Da. Maria Antonieta Canello de Freitas (Da. Marô),
proprietária expulsa da Fazenda Marília, em Colméia
(TO), concede entrevista a Catolicismo – que consiste numa impressionante
denúncia –, na sede da TFP, à Rua Martim Francisco,
665 na capital paulista. Acompanhou-a na visita à nossa sede seu
marido Dr. José Francisco Freitas.
Catolicismo – Por que a Sra. se considera uma vítima
da Reforma Agrária?
Da. Maria Antonieta–A "nossa" Reforma Agrária
semeia miséria entre os inocentes-úteis que acreditam conseguir
viver em terra doada e sustentados pelo governo, além de destruir
a vida de suas vítimas. Tudo isso já é muito conhecido
graças à propaganda que fazem os movimentos que manipulam
os ditos sem-terra, como também pelo inevitável vazamento
da conseqüente miséria em que vivem os assentados.
Há, porém, um aspecto muito pouco divulgado:
o que acontece com aqueles que são
vítimas
da Reforma Agrária. O que acontece com a vida de quem perdeu tudo
aquilo que conseguiu pelo seu trabalho.
Poucas pessoas, felizmente, experimentaram a minha dolorosa
situação – ser proprietária e moradora de uma fazenda
invadida por uma horda de sem-terra. Trata-se da Fazenda Marília,
localizada no município de Colméia, em Tocantins. Lá
se encontra a minha casa, a casa de minha família; lá estavam
as minhas flores, minhas árvores, a minha ampla sala de trabalho,
tão despretensiosa que, até hoje, não consigo pensar
nela como meu estúdio, onde nas horas de folga pintava porcelanas,
aquarelas, desenhava...
Catolicismo – A partir de quando a Sra. começou
a ter problemas com invasores?
Da. Maria Antonieta- Fomos invadidos em 6 de janeiro
de 1994 – a primeira fazenda da região a sofrer violência
. Ingenuamente, confiamos na Lei, esperando a desocupação
e reintegração de posse de nossa propriedade. Acreditávamos
haver justiça para proteger as vítimas, não os bandidos.
Afinal, pensávamos, se um ladrão entra em nossa casa, tudo
o que precisamos fazer é chamar a polícia. E se for apanhado
em flagrante, o ladrão segue diretamente para a cadeia. Mas se um
grupo organizado de sem-terra – uma quadrilha de ladrões, na maioria
das vezes – invade sua fazenda, a lei, curiosamente, concede a essa quadrilha
benesses jamais imaginadas.
Catolicismo – Por exemplo...
Da. Maria Antonieta- Eles são notificados
pessoalmente por um Oficial de Justiça a comparecer perante o Juiz.
Via de regra, apenas um deles se apresenta. O Juiz conversa com eles, avisa-lhes
que estão todos intimados a deixar a gleba, e previne-os de que,
se voltarem a invadir, serão considerados infratores e sujeitos
a prisão.
No dia seguinte, se não for sábado, domingo
ou feriado -- pois sem-terra não pode ser despejado em dia de descanso
--, eles serão retirados da área invadida por uma força
policial. Foi o que aconteceu em nossa fazenda. Os esbulhadores foram despejados
por ordem judicial. Mas já na semana seguinte, à noite, voltaram
a invadir. - Para
plantar?
- Não! Para destruir... Queimaram a ponte que ligava a região
da sede com a área invadida. A Justiça abriu inquérito,
fotografou os escombros da ponte mas, curiosamente, não
encontrou nenhum autor do delito. E não conseguiu investigar, em
uma cidade de 5.000 habitantes, quem havia participado da incursão
de vandalismo. E nada aconteceu.
Catolicismo – Houve ameaças ou mesmo agressões
contra a Sra. ou contra membros de sua família?
Da. Maria Antonieta– E quantas! Meu marido foi gravemente
baleado no rosto por um sem-terra em plena cidade. Todos conheciam o autor
da tentativa de homicídio. Abriu-se inquérito, mas o culpado
continuou foragido e, mais uma vez, nada aconteceu.
E a destruição da fazenda continuava. A
casa de nosso serrador foi queimada, a serraria foi semidestruída
para, no mês seguinte, ser inteiramente queimada. Seis empregados
nossos foram feitos reféns, sendo um deles baleado. Novo inquérito,
e ainda mais uma vez nada aconteceu!
A voraz destruição não parava. As
duas casas de alvenaria da área invadida foram destruídas
a marretadas. O curral queimado. A mata ardia em chamas e eu, à
distância, sofria com aquela devastação sem nada poder
fazer.
Pedimos ajuda ao IBAMA, à Justiça e à
Polícia. Sem nada conseguirmos, escrevi uma primeira carta ao Presidente
Fernando Henrique Cardoso. Pela enésima vez, nada aconteceu!
