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Semana Santa
Tristeza, dor e majestade expressas
num Crucifixo
Plinio corrêa
de Oliveira
AManifestação de tristeza
de Nosso Senhor apresentada nes te belo crucifixo é
pungente: os lábios abertos, os dentes separados, o queixo ligeiramente
caído, dando a impressão de tal abandono de forças
que há uma carência de energias até para manter cerrados
os lábios. O olhar é distante, pairando na consideração
de outra coisa muito diversa e que O enche de tristeza.
Analisando a coroa de espinhos,
podem-se perceber os grandes espinhos que transpassaram a fronte de Nosso
Senhor. Acima do olho esquerdo nota-se uma machucadura terrível.
Tem-se a impressão de que um espinho ali penetrou, deixando um furo
horrível!
Vê-se o sangue que corre...
Mas, com quanta delicadeza ele escorre ao longo do corpo divino! De maneira
a formar dois longos filetes, aparecendo na ponta de cada um deles um rubi!
Sempre, desde menino, o que
mais me impressionou em Nosso Senhor Jesus Cristo foi a sua dor. Estivesse
Ele crucificado ou não. E dor que confere ao sofrimento aquele
matiz de majestade, de sabedoria profunda, de transcendência em relação
a tudo. Mas, também, de bondade que chega até o último
ser, até o último pecador. Isto foi o que sempre, de modo
muitíssimo especial, me atraiu nEle e me levou a adorá-Lo.
Não custei a perceber
que tal disposição de alma estava em diametral oposição
à alegria de fandango, doida, tonta, agitada e sedenta de pecado,
que dominava a minha época de menino, com a difusão da atmosfera
de Hollywood, do cinema moderno... Então, era uma alegria má.
E eu ficava colocado entre a tristeza e a má alegria.
Entretanto, naquela época,
eu não sabia discernir bem entre a boa e a má alegria.
Foi necessário o transcurso
de anos para eu perceber o seguinte: aqueles que partilham a tristeza de
Nosso Senhor são os verdadeiramente alegres desta vida! E aqueles
que se apresentam alegres com Satanás são, na realidade,
os tristes neste mundo. E, apesar de ser verdadeiro o fato de vivermos
numa época de tanto pecado e tanta ignomínia - que arrancou
lágrimas de Nossa Senhora na sua aparição em La Salette,
e postulou a Mensagem de Fátima, com tudo o que ela contém
- parece-me que o verdadeiro católico pode manter sua alma alegre.
Mas que tal alegria nunca deve prescindir de um certo véu de tristeza.
De tristeza digna, tristeza nobre, varonil, como quem acompanha Nosso Senhor
até o alto da Cruz!
De onde a idéia seguinte:
a vida, para ser conduzida de modo católico, deve trazer consigo
esse traço de grandeza e de seriedade, sem o qual ela não
vale nada. A vida humana é uma participação na Cruz
de Nosso Senhor Jesus Cristo. Eu tenho que sofrer como Ele sofreu. E quanto
mais eu padecer, tanto melhor será, porque terei tido maior honra
em me achegar mais a Ele.
Que a Virgem Santíssima
nos ajude a conservar tais reflexões bem no fundo de nossas almas,
pois aproximamo-nos de tempos em que desconhecemos como será o dia
de amanhã.
Espreitar-nos-á a dor?
Talvez! Mas devemos estar certos de um ponto: se nos espreita a dor, aguarda-nos
também a glória.
(Excertos da conferência proferida
pelo
Prof. Plinio Corrêa de Oliveira
em 21 de agosto de 1985)
(Sem revisão do autor, falecido
em 1995))
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