Pergunta de Nossos Leitores
Igreja Católica - Igreja de Cristo
Sucessão apostólica, Papas, autoridade da Igreja
Celibato e Purgatório
Visite a nossa seção de Apologética, no item "Igreja Católica - Igreja de Cristo"
para ter uma visão mais organizada e completa sobre o assunto.


Recebido em 22/7/99
A HP de vocês é muito interessante, faltava um espaço assim para esclarecer  algumas verdades negadas por muitos. É importante levar os verdadeiros ensinamentos bíblicos para todos, de modo a tentar tirar a venda que ainda cobre os olhos de muitos.
Nasci em uma família católica, mas até certo tempo não ligava muito para o Catolicismo, achava muito cansativo as missas, até porque eu nunca entendi muito bem o que se passava, assim como muitos jovens. Hoje eu tenho buscado entender mais sobre o catolicismo, tem muita coisa que eu ainda não sei, queria a ajuda de vocês pra entender melhor estas.
Gostaria que vocês me disessem onde a bíblia diz que a igreja católica foi a igreja que Jesus deixou e que me falassem sobre o TAU.
 L., 16 anos

Respondido em 22/7/99
    Prezado L., Salve Maria!
     Recebi seu e-mail com algumas perguntas que passo a responder.
    Nosso Senhor não escreveu nenhum livro, mas escolheu doze discípulos aos quais encarregou de evangelizar o mundo inteiro: "ide e evangelizai todo o mundo".
    Esses discípulos (os primeiros membros da Igreja Católica), para melhor transmitir o evangelho, escreveram, inspirados pelo Espírito Santo, os Livros do Novo Testamento.
    É importante você entender isso, não é a "Bíblia" que confere autenticidade à Igreja, mas é a Igreja que diz que a "Bíblia" é uma "fonte de revelação". Sem a Igreja, de nada adiantariam esses livros, pois como poderíamos saber se são autênticos ou não?
    Os protestantes, infelizmente, saíram da Igreja de Nosso Senhor. Esquecem-se eles que foi a Igreja, que agora combatem, quem definiu quais eram os Livros Sagrados (inspirados) e quais não eram. Foi a Igreja, através de seus Bispos ou Diáconos, quem escreveu os evangelhos narrando a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo. Dois dos evangelistas eram Bispos.
    Você poderá encontrar várias passagens das Sagradas Escrituras onde Nosso Senhor confirma S. Pedro, o primeiro Papa, como chefe visível da Igreja. Desde o início até os dias atuais, a Igreja é chefiada por um sucessor do primeiro Papa. O nosso atual, João Paulo II, é sucessor direto de S. Pedro.
    Veja o que narra S. Mateus: "E eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; e eu te darei as chaves do reino dos Céus: e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também nos céus." (Mt. 16, 18)
    Em toda essa passagem é claro que o Salvador se dirige exclusivamente a Pedro, mudando-lhe até o seu nome, que antes era Simão. Disse, ainda, que estava fundando a "minha" Igreja, cujas portas do inferno nunca prevaleceriam sobre ela. Deu o poder de ligar e desligar tudo na terra.
    Eis, L., uma prova incontestável da autoridade da Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo.
    Em vários outros momentos de Sua vida, Nosso Senhor confirmou S. Pedro como chefe da Igreja.
    Sobre o "Tau", eu teria que pesquisar um pouco para respondê-lo. Parece que faz parte das profecias de Jeremias sobre aqueles que seriam marcados com o sinal (tau) e que seriam preservados da morte. Também foi, pelo que sei, símbolo dos primeiros cristãos. Até hoje se usa para designar algumas vocações religiosas, no sentido de que o "tau" é o chamado (para a vocação).
    Esperando ter respondido suas perguntas e colocando-me ao seu dispor para quaisquer outras, despeço-me
    Atenciosamente,
    Frederico Viotti
    Frente Universitária Lepanto
    http://www.lepanto.com.br
 

Nova Pergunta em 22/7/99
Mas eu continuo com dúvidas, como podemos saber que os Apóstolos eram católicos?
Eu tentei explicar para um amigo, meu que é Protestante, a passagem em que Jesus nomeia Pedro como a pedra onde será fundada a Igreja, claro que a pedra angular é Jesus. Ele entendeu, mas tentou me convencer que a Igreja a qual Jesus se refiria era uma igreja Universal, a Igreja de todo o povo de Deus.
Aí veio a dúvida acima, pois eu aprendi que Católica quer dizer Universal, fiquei sem argumento. Mas também ele tem um jeito de interpretar as escrituras que confunde qualquer um, as vezes ele consegue olhar coisa onde não tem, daquele tipo que acha cabelo em osso, não digo isso por ele ser protestante.
 Desde já agradeço!
 