Catolicismo – Os invasores agiam espontaneamente ou
eram insuflados por alguém?
Da. Maria Antonieta- Nesse período, o líder
da invasão -- hoje sei que não era um simples trabalhador
rural -- foi assassinado dentro de nossa propriedade. Ele morava
na cidade e mantinha um barraco de palha dentro da área invadida.
Foi baleado pela frente, quando se encontrava em companhia
do atual Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, o qual
declarou à Polícia não saber quem o baleou, pois os
tiros partiram da mata. Essa versão foi a mesma que ouvimos dos
empreiteiros.
Então, a Comissão Pastoral da Terra – a
já conhecida CPT – ligada à CNBB, apareceu! Pela primeira
vez, uma entidade de renome tomava parte naquela invasão que até
então tentavam fazer parecer fruto espontâneo da natureza.
A CPT mandou um advogado a Colméia, fez pressão na
capital do Estado, a fim de conseguir um delegado especial para apurar
o caso.
Catolicismo – Com a entrada da CPT em cena, as coisas
amainaram?
Da. Maria Antonieta– Pelo contrário. Os experts
fizeram coisas muito especiais. Prenderam para investigação
três empregados nossos. Levaram-nos até o rio e torturaram-nos
usando o método que chamam "banho-de-jacaré", que consiste
em manter a pessoa com a cabeça dentro d’água até
o extremo limite de sua resistência, retirando-a, então, para
novo interrogatório...
O delegado acabou arrancando a "confissão" do
mecânico, através de alguns "banhos-de-jacaré". Mas
em seguida, no inquérito judicial, o mesmo negou sua participação
no crime, sendo inocentado em júri popular.
Esse mesmo delegado chegou a dizer em um bar da cidade
que deveria ter levado até o rio, não os empregados, mas
o meu filho, pois do "mocinho eu arrancaria o que quisesse...". Dessa
vez, depreende-se que houve inquérito e que... algo aconteceu.
Catolicismo – Que conseqüências tudo isso
trouxe para sua família?
Da. Maria Antonieta- Eu, mãe, já vinha
recebendo ameaças telefônicas contra a vida do meu filho.
Quando a ameaça partiu da autoridade policial, não resisti:
implorei ao meu filho para que deixasse a fazenda, e ele, mais do que contrafeito,
terminou por atender-me.
Entendo que, para os instigadores dos sem-terra, poderia
parecer mais fácil ameaçar meu filho, jovem, agrônomo,
que trata a todos com cortesia.
O erro dos informantes foi apoiar-se nas aparências.
Com o carinho de mãe, retirei o alvo deles, saí da minha
"concha" e passei a enfrentar todos os assuntos estressantes, em relação
aos quais meu marido, enfartado, poderia ser poupado. Para tal, fui registrando
os acontecimentos, datas, medidas tomadas etc.
Catolicismo – Com isso, seu filho escapou ileso?
Da. Maria Antonieta- Meu filho, afastado do trabalho,
sem poder participar do nosso esforço para manter a propriedade,
passou a sentir-se inútil. Tudo isso o levou a um estado depressivo
agudo, tendo que consultar médicos e psicólogos.
Depressão essa que ainda não está
inteiramente controlada, o que me deixa, como mãe, em constante
estado de tensão. Meu filho... minha vida! Sei que meu filho está
infeliz, que nunca mais conseguiu estar de bem consigo mesmo depois de
deixar de trabalhar na fazenda que era nossa... Fisicamente ele saiu ileso,
mas psicologicamente ficou muito prejudicado. E eu, como mãe, posso
estar bem!?
Meu marido continuava enfrentando todas as dificuldades
e achou que eu estava capitulando diante da luta; tive de convencê-lo
de que, sem o nosso filho, não fazia sentido resistir às
investidas do INCRA para pesquisar e classificar como improdutiva uma fazenda
que, por ocasião da invasão, contava com 5.000 cabeças
de gado e dava emprego para 18 ou 20 famílias.
Catolicismo – E como prosseguiram as coisas depois
de tantos problemas?
Da. Maria Antonieta- O INCRA avaliou a fazenda em fevereiro
de 1996. De nossa parte, continuamos morando lá, é claro,
mas esperando a desapropriação a qualquer momento, e, portanto,
sem nenhuma boa perspectiva para a vida e sobretudo para a nossa segurança.
No dia 13 de junho de 1996 encontrava-me em São
Paulo, quando recebi a notícia de que meu marido estava preso.
Ninguém sabia o por quê. Fui para lá imediatamente.
Nosso advogado não conseguiu prisão especial, à qual
ele tinha direito por ser diplomado pela USP.
Catolicismo - Mas, neste caso, seu marido não
poderia ficar em prisão domiciliar?
