Prezado L, Salve Maria!
Os livros do Antigo Testamento são 45 (depende um pouco da divisão que se faça), reconhecidos autênticos pela Igreja católica. Estes livros foram quase todos escritos em hebraico; e uns em língua caldaica e em grego.
Convém fazer algumas distinções primeiras quanto aos nomes:
Cânon, do grego Kanón = regra, medida e catálogo;
2) Canônico = livro catalogado - o que significa que também é inspirado por Deus;
3) Protocanônico = livro catalogado próton, isto é, em primeiro lugar ou sempre catalogado;
4) Deuterocanônico = livro catalogado, déuteron ou em segunda instância, posteriormente (após ter sido controvertido);
5) Apócrifo, do grego apókryphon = livro oculto, isto é, não lido nas assembléias públicas de culto, reservado à leitura particular. Em conseqüência, livro não canônico, não catalogado, embora tenha aparência de livro canônico (Evangelho segundo Tomé, Evangelho da Infância, Assunção de Moisés...)
Examinemos como foi formado o atual cânon do Antigo testamento.
As passagens bíblicas começaram a ser escritas esporadicamente desde os tempos anteriores a Moisés. Todavia, Moisés foi o primeiro codificador das tradições orais e escritas de Israel, no século XIII A. C. A essas tradições (leis, narrativas, peças litúrgicas) foram sendo acrescidos, aos poucos, outros escritos no decorrer dos séculos, sem que os judeus se preocupassem com a catalogação dos mesmos.
Já no século I da era Cristã, como os apóstolos começaram a escrever os primeiros livros cristãos (cartas de S. Paulo, Evangelhos...), que se apresentavam como a continuação dos livros sagrados dos judeus, estes reuniram-se no Sínodo de Jâmnia, ao sul da palestina, por volta do ano 100 d.C., a fim de estabelecer as regras que caracterizariam os livros sagrados (inspirados por Deus). Foram estipulados os seguintes critérios:
1 - O livro sagrado não pode ter sido escrito fora da terra de Israel,
2 - ... não em língua aramaica ou grega, mas somente em hebraico,
3 - ... não depois de Esdras (458-428 a.C.),
4 - ... não em contradição com a Torá ou Lei de Moisés.
Em conseqüência, os judeus da palestina fecharam seu cânon sagrado sem reconhecer livros e escritos que não obedeciam a tais critérios. Acontece, porém, que em Alexandria, no Egito, havia uma próspera colônia judaica que, vivendo em terra estrangeira e falando língua estrangeira (o grego), não adotou os critérios nacionalistas estipulados pelos judeus de Jâmnia. Os judeus de Alexandria chegaram a traduzir os livros sagrados hebraicos para o grego entre 250 e 100 a.C., dando assim origem à versão grega dita "Alexandrina" ou "dos setenta intérpretes".
Essa edição bíblica contém livros que os judeus de Jâmnia não aceitaram, mas que os de Alexandria liam como "Palavra de Deus"; assim são os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruque, Eclesiástico ou Sirácida, 1o e 2o dos Macabeus, além de Ester 10,4 - 16,24 e Daniel 3,24-90; 13ss).
Podemos, pois, dizer que havia dos cânones entre os judeus no início da era cristão: o restrito, da Palestina, e o amplo, de Alexandria.
Ora, acontece que os apóstolos e evangelistas, ao escreverem o Novo Testamento em grego, citavam o Antigo Testamento, usando a tradução grega de Alexandria, mesmo quando esta diferia do texto hebraico (ver Mt 1,23 quando cita Is 7,14; e Hb 10,5 (cita Sl 40,6). Esta tornou-se a forma comum entre os cristãos; em conseqüência, o cânon amplo, incluindo os sete livros já citados, passou para o uso dos cristãos.
No começo do cristianismo, como conseqüência da existência desses dois cânones, o de Alexandria e o da Palestina, havia uma certa confusão sobre quais deveriam ser seguidos.
O papa S. Dâmaso, no ano 374, confiou a S. Jerônimo o cuidado de coligir e traduzir os livros santos, sujo conjunto forma o atual cânon ou catálogo da Igreja.
O Catolicismo reconheceu sempre, e o Concílio Tridentino confirmou a lista de S. Dâmaso.
É unicamente através da Igreja que se reconhecem os livros sagrados dos apócrifos. Os protestantes, ao negarem o papel da tradição, acabam caindo em erros muito graves, visto que não têm como escolher os livros de sua Bíblia. Sem a tradição, como escolher os livros inspirados ou não? E mais, sem a autoridade infalível da Igreja, não há Bíblia que possa ter valor, pois quem confere autenticidade ao papel?
Não é razoável a interpretação protestante, visto que esta acaba dizendo que a bíblia se prova pela bíblia. Ora, isso é uma temeridade. A Bíblia se prova pela Igreja que a compôs!
