|
Faça o cadastro em nosso site e receba nossas publicações gratuitas!! |
|
Jacinta Marto
O
Segredo de Jacinta, a admirável vidente de Fátima
|
|
Atílio Faoro
Jamais se vira, naquele lugar, uma coisa igual: 70 mil pessoas, vindas de todas as partes de Portugal, estão reunidas, sob a chuva, no local que se chama Cova da Iria. O que aconteceu?
Estamos no dia 13 de outubro de 1917. A duras penas, os três pastorinhos
tentam varar a multidão rumo a As crianças – Lúcia, Francisco e Jacinta - não prestam atenção na multidão reunida, a qual presenciara o milagre do sol ao final da última aparição. Suas mentes estão tomadas pela sublimidade e pelo esplendor do extraordinário fato sobrenatural que há pouco acabam de contemplar. A Senhora do Céu, com quem haviam falado seis vezes, acabava de realizar o milagre prometido...
Desapego quanto a louvores dos homens
Jacinta Marto, com apenas sete anos de idade, é dotada de seriedade marcante. A fronte franzida indica profunda preocupação. Os olhos, que ainda refletem maravilhosamente o brilho do que haviam contemplado, estão contraídos mas calmos, indicando uma alma inclinada ao recolhimento.
O que dizer desta fisionomia? Talvez Jacinta se esteja lembrando
dos penosos caminhos percorridos anteriormente em meio ao desprezo, aos
impropérios e até aos golpes daqueles que agora estão
no meio da
A caminho da santidade
No espaço de tempo que vai dos sete aos dez anos, em que suportou heroicamente o fardo da doença que a levaria à morte, Jacinta trilhou o caminho da santidade. Já nessa tão precoce idade conheceu profundamente a realidade da vida. Sua existência foi curta, porém repleta de acontecimentos extraordinários e até mesmo fascinantes. A descrição deles extrapolaria os limites deste artigo. Temos que nos cingir aos traços marcantes de sua alma, a algumas cenas de sua vida e mencionar alguns testemunhos.
O caminho da santidade, a que já nos referimos, esta menina
o percorreu de tal maneira que seus pais e parentes chegaram a exclamar
a respeito dela e dos outros dois videntes: "É um mistério
que não dá para Quem foi Jacinta Marto? Última de uma grande prole, nasceu em 11 de março de 1910. De natureza meiga, era uma criança como as outras. Brincava, cantava, tinha seus defeitos maiores ou menores, o seu temperamento e, naturalmente, suas preferências... até 13 de maio de 1917.
Oração e sacrifícios resgatam pecadores
Depois desse dia, empreendeu Jacinta uma mudança interior profunda, uma conversão de sua vida como Nossa Senhora tinha pedido. As palavras de Maria Santíssima impregnaram de modo indelével sua alma e passaram a ser o conteúdo, o ideal de sua vida. Mais ainda, colocou esse ideal em prática. "Fazei penitência pelos pecadores! Muitos vão para o inferno porque ninguém reza e se sacrifica por eles." - Tais palavras encontraram profunda ressonância em Jacinta. E com que inquebrantável vontade fazia ela penitência! Aqui vão mencionados alguns exemplos desta jovem e já grande santa. Ela não hesitava em freqüentemente jejuar um dia inteiro, sem nada comer ou beber, dando alegremente seu pão às crianças pobres. Em outros dias, comia justamente aquilo que mais detestava. Trazia como penitência uma corda em torno da cintura. Nada, nenhum sacrifício lhe parecia demasiado grande, tratando-se da salvação das almas!
O pecado e o Céu em sua espiritualidade
De fato, pode-se dizer que a espiritualidade de Jacinta funda-se nos pedidos formulados por Nossa Senhora. Ela contém dois aspectos importantes: 1) claro conceito do pecado; 2) noção muito definida da beleza sobrenatural do Céu. Exatamente dois pontos em relação aos quais nossa época está imensamente distante. Não se fala mais em pecado. Esta palavra está sendo omitida na catequese e banida do pensamento das pessoas. Juntamente com isso, vai sendo também eliminada necessariamente a idéia do próprio Deus! Pois, de que outra coisa se trata senão da honra divina que é ofendida pelo pecado? Estreitamente relacionado com esse pensamento vem o segundo ponto: a noção clara da beleza sobrenatural do Céu. Quanto mais intensamente uma alma tem essa noção do sobrenatural celeste, tanto mais fácil será sua correspondência às solicitações da Mãe de Deus. Jacinta é um exemplo concreto arrebatador de tal correspondência. A mensagem de sua vida convida-nos a reconhecer esses aspectos da mensagem de Nossa Senhora e torná-los o eixo orientador de nossas vidas.