Resposta em 23/7/99
    Prezado L., Salve Maria!
     Vou enviar um trecho de uma resposta, que está na internet, enviada a um protestante. Depois, vou procurar uma outra resposta que eu havia mandado para um espírita (se não me engano), onde constam as provas históricas que a Igreja era a mesma, desde o começo até hoje.
    De qualquer forma, no texto que lhe enviei, fica clara a primazia de 'jurisdição' de S. Pedro sobre um só Igreja (minha Igreja).
    Segue o primeiro trecho:
*********
Ver o e-mail enviado ao protestante.
 

S. Pedro em Roma como primeiro Papa e Sucessão Apostólica
          A estadia de S. Pedro em Roma é incontestável historicamente. Sobre ela atestam Orígenes (ano 254), Clemente de Alexandria (215), Tertuliano (222), S. Irineu (202), Dionísio (171). Do século primeiro, convém destacar S. Inácio (107) e Clemente Romano (101). Esses historiadores e testemunhas são reconhecidos, pela crítica moderna, como autoridades dignas de fé.
    Nenhum protestante imparcial teve a ousadia de contestá-los.
    Vamos agora provar que S. Pedro foi o primeiro Bispo de Roma:
    Poderíamos citar muitas longas passagens de S. Irineu, Caio, S. Cipriano, S. Agostinho, S. Optato, S. Jerônimo, Sulpício Severo, que atestam "unânimes" o episcopado romano do príncipe dos apóstolos. Limitemo-nos a umas curtas citações:
    Caio: falando de S. Vitor, Papa, diz: "Desde Pedro ele foi o décimo terceiro Bispo de Roma"(ad Euseb. 128)
    S. Jerônimo: "Simão Pedro foi a Roma e aí ocupou a cátedra sacerdotal durante 25 anos" (De Viris Ill. 1, 1).
    S. Agostinho: "S. Lino sucedeu a S. Pedro" (Epist. 53)
    Sulpício Severo, falando do tempo de Nero, diz: "Neste tempo, Pedro exercia em Roma a função de Bispo" (His. Sacr., n. 28)
    S. Ireneu: "Os apóstolos Pedro e Paulo fundaram a Igreja, e o primeiro remeteu o episcopado a Lino, a quem sucedeu Anacleto e depois Clemente".
    Convém notar ainda que todos os catálogos dos Bispos de Roma, organizados segundo os documentos primitivos, pelos antigos escritores, colocam invariavelmente o nome de Pedro à frente de todos.
    Agora veremos como o Papa é sucessor direto de S. Pedro, primeiro Bispo de Roma:
    Primeiramente, os protestantes deveriam provar que o Papa não é sucessor de S. Pedro, todavia, como eles não tem nenhum texto histórico ou religioso que prove, eles pedem uma prova dos católicos. Eles só negam, nada podem afirmar.
    Vamos analisar as Sagradas Escrituras. Lá existe não só a investidura de S. Pedro como chefe visível da Igreja, mas a investidura perpétua dos apóstolos, para serem os "enviados" de Cristo (Mt. 28, 18 - 20): "É me dado todo o poder no céu e na terra; ide pois e ensinai a todos os povos e eis que estou convosco todos os dias até a consumação do mundo".
    Que quer dizer isso?
    1 - Cristo tem todo poder, é a primeira parte
    2 - Cristo transmite este poder, é a segunda parte (Lembremo-nos, no mesmo sentido, da frase: "tudo que ligares na terra será ligado no céu e tudo o que desligares na terra será desligado no céu")
    3 - A quem Ele transmite? Aos apóstolos.
    4 - Até quando? Até a consumação do mundo
    Ora, Cristo transmitiu este poder unicamente aos apóstolos presentes? Não pode ser, pois os apóstolos deviam morrer um dia, como todos os homens morrem. Ele diz: "estarei convosco até à consumação do mundo".
