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Pedro Álvares
Cabral |
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A nobre e heróica estirpe de nosso DescobridorPertencente a uma linhagem de nobres e valorosos guerreiros, Pedro Álvares Cabral, além de intrépido navegador, caracterizou-se por uma devoção mariana, precioso legado transmitido aos descendentes. Frederico R. de Abranches Viotti
Portugal,
nome de um pequeno país - pequeno em dimensões, mas enorme quanto a
tradições históricas e valor humano – era uma nação de pouco mais
de 1 milhão de habitantes quando se lançou na proeza de expandir a Fé e
o Império por um mundo até então desconhecido.
Nesse novo mundo, misterioso e fascinante para os Europeus da época,
inseria-se o nosso Brasil. Hoje, passados cinco séculos do descobrimento,
Quem, afinal, foi o homem que a história menciona como aquele que
descobriu a Ilha de Vera Cruz, posteriormente chamada de Terra
de Santa Cruz e, finalmente, Brasil? Sua história ainda não foi por
completo estudada (e talvez nunca venha a ser), embora muitos pormenores já
são conhecidos dos historiadores.
No ano de 1468[i],
no Castelo de Belmonte, propriedade da família Cabral, nascia um menino
de nome Pedro, filho de Fernão Cabral e de Dona Isabel de Gouveia. Fernão
Cabral lutou ao lado de D. João I e os três Infantes, na famosa
conquista de Ceuta, em 1415, junto com seu pai, Luís Álvares Cabral.
A genealogia e a origem do nome “Cabral” perdem-se nas brumas
da história portuguesa. O Visconde de Sanchez de Baêna assim escreve:
“A família Cabral demarca a sua
existência desde tempos imemoráveis... Nenhuma outra a sobrepuja em sólida
antigüidade de nobreza, e feitos de edificante e variada lição. O seu
A elevada linhagem da família (impossível de reproduzir em um
curto artigo) e o seu prestígio, permitiram a Pedro Álvares Cabral
contrair matrimônio com Dona Isabel de Castro, dama pertencente à mais
alta nobreza do Reino, como terceira neta dos Reis Dom Fernando de
Portugal e Dom Henrique de Castela, sobrinha do célebre herói da Índia,
Afonso de Albuquerque.
Qualidades pessoais: critério para a escolha de Cabral
Nessa época Portugal, cheio dos “cristãos
atrevimentos” de que nos fala Camões, estava preparando armada a
ser enviada às índias. Para organizar a expedição, o Rei Dom Emanuel o
Venturoso, convocou seu Conselho: “E
não somente se assentou no conselho o número de naus e gente que havia
de ir nesta armada, mais ainda o capitão-mor dela, que por
‘calidades’ de sua pessoa, foi escolhido Pedralvares Cabral, filho de
Fernam Cabral”[iii].
Pedro Álvares Cabral fora escolhido, por suas “qualidades pessoais”, para chefiar a esquadra que, no dia 9 de
março de 1500, após a Santa Missa celebrada pelo Bispo D. Diogo Ortiz,
Bispo de Cepta, rumaria para as Índias, passando pelo Brasil.
Dessa expedição, que trataremos em artigo posterior, participaram
13 navios, tendo apenas quatro deles conseguido retornar à Portugal. Os
demais perderam-se todos,
tragados pelo mar, juntamente com sua
tripulação. No dia 23 de junho de 1501 – ou seja, um ano, três meses
e 14 dias depois de sua partida, totalizando 470 dias de viagem – chega
Pedro Álvares Cabral ao Tejo.
Pôde, desse modo, Dom
Emanuel, o Venturoso, acrescentar ao seu título de “Rei
de Portugal e dos Algarves Daquém e de Além Mar em África, e Senhor da
Guiné” o de “Senhor da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia
e da Índia.”
Não percebera ele ainda, a essa altura, que Cabral enriquecera sua
coroa com um florão incomparavelmente mais suntuoso e, sobretudo mais do
que isso, levantara o Estandarte da Cruz na terra que estava destinada a
ser o país de maior população católica do mundo[iv].
Incompreensões e afastamento da Corte
Pedro Álvares Cabral retorna à Portugal e, como freqüentemente
acontece na vida dos homens escolhidos pela Providência Divina para realizarem
grandes obras, sofreu incompreensões e dissabores, tendo se retirado do
Corte e nunca mais recebido qualquer encargo público.
Não sabemos o motivo que levou o descobridor do Brasil a se
afastar da vida pública[v].
Sabemos que ele se manteve retirado e, depois dos sucessos referidos,
recolheu-se em suas terras de Santarém, tendo falecido em 1520 ou 1528,
segundo a
Sua sepultura esteve perdida durante o século XVII e XVIII, tendo
sido encontrada em 1839 pelo historiador brasileiro Francisco Adolpho de
Varnhagen, Visconde de Porto Seguro, na sacristia da Igreja de Nossa
Senhora da Graça, em Santarém.
Em 1903, o Bel. Alberto de Carvalho trouxe para o Brasil parte dos
restos mortais de Pedro Álvares Cabral, que foram depositados em uma urna
na capela-mor da Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro.
Pouco conhecida é a história de um grande descobridor. Mais do
que descobrir terras, ele comandou uma expedição que iniciou a
evangelização dos índios, trazendo incontáveis almas para a Igreja de
Cristo.
Intrépido batalhador, ele desejava dilatar a Fé e expandir o império.
Sabia ser gentil e amável, como o foi com os índios brasileiros, mas
também sabia guerrear contra os inimigos de Cristo, como o fez com mouros
que o traíram na Índia. Devoção mariana: virtude do Descobridor e de sua família
Em sua nau capitânia, ele levava consigo uma pequena imagem da
Senhora da
Quando retornou de sua viagem, o nosso descobridor mandou construir
uma capela para a Senhora da Esperança. Capela essa ampliada pelos seus
descendentes que a iluminaram quotidianamente com um círio.[vii]
Pedro Álvares Cabral foi, antes de tudo, um homem de Fé, que se
lançou ao mar sob a proteção da Cruz de Cristo, nome com o qual foi
primeiramente ‘batizado’ o nosso Brasil segundo seu desejo, como capitão
da esquadra. Uma esquadra que levava a bandeira da Ordem
de Cristo, em cujas velas se estampava a Cruz característica dessa
Ordem de Cavalaria, e que chegou ao solo de um país iluminado pelas
estrelas do Cruzeiro do Sul.
Que a Senhora da Esperança, que tão bem protegeu o descobridor do
Brasil, continue a derramar suas bênçãos sobre a Terra de Santa Cruz.
[i] Segundo se acredita, pois não se tem certeza do ano. [ii] Sanches de Baêna, O Descobridor do Brasil, Pedro Álvares Cabral, Lisboa, 1987, pp. 10-22. [iii] João de Barros, Décadas da Índia, Década I, Livro V, Cap. 1. [iv] Apud O ‘Muy Bom fidalgo’ que descobriu o Brasil., Catolicismo, nº 219, março de 1969. [v] Alguns historiadores, como Gaspar Corrêa em seu livro Lendas da Índia, levantam a hipótese de um desentendimento com Vasco da Gama, que teria exigido ser o comandante, em lugar de Pedro Álvares Cabral, da esquadra que partiria para as Índias em 1502. [vi] Bueno, Eduardo, A
Viagem do Descobrimento,
Vol. 1, Coleção Terra Brasilis, Ed. Objetiva, Rio de Janeiro, 1998. [vii] Cortesão, Jaime, A Expedição de Pedro Álvares Cabral e o Descobrimento do Brasil”, Portugália editora, Lisboa, 1967
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