Da. Maria Antonieta– Com efeito, seria a alternativa
legal, mas a Juíza não concordou. E, por isso, um engenheiro
agrônomo de 64 anos, enfartado, teve que ficar 48 dias em uma cela
que não possuía sequer uma cama ou uma cadeira.
O mais importante é explicar o motivo da prisão.
Dias antes, o agente de plantão na cadeia de Colméia recebeu
(sic) um telefonema anônimo de alguém dizendo-se muito amigo
da polícia e que avisava: iriam entrar na delegacia e libertar o
mecânico preso. Em nenhum momento os nomes do meu marido e do meu
filho foram citados, nem pelo anônimo nem na declaração
oficial do agente à Promotora.
Curiosamente, tal agente já havia "desaparecido"
em 8-6-96, quando tentei contactá-lo. Baseada nesse "documentário"
do telefonema anônimo, a Promotora requereu e a Juíza concedeu
mandado de prisão contra meu marido e meu filho, no dia 7 de junho
de 1996. A polícia nunca procurou meu marido, nem em casa nem nas
muitas vezes em que ele foi a Colméia, e ninguém suspeitou
jamais da existência de tal medida! A prisão deu-se quando
meu marido deixava a balsa do Rio Tocantins, fora da jurisdição
de Colméia, sem autorização do Juiz de nossa Comarca.
Durante 45 dias percorri 50 quilômetros, da fazenda
até a cadeia, para fazer-lhe companhia. Fazia o mesmo percurso de
regresso, à noite, para lavar roupa, passar, preparar comida. Claro
que a essa altura eu não tinha ninguém para ajudar-me, pois
quem trabalharia numa fazenda cujo o dono está preso na cadeia?
Catolicismo – Mas tudo isso parece configurar uma enorme
tragédia...
Da. Maria Antonieta– Não só parece, mas
é a realidade. Na Justiça... tudo parado. Só no dia
2 de agosto fomos para uma casa na cidade, porque a Juíza só
concedia a prisão domiciliar se apresentássemos prova
de residência na cidade. Em reportagem publicada pela revista "Exame",
na edição nº 669, de 26 de agosto de 1998, sobre o caso
da fazenda Marília, a Promotora diz: "Não havia como controlar
os passos dele (meu marido) na fazenda". Ridículo total. Por acaso
pensaria ela que, se quiséssemos "fugir" de Colméia, à
noite, de carro, alguém nos impediria?
A prisão domiciliar continuou até o dia
2 de outubro de 1996, quando o Tribunal de Justiça de Palmas revogou
o mandado da Juíza.
Enquanto estávamos em Colméia, correu o
boato de que a juíza havia "doado" nossa fazenda aos invasores.
E o boato ajudou, e muito, os invasores a nos enxotarem da fazenda.
Os grupos que tentavam ações de vandalismo
na área ainda não invadida (roubo de implementos, corte de
cercas etc.), aproveitaram-se do boato para queimar toda a fazenda.
Catolicismo – Antes de iniciarmos a entrevista, a Sra.
se referiu a um atentado sofrido. Do que se trata?
Da. Maria Antonieta- Quando eu tive que fazer a mudança
para Colméia, considerei que "aquela" seria uma situação
provisória e levei apenas o essencial. Ia à fazenda algumas
vezes por semana, sempre durante o dia. No dia 17 de setembro de 1996,
dirigindo o carro, logo que fiz a curva deixando a estrada de asfalto em
direção à entrada da fazenda, comecei a ser apedrejada
por quatro indivíduos que se encontravam ao lado do mata-burro.
Acelerei para passar pela porteira, que, por sinal, estava aberta excepcionalmente.
Para minha surpresa, a estrada estava bloqueada com pedras. A roda dianteira
do carro quebrou, ficando eu exposta aos apedrejadores. Resolvi que sairia
a pé, correndo até onde pudesse – eu tinha à época
59 anos... Assim que saí do carro, fui atingida por uma pedra
na cabeça. Caí, rolei pela estrada e, quando consegui me
levantar, os quatro indivíduos corriam, ao longe, fugindo do local,
pensando, talvez, que eu tivesse morrido.
Só ao escurecer consegui fazer sinais com o farol
do carro e o nosso administrador veio em meu socorro. Na manhã seguinte,
fui à Delegacia de Polícia, onde foi lavrado o Boletim de
Ocorrência e de corpo delito. Nesse inquérito, mais uma vez,
nada aconteceu.
Catolicismo – Esse atentado deixou seqüelas?
Da. Maria Antonieta- Como conseqüência
da queda, passei a ter dores muito fortes na região sacro-lombar
e na perna direita. Tomei centenas de analgésicos. Após certo
tempo, comecei a cair de maneira inexplicável.