    Se Ele promete estar com os apóstolos até o fim do mundo, é claro que ele não está se dirigindo aos apóstolos como pessoas físicas, mas como um "corpo moral", que deve perpetuar-se nos seus sucessores, e hão de durar atá o fim dos tempos.
    Eis uma prova evidente que o bispo de Roma, que é o Papa, é o sucessor de S. Pedro e de sua "jurisdição".
    Depois, basta pegar o trecho em que nosso Senhor se vira para Simão e diz: "Eu te digo: tu és Pedro (em aramaico pedra) e sobre esta pedra eu edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno  nunca prevalecerão contra ela". (Mt. 16, 18).
    Como isso é claro e positivo! Jesus Cristo muda o nome de Simão, em pedra (aramaico: Kephas, significa pedra e pedro, numa única palavra, como em francês Pierre é o nome de uma pessoa e o nome do minério pedra).
    Deus fez diversas vezes tais mudanças, para que o nome exprimisse o papel especial que deve representar a pessoa. Assim mudou o nome de Abrão em Abraão (Gn 17, 5), para exprimir que devia ser o pai de muitos povos.
    Mudou ainda o nome de Jacob em Israel (Gn 32, 28) para significar a "força contra Deus". Assim Jesus Cristo mudou o nome de Simão em Pedro, sobre a qual estará fundada a Igreja, sendo o seu construtor o próprio Cristo.
    Em todo o trecho em que Nosso Senhor confirma S. Pedro como primeiro Papa, fica evidente que Ele se dirige, exclusivamente, a S. Pedro, sem um mínimo desvio: "Eu te digo... Tu és Pedro... Sobre esta pedra edificarei... Eu te darei... O que desatares..."
    S. Pedro é a pessoa a quem tudo é dirigido ... é ele o centro de todo este texto.
    Esse ponto é muito importante, pois a interpretação truncada dos protestantes quer admitir o absurdo de que Nosso Senhor não sabia se exprimir corretamente. Eles dizem que Cristo queria dizer: "Simão, tu és pedra, mas não edificarei sobre ti a minha Igreja, por que não és pedra, senão sobre mim." Ora, é uma contradição, pois Nosso Senhor alterou o nome de Simão para "Kephas".
    A lista dos primeiros Papas é a seguinte S. Pedro, 42 - 67; S. Lino, 67 - 78; S. Cleto, 78 - 91; S. Clemente, 91 - 100; Santo Evaristo, 100 - 109; Santo Alexandre I, 109 - 119; S. Sixto I, 119- 128; S. Telésforo, 128 - 139; Santo Higino, 139 - 142; S. Pio I, 142 - 150; Santo Aniceto, 150 - 162; S. soter, 162 - 170; Santo Eleutério, 170 - 186; S. Vitor, 186 - 197; S. Zefirino, 197 - 217; S. Calisto I, 217 - 222; Santo Urbano I, 222 - 230; S. Ponciano, 230 - 235; Santo Antero, 235 - 236; S. Fabiano, 236 - 251; S. Cornélio, 251 - 252; S. Lúcio I, 252 - 254; Santo Estêvão I, 254 - 257; S. Sixto II, 257 - 259; S. Dionísio, 259 - 269; S. Félix, 269 - 275; Santo Eutiquiano, 275 - 283; S. Caio, 283 - 295; S. Marcelino, 295 - 304; S. Marcelo, 304 - 310; Santo Eusébio, 310 - 311; S. Melcíades, 311 - 313; S. Silvestre I, 313 - 336; S. Silvestre batizou o imperador Constantino Magno.
    Portanto Luís, já enviei o texto com vários argumentos sobre o protestantismo. Agora, envio essa narração, extraída do Pe. Júlio Maria em seu livro: "Luz sobre as Trevas", de 1955). Existem diversos outros argumentos.
    O problema é que um protestante 'interpreta' livremente a Bíblia segundo sua 'inspiração'.
    Colocando-me ao seu dispor e esperando tê-lo ajudado, despeço-me
    In Jesu et Maria
    Frederico Viotti
    Frente Universitária Lepanto
    http://www.lepanto.com.br

