Reposta em 25/7/99
L., a Igreja é infalível, pois é
Corpo Místico de Cristo. O Papa só é infalível
em matéria de Fé e Moral, quando fala como pastor universal
para todos os católicos (existem outros requisitos).
Existem muitos protestantes e judeus que se converteram
lendo a história da Igreja, pois existiram muitos Papas que, em
matéria de vida pessoal, não andaram muito bem. Todavia,
não há erro doutrinário em seus ensinamentos. Se assim
não fosse, Nosso Senhor teria deixado o ser humano à deriva
e não teria constituído sua Igreja.
Portanto, em matéria pessoal, os Papas podem
cometer erros, mas não a Igreja.
As Escrituras, no que diz respeito ao Antigo Testamento,
foram escritas antes da Igreja. O Novo Testamento foi escrito pela Igreja.
Essa é a fé do Cristão. Os protestantes "idolatram"
a Bíblia, mas esquecem-se que ela foi escrita pela Igreja que eles
combatem.
Sua dúvida em relação à
alteração das Sagradas Escrituras não tem fundamento,
pois seria o mesmo que dizer que seus pais não são "seus
pais", mas inventaram essa história. É claro que é
possível (a nível hipotético), mas não
faria sentido, pois a Bíblia é muito contrária à
vontade do homem após o pecado original. E depois, essa é
a Fé na Igreja que nós temos. Uma fé baseada na história
e na razão. Ninguém entrega sua vida para enganar outrem.
Os evangelhos foram escritos por pessoas que perderam sua vida por defenderem
o que defendiam. Se a intenção fosse "humana" eles teriam
que ter escrito o oposto do que escreveram e nunca, em hipótese
nenhuma, poderiam inventar as belezas das parábolas.
Eles eram simples pescadores, que mal sabiam se
comunicar e que ainda, por infidelidade, traíram seu Redentor, abandonando-o
na Cruz, sozinho. Apenas Nossa Senhora e as Santas Mulheres acompanharam
Nosso Senhor (depois S. João também). Os evangelhos falam
muito mal dos apóstolos e não poderiam ter sido escritos
em favor deles próprios. Ademais, a Bíblia é composta
de outros livros que foram escritos antes da Igreja, como já dito.
Sobre o sábado, diz S. Paulo: "Portanto,
ninguém vos julgue por questões de comida e de bebida, ou
a respeito de festas anuais ou de sábados, que são apenas
sombra de coisas que haviam de vir, mas a realidade é o Corpo de
Cristo" (colossenses 2, 16)
Sobre o Celibato, S. Paulo diz que quem casa faz
bem, mas quem não casa faz melhor. O estado de vida comum aos homens
é o matrimônio, mas o estado mais perfeito é o celibato.
Por isso os apóstolos não casaram. Mesmo porque quem casa
deve cuidar de sua família. Não há, pois, contradição.
Casar é bom. Não casar é melhor. Sempre conforme
a vocação de cada um. Quem foi chamado para o casamento,
deve casar!
O Purgatório é uma verdade positivamente
revelada por Deus, que não admite dúvida. Disse Jesus, um
dia, à multidão de povo que acabava de ouvir o sublime sermão
das bem-aventuranças: "Reconcilia-te com o teu adversário...
enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça
que o adversário de entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao ministro
e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que, de modo nenhum,
sairás dali, enquanto não pagares até o último
ceitil" (Mt 5, 25-26).
Jesus acabara de dizer que os seus discípulos
deveriam ser o "sal da terra e a luz do mundo" (Mt. 5, 13), continuando
a traçar as normas a seguir para evitar o inferno e chegar ao céu.
"Digo-vos", diz o Mestre, "que se a vossa justiça
não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis
no céu" (Mt 5, 20). Eis o céu bem indicado.
O inferno não o é menos: "Se o teu
olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti, pois
te é melhor que se perca um de teus membros, do que todo o
teu corpo seja lançado no inferno" (Mt 5, 29).
Eis como, na mesma instrução (é
o mesmo capítulo de S. Mateus), Nosso Senhor trata do Céu,
do inferno e do purgatório; pois o texto citado refere-se claramente
ao purgatório. Está no texto e no contexto que não
se trata de uma simples comparação.
De fato, não pode tratar-se de uma prisão
imposta pela justiça humana: isto é da autoridade policial,
e o Mestre nem trata disso e nunca tratou; fala do seu reino espiritual.
Aliás, o contexto mostra claramente que não
se trata de uma cadeia material - pois Nosso Senhor não teria como
afirmar que a pessoa não sairia dali enquanto não
pagasse até o último ceitil. Trata-se de uma prisão
à qual Nosso Senhor tem soberania, é Ele quem manda e decide.
Como não pode se tratar do inferno, visto
que o inferno é eterno (Mt 25, 41), e não se trata de uma
prisão material, trata-se, pois, de uma prisão temporária,
onde as almas sofrem, por certo tempo, em expiação de seus
pecados; onde são purgadas das faltas leves, que não merecem
o inferno, mas impedem de entrar no céu. "Nada de impuro entrará
no céu" (Apoc 21, 27).
Depois, temos o uso da razão. Para onde iria
uma alma que não é bastante santa para ir para o céu
e nem bastante santa para ir para o inferno? Ela deve ir para um local
de expiação, que é o purgatório.
Esse texto não é o único. Existem
textos mais claros nos livros que os protestantes retiraram da Bíblia
por contradizerem sua doutrina. O texto mais expressivo sobre a existência
do purgatório é o do Livro II dos Macabeus (XII, 43), o qual
narra como Judas Macabeu mandou oferecer um sacrifício pelos que
haviam morrido na batalha, por exemplo, por expiação de seus
pecados.
O Concílio Tridentino (Sess. XXV, D.B. 983),
define como verdade de fé a existência do purgatório.
In Jesu et Maria
Frederico Viotti
Frente Universitária Lepanto
http://www.lepanto.com.br
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