Por fim, com dores terríveis, passei 13 dias inteiramente
imobilizada num hospital. Os exames mostraram que fiquei com um fragmento
ósseo alojado entre duas vértebras, o que, por sua vez, provocou
dois cistos. A pressão de todos esses "corpos estranhos" é
a causa da dor e da total insensibilidade no meu pé direito e na
parte externa da perna. A cirurgia a que poderia me submeter é de
alto risco, podendo até não voltar a caminhar.
E assim vou vivendo, sempre com um calçado leve,
sem poder usar sapatos. E não posso mais dirigir, pois não
sinto o acelerador nem o freio.
Catolicismo – E como ficou o Dr. José Francisco,
seu esposo, em face de toda essa perseguição?
Da. Maria Antonieta- Quanto ao meu marido, eu esperava
alguém em completa depressão, depois de suportar estoicamente
os 48 dias de prisão, em condições que as fotos descrevem
mais do que mil palavras.
O que eu não sabia é que ele já
estava sofrendo um terrível processo chamado síndrome bipolar
(o que antigamente chamava-se maníaco-depressivo). Acho que nada
possa ser mais difícil: a pessoa com quem eu vivia há 40
anos passou a ter reações completamente imprevisíveis.
Quando, por fim, consegui levá-lo ao médico,
ele já não dormia mais, passava os dias em movimentação
incessante, falava e andava sem parar. Os cacos de nossa vida, que eu tentava
juntar, ficaram irrecuperáveis. E eu não tinha qualquer possibilidade
de
ajudá-lo
psicologicamente, porque na mente de um maníaco-depressivo ele é
que está bem e o resto do mundo é composto por pessoas derrotistas!
Para complicar a situação, continuamos
tendo que manter advogado acompanhando o morosíssimo processo de
desapropriação pelo INCRA. O dinheiro que recebemos pela
desapropriação de 1/3 de nossas terras consumiu-se com o
pagamento de honorários advocatícios com que tivemos (e ainda
temos!) que arcar, e com o pagamento de parte das dívidas contraídas
para reter a posse da fazenda da qual já não conseguíamos
tirar qualquer renda, uma vez que o gado vagava solto pela região.
Acrescentem-se a isso as despesas médicas com os problemas de saúde
que meu marido e eu passamos a sofrer como herança da ação
dos sem-terra e de seus ideólogos...
Catolicismo – Qual o papel do INCRA em tudo isso?
Da. Maria Antonieta– O pior possível! Hoje, esperamos
pela desapropriação e pagamento dos 2/3 da fazenda, totalmente
invadidos. Quando fomos forçados a sair de lá, um técnico
do INCRA, especialista em gerenciamento de conflitos, dividiu a área
– sem pagar, sem ter a posse legal da terra!!! - entre quatro grupos
de invasores que com ele se reuniram na Casa paroquial de Colméia,
uma espécie de filial da CPT. Esses grupos hoje, ou venderam
os seus "direitos" sobre os "seus" lotes, ou alugam nossos pastos.
A depredação das benfeitorias, a destruição
de cercas para venda de arame e estacas, a venda de madeira, são
os tipos de "trabalho" realizados pelos que, de alguma forma, conseguiram
ser considerados pelo INCRA como mais aptos do que nós a ser
proprietários de terra. Sim, do que nós, que durante 40 anos
fomos fazendeiros, e só fazendeiros.
Quando a fazenda estava sob nossos cuidados, o INCRA
vistoriou e encontrou um valor que não nos foi comunicado. Meses
depois, quando vimos as planilhas, consideramos muito baixas certas avaliações.
Hoje, depois da permissividade das autoridades diante dos atos de vandalismo
ali praticados, em face da complacência do INCRA -- que até
colocou um sem-terra para viver em nossa casa... --, qual será o
valor das benfeitorias, por exemplo? Quanto vale uma casa com o forro arrancado,
sem torneiras, sem eletricidade? Quanto vale uma cerca queimada, uma porteira
quebrada ou um curral destruído?
Catolicismo – A Sra. gostaria de acrescentar algo para
nossos leitores?
Da. Maria Antonieta– Sim, que todos se previnam contra
os invasores, contra a ação da CPT e a respeito das "medidas"
tomadas pelo INCRA. Será que esse dinheiro, que eu talvez receba,
será suficiente para pagar pela carreira frustrada de um jovem agrônomo,
pelos seus problemas de saúde, por esse hiato de humilhação
na vida do meu filho? Será esse dinheiro suficiente para pagar as
conseqüências de minha limitação física,
por não poder mais dirigir, ou pelas dores constantes na coluna
que terei de suportar ou mitigar com medicamentos cheios de efeitos colaterais
desagradáveis? Ou poderá ele pagar a condição
de cardíaco do meu marido (que nunca fumou nem bebeu), pelo seu
tratamento contínuo, até o fim da vida, do distúrbio
bipolar de que foi acometido?
E a humilhação sofrida? Quem responderá
pelos danos morais que todos nós ainda sofremos e vamos sofrer?