Enormes penitências salvaram muitas almas
Profundamente impressionada pela visão do inferno e pelo mistério da eternidade, Jacinta não poupou nenhum sacrifício visando a conversão dos pecadores. Em sua doença -- uma tuberculose que a levou à morte -- oferecia principalmente suas dores: "Sim, eu sofro, porém ofereço tudo pelos pecadores, para desagravar o Imaculado Coração de Maria. Ó Jesus, agora podeis salvar muitos pecadores porque este sacrifício é muito grande".
Todos os que conheciam Jacinta sentiam certo respeito por ela. Lúcia,
sua prima, escreve: "Jacinta era Mesmo na sua dolorosa moléstia mostrava-se sempre paciente, sem reclamações, inteiramente despretensiosa. Conduta que não correspondia ao seu caráter natural. O que possibilitava a essa criança a prática de tal fortaleza e manifestar semelhante comportamento? A própria Jacinta dá resposta a essa pergunta em sua exclamação: "Gosto tanto de Nosso Senhor e de Nossa Senhora que nunca me canso de dizer que Os amo. Quando eu digo isso muitas vezes, parece-me que tenho um lume no peito, mas não me queima!" O amor ardente a Jesus e Maria! Este foi o amor que transformou Jacinta e que fez dela uma cópia fiel das virtudes da Virgem Santíssima.
Último sacrifício: na morte, isolamento
Tão heróica foi a morte quanto a vida de Jacinta, num hospital de Lisboa, inteiramente sozinha. Este fato foi objeto de uma das últimas previsões recebidas por Jacinta, diretamente de Nossa Senhora. Com que coragem conservou a menina este pensamento! Deixemo-la narrar esta profecia, por ela confiada a Lúcia: "Nossa Senhora disse-me que vou para Lisboa, para outro hospital; que não te torno a ver, nem aos meus pais; que depois de sofrer muito, morro sozinha; mas que não tenha medo, que me vai lá Ela me buscar para o Céu."
Nossa Senhora anunciou também o dia e a hora em que deveria morrer.
Quatro dias antes, a Santíssima Virgem tirou-lhe todas as dores.
Como ninguém esteve presente nesse grandioso momento, podemos apenas
imaginar a cena. Como terá sido a recepção deste pequeno
lírio no Céu? Diante de Nossa Senhora, aquele rosto virginal
não estará mais contraído pelo sofrimento, mas resplandecente
em presença dAquele que foi o De que maneira o conhecimento da vida de Jacinta atua sobre as almas, pode-se deduzir das palavras do postulador das Causas de Beatificação dela e de seu irmão Francisco: "Nunca na História da Igreja duas crianças foram tão conhecidas e estimadas quanto Francisco e Jacinta. Elas têm trazido inúmeras almas para o caminho da perfeição". Desejamos que a vida de Jacinta tenha no Brasil grande divulgação para a salvação das almas e o breve triunfo do Imaculado Coração de Maria!
|
|
|
Entrevista com o Postulador
da Causa de Beatificação de Jacinta e Francisco O Padre Luis Kondor, SVD,
é o Postulador das Causas de Beatificação de Jacinta e Francisco. Nasceu na
Hungria, onde, como sacerdote, sofreu a perseguição comunista. Em 1949, saiu
de sua pátria. Vinte anos depois, quando pretendeu retornar, não lhe foi
permitida a entrada. Atualmente vive em Fátima, na sede da Postulação dos
Catolicismo – Quando V. Revma. recebeu o encargo de ser o Postulador da Causa de Beatificação dos Pastorinhos?