A Igreja Católica adotou o cânon grego.
Os protestantes adotaram o cânon farisaico.
Durante 15 séculos, a Igreja universal, tanto a latina como a grega, usou a bíblia grega.
Os escritores do século II só conheciam o antigo testamento pela recensão grega, dita dos setenta, e portanto, não distinguiam entre os livros que dizemos protocanônicos e os deutêrocanonicos. Citam tanto estes como aqueles, com igual confiança, como sendo a palavra de Deus revelada.
Comparação entre a Bíblia Católica e a Protestante.
Católica - (Protestante): 1. Gênesis (idem) ; 2. Êxodo
(id); 3. Levítico (id); 4. Números (id); 5. Deuteronômio
(id); 6. Josué (id); 7.Juízes (id); 8. Rute (id); 9. Reis
I (Samuel I); 10. Reis II (Samuel II); 11. Reis III (Reis I); 12. Reis
IV (Reis II); 13. Paralipômenos I (Crônicas I); 14. Paralipômenos
II (Crônicas II); 15. Esdras I (id.); 16. Esdras II (Neemias); 17.
Macabeus I (- falta -); 18. Macabeus II (- falta -); 19. Tobias (- falta
-); 20. Judite (- falta -); 21. Ester (incompleto); 22. Job (id.); 23.
Salmos (id.); 24. Provérbios (id.); 25. Eclesiastes (id.); 26. Cântico
(id.); 27. Sabedoria (- falta -); 28. Eclesiástico (- falta -);
29. Isaias (id.); 30. Jeremias - profecia e lamentação (id.);
31. Baruc (- falta -); 32. Ezequiel (id.); 33. Daniel (incompleto); 34.
Oseias (id.); 35. Joel (id.); 36. Amós (id.); 37. Jonas (id.); 38.
Miqueias (id.); 40. Naum (id.); 41. Habacuc (id.); 42. Sofonias (id.);
43. Ageu (id.); 44. Zacarias (id.); 45. Malaquias (id.)
O cânon protestante conta apenas 38 livros,
faltando, como se pode verificar, os seguintes livros: 1 e 2 dos Macabeus,
Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico e Baruc. Faltam no livro
de Ester uns 6 capítulos (10,4 - 16, 24) e no livro de Daniel falta
a oração de Azarias, o cântico dos mancebos, o episódio
de Susana e a história de Bel e do Dragão.
(Pe. Júlio Maria; Ataques Protestantes às Verdades Católicas,
pp. 74 - 76)
(Estevão Bettencourt, O.S.B., Católicos perguntam, pp.22-24)
É bom recordarmos as palavras de S. João,
no fim do Apocalipse: "Se alguém cortar qualquer das palavras do
livro desta profecia, Deus lhe cortará sua parte do livro da vida
e da cidade santa, e do que está escrito neste livro (22, 19).
Todos são chamados à santidade e,
por santo, entende-se a pessoa que está em "estado de graça",
portanto, sem pecado mortal. Todas as almas que estão no céu
são santas, mas poucas são "santos de altar". Um santo, reconhecido
pela Igreja como santo, é certo que está no céu, por
ter praticado a virtude em grau heróico.
A canonização envolve a infalibilidade.
Um "santo de altar" é uma pessoa que nós temos a convicção
de que está no Céu, gozando da "visão beatífica"
e podendo interceder pelos vivos junto a Nosso Senhor Jesus Cristo. Os
demais, que estão no Céu, nós não sabemos quem
são e nem o seu número e, muitas vezes, não foram
exemplos na terra .
In Jesu et Maria
Frederico Viotti
Frente Universitária Lepanto
http://www.lepanto.com.br
Agradecimento recebido em 27/7/99
Frederico,
agora eu posso dizer: Salve Maria!
Cara, eu fico pensando no que te leva a guardar um tempo para responder
tantos e-mails! Tu deve ter tanta coisa pra fazer e ainda consegue tempo
para isso!
Legal, se não fosse pela tuas explicações talvez
eu me tornasse evangélico rapidinho.
Eu já estudo em um colégio evangélico, muitas
vezes ouço poucas e boas, mas ficava calado. Até pq eu naum
sabia muito sobre minha igreja!
Acho que tu (você, o Sr., como quiser.) podia escrever um livro
para os jovens, falando da nossa doutrina. Você tem muito conhecimento
cara e o melhor, sabe transmiti-lo.
A gente não aprende essas coisas em catequese, bom pelo menos
eu não aprendi. Eu vou falar com o padre lá da igreja pra
aumentar o tempo da missa e falar sobre essas coisas que você me
falou. Com certeza o povo vai gostar!
Pensa na idéia do livro mano, quem sabe não pode até
estimular os jovens a verem a igreja com outros olhos?
In Jesus et Maria
L.
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