Agradecimento recebido em 24/7/99
Prezado Frederico,
Novamente muito obrigado pelas informações!
Mas vai querer falar isso para quem não é católico! Mesmo com provas históricas, eles sempre tem um jeitinho de contornar a situação...
É difícil convencer algumas pessoas a serem católicos, mas eu acho que se ela aceita Jesus como seu salvador e trabalha para Ele, sem vangloriar-se de suas obras, será que ela também não pode alcançar a salvação?
Eu acho que nossos irmãos separados, se tiverem um coração reto, não são impedidos de terem comunhão com Cristo.
A igreja católica, como afirmas os documentos históricos e a bíblia, foi a igreja que Ele deixou, mas não disse que quem não entrasse nela teria a segunda morte, é assim que eu penso.
Os protestantes também podem ter comunhão comunhão com Cristo? Bem, eu não tenho certeza, mas acho que nada impede. Muitas das vezes eles tem mais comunhão com Cristo do que muitos que se dizem católicos.
Bom, eu sou apenas um garoto, ainda tenho muito o que aprender... Mas uma coisa eu sei, que devemos amar o próximo como a nós mesmos. Não devemos deixar que o fato de não sermos da mesma igreja nos separe do amor de Deus.
Seu irmão em Cristo, L.

Nova Pergunta em 25/7/99 - Celibato ou Casamento/Purgatório
Frederico Viotti,
Tou pensando bem nas informações recebidas e tou com uma dúvida, olha só: A igreja Católica, por ter recebido a autoridade de "ligar e desligar" as coisas, não poderia usar isso de maneira errada?
Ela alterou o dia Santo, + aí eu acho q foi até um pedido de Cristo: "Não foi o homem feito para o sábado, mas o sábado para o homem".  Até aí td bem, mas será q ela, sendo a primeira igreja que teve acesso as escrituras, não poderia mudar as mesmas, em seu favor?
Eu não sei, + já houve tanta gente ruim que estragou a imagem de nossa igreja.
E outra coisa, sobre o celibato. A bíblia até aconselha o mesmo, + mesmo assim os evangélicos não aceitam, porque  a bíblia diz q o homem foi feito para a mulher e a mulher para o homem, então não seria bom que ele vivesse sozinho. Eu sei q a bíblia não se contradiz, mas não posso negar q ela não diz isso. Me explica Fred, tem q casar ou não?
E outra dúvida é sobre o Purgatório, eu sei q tem uma passagem q fala de sua existência, mas não sei onde é, você sabe?
Descobri uma grande virtude dos evangélicos, se não fosse eles, talvez eu nem me interesasse em defender minha igreja.
"Por fim meu imaculado coração triunfará !"
T+ mano
 L.

