaturas, apesar de muitos virtuosos no caso dos santos: "já não sou eu quem vivo, mas Cristo quem vive em mim" (S. Paulo).
Quanto mais amamos ou veneramos um santo, tanto mais nos aproximamos de Deus. Não foi através de homens que Ele quis ser conhecido? Não foi através de uma mulher que Ele quis nascer? Qual é sua dificuldade em entender a existência de homens entre Nosso Senhor e nós? Não lhe mostrei a intercessão de Nossa Senhora, de Job e de Elias? Não é verdade que os judeus rezavam ao Deus de Abraão, Isaac e Jacob? Não é verdade que era Moisés quem pedia pelo seu povo? Não foi aos apóstoloes que Ele explicou as parábolas e não ao povo, de modo geral? É claro, o único intercessor entre Deus Pai e nós é Nosso Senhor, mas entre Nosso Senhor e nós, como Ele mesmo quis, existem diversos.
Cristo, que você diz seguir, nunca escreveu um livro, mas fundou uma religião.
Você pode argumentar que não está na Bíblia, mas essa é sua interpretação pessoal... Ora, como você sustenta o "livre exame"? E o "exame" dos católicos, que não aceitam o "livre exame", como fica? Eu lhe mostrei um trecho claro que condena o "livre exame" e você não refutou. S. Pedro deixa claro que a interpretação pessoal é proibida, exatamente porque são trechos inspirados pelo Espírito Santo e que "ignorantes" podem deturpar para sua "própria perdição".
Você, incoerentemente, diz que os ignorantes podem mesmo errar. Ora, e o Espírito Santo, ele não "iluminaria" os ignorantes? E quem vai decidir quem são os ignorantes? Qual das igrejas protestantes?
Você nega o papado, mas não respondeu minhas objeções. Primeiro, Pedro não se chamava 'pedra', mas Simão. Seu nome foi alterado. Cristo nunca teria dito uma frase ambígua como você afirma.
Sobre os trechos que confirmam o primado de S. Pedro, você esqueceu alguns que citei e não respondeu aos outros.
Primeiramente, para não dizer que você está adulterando os trechos (como você insinuou em relação a mim), vou imaginar um lapso de sua parte. Não foi S. Paulo o escolhido para o lugar de Judas, o traidor, mas Matias. Nas Sagradas Escrituras está claro que Matias foi escolhido e não Saulo, que ainda nem tinha se convertido... E foi S. Pedro quem liderou a escolha.
Maria Madalena foi a primeira a ver Nosso Senhor ressurrecto, mas quem oficializou à Igreja foi S. Pedro.
Sobre a circuncisão, Gilson, chega a ser estranha sua afirmação. Ora, se S. Paulo fosse "igual" a S. Pedro, ele não "resistiria", mas pediria uma votação. Só pode resistir face a face quem não pode comandar a mudança. E mais, foi S. Pedro quem decidiu, por fim, e "toda a assembléia silenciou". Pergunta-se: por que toda a "assembléia silenciou" quando S. Pedro decidiu? Será que sua "interpretação livre" não aceita o que está escrito?
E sobre a frase: "Pedro, tu me amas? Apascenta minhas ovelhas". O que pensa dessas frases?
O fato de S. Pedro ter tido vergonha e ter sido severamente repreendido por S. Paulo é o mesmo que ocorreu em diversas épocas da história, quando vários santos "resistiram" contra erros dos Papas, que são humanos como nós.
A infalibilidade apenas existe em matéria de Fé e Moral, quando expressa através da fórmula oficial. Na vida particular, vários Papas cometeram erros enormes. Em matéria de doutrina, temos a mesma unidade.
Sobre as mortes causadas pelos católicos, chega a ser irônica sua posição. Você acusa a Igreja de tudo e se esquece que os protestantes mataram muito mais católicos. Basta lembrar da Inglaterra e Escócia...
Sobre o Espírito Santo estar conosco, você, mais uma vez, usa sua interpretação pessoal, dizendo que ele não está com o Papa, mas com a comunidade dos cristãos. É verdade, em parte. O Espírito Santo está com todos, mas especialmente com o sucessor de S. Pedro e Chefe da Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ademais, como você pode ser contra a interpretação que os católicos fazem? Você não diz que cada um interpreta por sua conta a Bíblia?
Muito estranho esse seu "Espírito Santo" que em cada igreja protestante diz coisas diferentes... Não lhe parece um deus contraditório?
Acho estranho que você diga gostar "tanto da tradução da Bíblia de Jerusalém". Por acaso você esquece que a Bíblia de Jerusalém tem Livros inteiros que vocês, protestantes, rejeitam?
O fato de algumas passagens da Bíblia de Jerusalém terem traduzido o termo "adorar" por "venerar" ou "prostrar" não muda a argumentação. Primeiramente, quem pode alterar qualquer tradução é apenas a Igreja e não um tradutor qualquer. Quando Lutero adulterou, ele alterou sem aprovação, isto é, em rompimento com a autoridade eclesiástica. O sentido usado pelos protestantes é diverso do sentido católico.
