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França, maio de 1968 Como na Revolução Francesa, na revolução sorboniana há de se observar, cautelosamente, o termo liberdade, que para os incautos sempre pressupõe algo bom, belo e dignificante. Porém, o benéfico sentido de tal palavra foi desvirtuado. Apesar da acepção que aparentemente ostenta, a liberdade apregoada pela Revolução Sorboniana constitui-se numa verdadeira receita de degradação do homem. Isso se dá pelo fato de que Deus em sua onipotência imprimiu na alma humana uma hierarquia, onde a inteligência deve guiar a vontade, e esta deve governar a sensibilidade. O lema “faça o que tu queres” denota justamente a inversão de uma ordem natural, é o agir do homem pautado pelas suas paixões e não mais pela sua razão. Logo, entende-se que o fulcro do liberalismo sorboniano é “o direito de pensar, sentir e fazer tudo quanto as paixões desenfreadas exigem”. Com a mesma prudência deve ser observado o igualitarismo, pois dele irá emanar todo o desprezo e ódio contra estruturas hierárquicas e contra a ordem social. Por isso, a massificação do povo, o nivelamento geral, a busca alucinada pela quebra das desigualdades foram algumas das metas mais buscadas pelos revolucionários. A ruptura das desigualdades (lato sensu), atingiu, inclusive, a seara metafísica e religiosa, revelando-nos o ódio da revolução contra a infinita superioridade divina. Santo Tomás ensina que a diversidade das criaturas e seu escalonamento hierárquico são um bem em si, pois melhor resplandecem, na criação, as perfeições do Criador. Finalmente, após uma rápida análise dos alvos visados pelos revolucionários, podemos certamente afirmar que aquele movimento serviu como um catalisador das tendências desordenadas e anti-naturais. Vivemos, hoje, os frutos de um movimento que teve na “Revolução da Sorbonne” a sua explicitação máxima. Luiz Carlos Starling Peixoto
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