Padre Kondor - Fui nomeado e fiz juramento no dia 19 de março de 1961. Portanto, há 36 anos. Em 1963 comecei a editar um boletim, em sete línguas, que agora tem uma tiragem de 80 mil exemplares e que é enviado para todos os Bispos do mundo. Inicialmente quero esclarecer que as Causas de Beatificação [dos dois pastorinhos] não tinham nenhuma esperança de serem bem sucedidas. Em 1937, os processos de crianças e jovens até 17 anos foram suspensos pelo Papa, uma vez que as Comissões da Congregação para a Causa dos Santos, em Roma, manifestaram a opinião de que crianças e jovens com até aquela idade não eram capazes de praticar heroicamente as virtudes, que é o primeiro passo para a beatificação, tratando-se de crianças e jovens não mártires. Em 1979, quando os processos de Jacinta e Francisco chegaram a Roma, a Congregação para a Causa dos Santos resolveu reestudar a cláusula papal que impedia processos referentes a menores de 17 anos. Depois de ouvir teólogos, psicólogos, médicos, educadores e peritos de todo o gênero, os Cardeais membros da Congregação pronunciaram-se pela admissão dos processos de Jacinta e Francisco, considerando que, embora crianças não sejam habitualmente chamadas a um grau heróico de santidade, podem existir, na ação da graça, exceções a essa regra. E assim, os processos foram acolhidos. E desde então outros processos de crianças estão em curso.
Catolicismo – E quando começou propriamente o processo?
Padre Kondor – Em 1951. Mas ele era considerado com muita incerteza, pois existia a referida proibição. O que se seguiu depois foi muito rápido. Em 1980, fui nomeado Postulador em Roma. Nove anos depois, a 13 de maio de 1989, o Papa declarou as virtudes heróicas. Portanto, os pastorinhos passaram a prova com "summa cum laude". Todos os peritos - sete peritos para cada um dos processos - depois de examinarem durante sete anos tais processos, votaram finalmente a favor, de modo unânime, ficando estes concluídos. Isto permite venerar particularmente os pastorinhos como santos. Para a veneração pública a Igreja exige a beatificação. E para a beatificação é necessário um outro processo, é necessário provar um milagre, cientificamente, e que este milagre tenha sido produzido pela ação dos pastorinhos. Já tivemos uma cura em Málaga, na Espanha. Mas, ao final, uma série de médicos consideraram que a cura -- que parecia milagrosa -- poderia ter causas naturais. O caso foi então arquivado. Nem sequer foi apresentado à Congregação. Agora estamos examinando outro processo, da cura de uma senhora que estava há 22 anos paralítica, tendo agora começado a andar. Isto ocorreu em Leiria, Portugal. O processo terminou e já se encontra na referida Congregação. Esta senhora nasceu em 1930, e durante 22 anos esteve na cama, sem mover-se. Da cintura para baixo não sentia nada. Depois de fazer uma novena, perguntou a Jacinta, de sua cama, se seria curada. E ouviu uma voz que lhe dizia: "Senta-te, porque podes". Começou então a sentir que o sangue principiava a circular pelas veias das pernas. Sentiu-se curada e sentou-se na cama. Um autêntico alvoroço formou-se às altas horas da noite em sua casa: "Amélia sentou-se!" Os médicos peritos do processo consideram que o fato não apresenta explicação natural.
Catolicismo – Que significa Fátima em sua opinião?
Pe. Kondor – Em minha opinião, Fátima é a maior revelação desde a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. Uma intervenção sobrenatural tão grande nunca houve na História. Em qualquer país do mundo a palavra Fátima é conhecida. Nunca na História da Igreja duas crianças foram tão conhecidas e estimadas quanto Francisco e Jacinta. Elas têm trazido inúmeras almas para o caminho da perfeição. A espiritualidade de Jacinta ficou marcada com seu empenho pela conversão dos pecadores e para evitar que eles vão para o inferno. Francisco, de sua parte, caracterizou sua missão com a frase "Deus está triste, devemos consolá-Lo".
|
|
| Artigo extraído da Revista Catolicismo de Novembro de 1998 | |
|
Voltar à Seção de
Hagiografia
|
|
|