O que você não entende, Gilson, é exatamente isso: nós católicos temos uma Igreja, fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo sobre S. Pedro. É esta Igreja que tem as chaves do Céu: "tudo que ligares na terra será ligado no Céu, tudo o que desligares na terra, será desligado no Céu." "Os pecados a quem perdoarem, serão perdoados. Os pecados a quem os retiverdes, serão retidos". Ora, se não houvesse a "confissão", negada pelos protestantes, Nosso Senhor teria dito: "peçam perdão a mim (ou por meio de mim) que eu o perdoarei". Ele foi claro em dar uma autoridade há alguns homens, encarregados de transmitir o evangelho.
Sobre os mandamentos, devo lembrar que a Bíblia não coloca número neles. Eles estão dispersos em 17 versículos, reunidos segundo os assuntos. "Amar a Deus sobre todas as coisas" é o mandamento correspondente à proibição de idolatria, pois é o sentido geral do mandamento.
O 9o e o 10o são separados porque a matéria é diversa. Ou você acha que cobiçar a mulher do próximo é o mesmo que cobiçar o jumento do próximo, como está na Bíblia, reunidos em um mesmo versículo?
A confusão, Gilson, como você deveria perceber, não vem através da Igreja quando resume, em seu catecismo, os 10 Mandamentos, mas através dos protestantes...
Sobre a Tradição, você também não refutou os meus argumentos. Já demonstrei como os discípulos defendiam a tradição.
Dizer que existiam tradições boas e más é muito superficial, pois a tradição que defendemos é a tradição cuja pedra angular é Nosso Senhor Jesus Cristo, transmitida pela sua Igreja. Ou seja, é a tradição boa, fonte de revelação como se percebe através de várias passagens das Sagradas Escrituras: S. Paulo: "Irmãos, ficai firmes e conservai as tradições que aprendestes, quer por palavra, quer por escrita nossa (2 Tess 2, 15).
Mais uma vez fica o seu problema. Como você pode condenar a interpretação que os católicos fazem dessa passagem? E onde ficaria seu "livre exame"? Ou, então, será que é a sua Igreja que tem a verdade dogmática e que impede interpretações diversas? Será que os protestantes não são mais dogmáticos do que os católicos? Ficam as perguntas. Afinal, você condena tão veementemente a interpretação católica...
Sobre os fariseus terem se arvorado em "sacerdotes", cabe lembrar que essa passagem é clara na Bíblia, Deus escolheu uma das doze tribos de Israel para o ofício divino, a tribo de Levi. Por isso eram chamados os "levitas". Moisés é quem escolheu, como intercessor e profeta que era.
O problema é que os judeus decaíram e não que não tinham autoridade para seu posto, como o próprio Nosso Senhor, em várias passagens, deixava claro. Eles eram "sepulcros caiados", mas não deixavam de ser "sacerdotes".
Você faz várias acusações contra mim e contra a TFP. Essas acusações nem merecem ser respondidas, pois são nitidamente pessoais e não doutrinárias. Todo o meu texto foi feito com argumentos e não apenas com suposições contra você ou mesmo contra o protestantismo.
Finalmente, sobre Lutero, vejo que você fez de tudo para defendê-lo. Entretanto, o que ele escreveu está escrito. Era assim que ele pensava, apesar de você procurar "interpretar" como melhor lhe parece. Você sabe como ele morreu? Seria bom estudar para conhecer o "fundador" de sua religião.
Em relação ao panteísmo, convido-o a visitar minha tese sobre a Pós-modernidade: http://www.angelfire.com/id/Viotti
Nesse site você entenderá o que é o panteísmo. De fato, filosoficamente, o panteísmo é confundir a criatura com o criador. Todavia, na prática, o panteísmo é dizer que deus está nos objetos ou que cada objeto tem uma partícula divina. As palavras de Lutero eram, no mínimo, dúbias demais para alguém conhecido como "reformador".
Esperando ter respondido suas mensagens e desejando encerrar um debate sem fim com alguém que apenas deseja "interpretar" tudo segundo suas concepções, despeço-me
In Jesu et Maria
Frederico Viotti
Frente Universitária Lepanto

E-mail enviado em seguida - Frase falsa de Santo Afonso

    Prezado G., Salve Maria!
    Espero que tenha recebido o texto com as respostas.
    Por via das dúvidas, resolvi consultar uma das frases que você atribuiu a Santo Afonso Maria de Ligório.
    É muito estranho, mas você se confundiu na transcrição de uma letra da frase: "Se o meu Redentor, por causa das minhas culpas, me lançar fora de seus pés, eu me prostrarei aos pés de Maria, sua mãe, e  deles não me afastarei enquanto - - dela - - não alcançar o perdão". Prezado Gilson, por coincidência, tenho um amigo que possui o livro em questão, da mesma editora e do mesmo ano. No livro, ao invés de "dela não alcançar o perdão", está escrito "enquanto ela não me alcançar o perdão".
    A diferença está clara "dela" para "ela". Será que foi distração? E olhe que foi a única frase que procurei, pois pareceu um pouco dúbia no sentido.
    Acho que um debate deve ser baseado na honestidade das citações!
    Se desejar continuar a discussão, procure não errar em pontos fundamentais de suas transcrições.
    Atenciosamente,
    Frederico Viotti


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