Reposta em 25/7/99
    L., a Igreja é infalível, pois é Corpo Místico de Cristo. O Papa só é infalível em matéria de Fé e Moral, quando fala como pastor universal para todos os católicos (existem outros requisitos).
    Existem muitos protestantes e judeus que se converteram lendo a história da Igreja, pois existiram muitos Papas que, em matéria de vida pessoal, não andaram muito bem. Todavia, não há erro doutrinário em seus ensinamentos. Se assim não fosse, Nosso Senhor teria deixado o ser humano à deriva e não teria constituído sua Igreja.
    Portanto, em matéria pessoal, os Papas podem cometer erros, mas não a Igreja.
    As Escrituras, no que diz respeito ao Antigo Testamento, foram escritas antes da Igreja. O Novo Testamento foi escrito pela Igreja. Essa é a fé do Cristão. Os protestantes "idolatram" a Bíblia, mas esquecem-se que ela foi escrita pela Igreja que eles combatem.
    Sua dúvida em relação à alteração das Sagradas Escrituras não tem fundamento, pois seria o mesmo que dizer que seus pais não são "seus pais", mas inventaram essa história. É claro que é possível (a nível  hipotético), mas não faria sentido, pois a Bíblia é muito contrária à vontade do homem após o pecado original. E depois, essa é a Fé na Igreja que nós temos. Uma fé baseada na história e na razão. Ninguém entrega sua vida para enganar outrem. Os evangelhos foram escritos por pessoas que perderam sua vida por defenderem o que defendiam. Se a intenção fosse "humana" eles teriam que ter escrito o oposto do que escreveram e nunca, em hipótese nenhuma, poderiam inventar as belezas das parábolas.
    Eles eram simples pescadores, que mal sabiam se comunicar e que ainda, por infidelidade, traíram seu Redentor, abandonando-o na Cruz, sozinho. Apenas Nossa Senhora e as Santas Mulheres acompanharam Nosso Senhor (depois S. João também). Os evangelhos falam muito mal dos apóstolos e não poderiam ter sido escritos em favor deles próprios. Ademais, a Bíblia é composta de outros livros que foram escritos antes da Igreja, como já dito.
    Sobre o sábado, diz S. Paulo: "Portanto, ninguém vos julgue por questões de comida e de bebida, ou a respeito de festas anuais ou de sábados, que são apenas sombra de coisas que haviam de vir, mas a realidade é o Corpo de Cristo" (colossenses 2, 16)
    Sobre o Celibato, S. Paulo diz que quem casa faz bem, mas quem não casa faz melhor. O estado de vida comum aos homens é o matrimônio, mas o estado mais perfeito é o celibato. Por isso os apóstolos não casaram. Mesmo porque quem casa deve cuidar de sua família. Não há, pois, contradição. Casar é bom. Não casar é melhor. Sempre conforme a vocação de cada um. Quem foi chamado para o casamento, deve casar!
    O Purgatório é uma verdade positivamente revelada por Deus, que não admite dúvida. Disse Jesus, um dia, à multidão de povo que acabava de ouvir o sublime sermão das bem-aventuranças: "Reconcilia-te com o teu adversário... enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário de entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao ministro e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que, de modo nenhum, sairás dali, enquanto não pagares até o último ceitil" (Mt 5, 25-26).
    Jesus acabara de dizer que os seus discípulos deveriam ser o "sal da terra e a luz do mundo" (Mt. 5, 13), continuando a traçar as normas a seguir para evitar o inferno e chegar ao céu.
    "Digo-vos", diz o Mestre, "que se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no céu" (Mt 5, 20). Eis o céu bem indicado.
    O inferno não o é menos: "Se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é melhor que se perca um de teus membros, do que  todo o teu corpo seja lançado no inferno" (Mt 5, 29).
    Eis como, na mesma instrução (é o mesmo capítulo de S. Mateus), Nosso Senhor trata do Céu, do inferno e do purgatório; pois o texto citado refere-se claramente ao purgatório. Está no texto e no contexto que não se trata de uma simples comparação.
    De fato, não pode tratar-se de uma prisão imposta pela justiça humana: isto é da autoridade policial, e o Mestre nem trata disso e nunca tratou; fala do seu reino espiritual.
    Aliás, o contexto mostra claramente que não se trata de uma cadeia material - pois Nosso Senhor não teria como afirmar que a pessoa não sairia dali enquanto não pagasse até o último ceitil. Trata-se de uma prisão à qual Nosso Senhor tem soberania, é Ele quem manda e decide.
    Como não pode se tratar do inferno, visto que o inferno é eterno (Mt 25, 41), e não se trata de uma prisão material, trata-se, pois, de uma prisão temporária, onde as almas sofrem, por certo tempo, em expiação de seus pecados; onde são purgadas das faltas leves, que não merecem o inferno, mas impedem de entrar no céu. "Nada de impuro entrará no céu" (Apoc 21, 27).
    Depois, temos o uso da razão. Para onde iria uma alma que não é bastante santa para ir para o céu e nem bastante santa para ir para o inferno? Ela deve ir para um local de expiação, que é o purgatório.
    Esse texto não é o único. Existem textos mais claros nos livros que os protestantes retiraram da Bíblia por contradizerem sua doutrina. O texto mais expressivo sobre a existência do purgatório é o do Livro II dos Macabeus (XII, 43), o qual narra como Judas Macabeu mandou oferecer um sacrifício pelos que haviam morrido na batalha, por exemplo, por expiação de seus pecados.
    O Concílio Tridentino (Sess. XXV, D.B. 983), define como verdade de fé a existência do purgatório.
    In Jesu et Maria
    Frederico Viotti
    Frente Universitária Lepanto
    http://www.lepanto.com.br


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