Estudos Variados
Porto Alegre - Davos: Cidades-símbolo da manobra anti-Civilização Cristã


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Introdução

Para os espíritos superficiais, que costumam acreditar piamente em tudo quanto é apresentado pela mídia - mesmo os mitos e distorções da realidade - os fóruns realizados respectivamente na capital gaúcha ("Fórum Social Mundial") e na cidade dos Alpes suíços ("Fórum Econômico Mundial") representariam, por excelência, dois pólos internacionais antagônicos. De um lado, ter-se-ia congregado em Porto Alegre o "creme" da esquerda mais radical, oposta à chamada globalização; e de outro, em Davos, teria havido uma condensação da "quintessência" do capitalismo neoliberal, que está levando adiante o processo da globalização.

Dilemas como esse, de tipo exacerbado, realçados com sensacionalismo por certa mídia - com honrosas exceções - para os espíritos lúcidos e mais analíticos cheiram a simplificação, e por vezes até a cumplicidade. A História oferece exemplos significativos de aparentes entrechoques do gênero, como, por exemplo: jacobinos quase comunistas, na Revolução Francesa, versus nobres e clérigos com espírito voltairiano; nazismo (nacional socialismo) versus socialismo marxista-leninista, na primeira metade do século XX.

Sobre este último "entrechoque", convém ter presente que a sinceridade dele foi amplamente contestada pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, à época mesma em que o nazismo atingia seu apogeu - década de 30. Contestação esta confirmada espetacularmente pelo escandaloso Pacto Ribbentrop-Molotov, pouco antes da II Guerra Mundial. Ainda recentemente essa vinculação íntima entre nazismo e comunismo foi apontada em entrevista do conhecido filósofo italiano Norberto Bobbio, que assevera: "Nazismo e comunismo são irmãos".. Ele endossa a tese defendida por Paolo Bellinazzi, em sua obra A utopia reacionária, na qual este autor demonstra que nazismo e comunismo têm matrizes comuns, contrariamente à opinião muito difundida de que seriam ideologias opostas.

* * *

Orientar seus leitores a respeito de falsos dilemas como esses constitui um dos pontos essenciais da missão de Catolicismo. Assim sendo, nossa revista decidiu enviar a Porto Alegre uma equipe para fazer a cobertura do evento: dois competentes colaboradores seus, Srs. Gonçalo Guimarães e Renato Vasconcelos, contando também com os valiosos préstimos dos Srs. José Ricardo Luzitano e Carlos Patrício del Campo Santa Cruz, especialmente para o trabalho fotográfico.

Contribuiu também outro arguto colaborador da revista, residente na França, Sr. Benoît Bemelmans. A sólida documentação exibida no estudo do Sr. Bemelmans inclina o espírito a admitir, a propósito dos dois fóruns, o de Davos e o de Porto Alegre, um falso dilema e mesmo uma cumplicidade com vistas à destruição dos vestígios ainda existentes de Civilização Cristã no mundo.

Esses dois pólos parecem na prática, conjugar-se como duas pernas para apressar o advento de uma República Universal (*) sem pátrias. E também sem as desigualdades proporcionais e harmônicas oriundas da própria natureza humana retamente concebida, segundo os ensinamentos tradicionais da Igreja Católica, e que devem estar presentes na estrutura de uma verdadeira Cristandade (**).

Um dos pólos, o de Porto Alegre - que atrai os esquerdistas de todo o gênero, parecendo clamar contra a globalização - atua no mesmo sentido em que faz o outro. Este, o de Davos - que atrai os que, via de regra, antipatizam com a esquerda - erige a globalização como um novo Moloch, ao qual devem ser sacrificados tanto as soberanias dos Estados quanto as tradições e regionalismos mais respeitáveis, apanágios da Civilização Cristã.

A Direção de Catolicismo.

(*) Sobre o tema República Universal, vide Plinio Corrêa de Oliveira, Revolução e Contra-Revolução, 4ª ed. em português, Artpress, São Paulo, 1998, p. 85.
(**) Sobre a noção de Cristandade, vide Plinio Corrêa de Oliveira, Cristandade, Sacralidade da Ordem Temporal, Catolicismo nº 574, outubro de 1998.

1) Introdução: Porto Alegre - Davos: Cidades-símbolo da manobra anti-Civilização Cristã 
2) Porto Alegre - Davos: Duas pernas para a globalização andar?
3) Fórum Social Mundial de Porto Alegre: laboratório de subversão
4) Fórum Social Mundial: uma nova Internacional Socialista

Extraído da Revista Catolicismo de Março/2001

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