Pergunta de Nossos Leitores
Celibato e Purgatório
Veja, em nossa seção de Apologética, o item "Purgatório",
para ter uma visão mais organizada e completa sobre o assunto.


Nova Pergunta em 25/7/99 - Celibato ou Casamento/Purgatório
Frederico Viotti,
Tou pensando bem nas informações recebidas e tou com uma dúvida, olha só: A igreja Católica, por ter recebido a autoridade de "ligar e desligar" as coisas, não poderia usar isso de maneira errada?
Ela alterou o dia Santo, + aí eu acho q foi até um pedido de Cristo: "Não foi o homem feito para o sábado, mas o sábado para o homem".  Até aí td bem, mas será q ela, sendo a primeira igreja que teve acesso as escrituras, não poderia mudar as mesmas, em seu favor?
Eu não sei, + já houve tanta gente ruim que estragou a imagem de nossa igreja.
E outra coisa, sobre o celibato. A bíblia até aconselha o mesmo, + mesmo assim os evangélicos não aceitam, porque  a bíblia diz q o homem foi feito para a mulher e a mulher para o homem, então não seria bom que ele vivesse sozinho. Eu sei q a bíblia não se contradiz, mas não posso negar q ela não diz isso. Me explica Fred, tem q casar ou não?
E outra dúvida é sobre o Purgatório, eu sei q tem uma passagem q fala de sua existência, mas não sei onde é, você sabe?
Descobri uma grande virtude dos evangélicos, se não fosse eles, talvez eu nem me interesasse em defender minha igreja.
"Por fim meu imaculado coração triunfará !"
T+ mano
 L.

Reposta em 25/7/99
    L., a Igreja é infalível, pois é Corpo Místico de Cristo. O Papa só é infalível em matéria de Fé e Moral, quando fala como pastor universal para todos os católicos (existem outros requisitos).
    Existem muitos protestantes e judeus que se converteram lendo a história da Igreja, pois existiram muitos Papas que, em matéria de vida pessoal, não andaram muito bem. Todavia, não há erro doutrinário em seus ensinamentos. Se assim não fosse, Nosso Senhor teria deixado o ser humano à deriva e não teria constituído sua Igreja.
    Portanto, em matéria pessoal, os Papas podem cometer erros, mas não a Igreja.
    As Escrituras, no que diz respeito ao Antigo Testamento, foram escritas antes da Igreja. O Novo Testamento foi escrito pela Igreja. Essa é a fé do Cristão. Os protestantes "idolatram" a Bíblia, mas esquecem-se que ela foi escrita pela Igreja que eles combatem.
    Sua dúvida em relação à alteração das Sagradas Escrituras não tem fundamento, pois seria o mesmo que dizer que seus pais não são "seus pais", mas inventaram essa história. É claro que é possível (a nível  hipotético), mas não faria sentido, pois a Bíblia é muito contrária à vontade do homem após o pecado original. E depois, essa é a Fé na Igreja que nós temos. Uma fé baseada na história e na razão. Ninguém entrega sua vida para enganar outrem. Os evangelhos foram escritos por pessoas que perderam sua vida por defenderem o que defendiam. Se a intenção fosse "humana" eles teriam que ter escrito o oposto do que escreveram e nunca, em hipótese nenhuma, poderiam inventar as belezas das parábolas.
    Eles eram simples pescadores, que mal sabiam se comunicar e que ainda, por infidelidade, traíram seu Redentor, abandonando-o na Cruz, sozinho. Apenas Nossa Senhora e as Santas Mulheres acompanharam Nosso Senhor (depois S. João também). Os evangelhos falam muito mal dos apóstolos e não poderiam ter sido escritos em favor deles próprios. Ademais, a Bíblia é composta de outros livros que foram escritos antes da Igreja, como já dito.
    Sobre o sábado, diz S. Paulo: "Portanto, ninguém vos julgue por questões de comida e de bebida, ou a respeito de festas anuais ou de sábados, que são apenas sombra de coisas que haviam de vir, mas a realidade é o Corpo de Cristo" (colossenses 2, 16)
    Sobre o Celibato, S. Paulo diz que quem casa faz bem, mas quem não casa faz melhor. O estado de vida comum aos homens é o matrimônio, mas o estado mais perfeito é o celibato. Por isso os apóstolos não casaram. Mesmo porque quem casa deve cuidar de sua família. Não há, pois, contradição. Casar é bom. Não casar é melhor. Sempre conforme a vocação de cada um. Quem foi chamado para o casamento, deve casar!
    O Purgatório é uma verdade positivamente revelada por Deus, que não admite dúvida. Disse Jesus, um dia, à multidão de povo que acabava de ouvir o sublime sermão das bem-aventuranças: "Reconcilia-te com o teu adversário... enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário de entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao ministro e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que, de modo nenhum, sairás dali, enquanto não pagares até o último ceitil" (Mt 5, 25-26).
    Jesus acabara de dizer que os seus discípulos deveriam ser o "sal da terra e a luz do mundo" (Mt. 5, 13), continuando a traçar as normas a seguir para evitar o inferno e chegar ao céu.
    "Digo-vos", diz o Mestre, "que se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no céu" (Mt 5, 20). Eis o céu bem indicado.
    O inferno não o é menos: "Se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti, pois te é melhor que se perca um de teus membros, do que  todo o teu corpo seja lançado no inferno" (Mt 5, 29).
    Eis como, na mesma instrução (é o mesmo capítulo de S. Mateus), Nosso Senhor trata do Céu, do inferno e do purgatório; pois o texto citado refere-se claramente ao purgatório. Está no texto e no contexto que não se trata de uma simples comparação.
    De fato, não pode tratar-se de uma prisão imposta pela justiça humana: isto é da autoridade policial, e o Mestre nem trata disso e nunca tratou; fala do seu reino espiritual.
    Aliás, o contexto mostra claramente que não se trata de uma cadeia material - pois Nosso Senhor não teria como afirmar que a pessoa não sairia dali enquanto não pagasse até o último ceitil. Trata-se de uma prisão à qual Nosso Senhor tem soberania, é Ele quem manda e decide.
    Como não pode se tratar do inferno, visto que o inferno é eterno (Mt 25, 41), e não se trata de uma prisão material, trata-se, pois, de uma prisão temporária, onde as almas sofrem, por certo tempo, em expiação de seus pecados; onde são purgadas das faltas leves, que não merecem o inferno, mas impedem de entrar no céu. "Nada de impuro entrará no céu" (Apoc 21, 27).
    Depois, temos o uso da razão. Para onde iria uma alma que não é bastante santa para ir para o céu e nem bastante santa para ir para o inferno? Ela deve ir para um local de expiação, que é o purgatório.
    Esse texto não é o único. Existem textos mais claros nos livros que os protestantes retiraram da Bíblia por contradizerem sua doutrina. O texto mais expressivo sobre a existência do purgatório é o do Livro II dos Macabeus (XII, 43), o qual narra como Judas Macabeu mandou oferecer um sacrifício pelos que haviam morrido na batalha, por exemplo, por expiação de seus pecados.
    O Concílio Tridentino (Sess. XXV, D.B. 983), define como verdade de fé a existência do purgatório.
    In Jesu et Maria
    Frederico Viotti
    Frente Universitária Lepanto
    http://www.lepanto.com.br
 


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