Número 3 - Setembro/Outubro de 1998
Artigos do Terceiro Número
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* Editorial
* Trombadinhas:
Mais violino e menos Rock
* Eleição
sem idéias tumultual entrada das Universidades
* A mentira com Asas de Ferro
* Crepúsculo
de um Século, Aurora de um Milênio
* Em lembrança
aos 185 anos de nascimento de Giuseppe Verdi
* Inauguradas Casas para Estudantes
* Frases em Destaque - História
Editorial
Em épocas de crise, existem
dois tipos de homens: aqueles que se deixam levar por ela, e aqueles que
se erguem contra ela e mudam os rumos da História!
Imaginemos um cordeiro limpo, branco, encantador,
apascentando numa pradaria magnífica. De repente, voa sobre ele
uma águia, e o convida:
- “Se quiseres, eu te pego pelas garras e te levo
até o alto da montanha. Ali, terás algo de inimaginável.
Mas tens que deixar a pradaria.”
Qual será a resposta do cordeiro?
Qual
seria a nossa resposta? Preferiríamos a segurança da pradaria
ou os vôos grandiosos da águia?
Aos seus críticos, Post-modernidade
responde com esses trechos. Que fiquem na pradaria com a ilusória
segurança de uma vida monótona e medíocre...
Quanto aos homens de Fé e de coragem,
Post-modernidade convida ao heroísmo da águia.
A História, mestra da vida, ensina-nos
que várias civilizações desapareceram ao longo dela.
Já não existe mais o império romano que se dava
ao luxo de chamar o Mediterrâneo de Mare nostro, os egípcios
das monumentais pirâmides... Povos com vocações grandiosas
mas que decaíram até a morte.
Nascida sob o signo do Cruzeiro do Sul, tendo
como primeiro ato oficial uma Santa Missa, a Terra de Santa Cruz afasta-se
progressivamente de seu passado católico! Perseguida a virtude,
o país naufraga nas ondas da corrupção e da imoralidade.
Entretanto, tal crise não afeta apenas
o Brasil, mas todo o ocidente cristão. Atravessamos um momento histórico
“em que uma humanidade inteira está escolhendo por Cristo ou contra
Cristo”. Já não são os bárbaros que avançam
sobre Roma, mas são os próprios católicos que se voltam
contra a Igreja querendo fazer uma religião sem moral e vivendo
como se Deus não existisse.
“Eu serei a vossa recompensa demasiadamente
grande!”. Com essas palavras, Nosso Senhor nos convidou a deixar nossa
pequena pradaria e a enfrentar o ambiente que nos cerca.
Sejamos do número daqueles que souberam
alterar o curso da História pela sua fidelidade invencível
à Roma dos Papas, a “nova Jerusalém, de beleza perfeita,
honra, glória e gáudio do mundo inteiro.’
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Trombadinhas:
mais violino e menos Rock
Os diretores do metrô da cidade de Newcastle acabam de pôr
em prática uma idéia realmente eficiente.
Cansados de atos de vandalismo, furtos e assaltos praticados
sobretudo na estação de Shiremoor, empregavam todos os meios
clássicos para debelar a ação de “trombadinhas”: vigilância
redobrada, ação policial, proibição de ajuntamentos
etc.
Mas
nada. As desordens continuavam. Somente em Shiremoor, os danos causados
pela violência oscilavam entre 800 mil a 1 milhão de reais
por ano.
Aqui está o segredo do metrô de Newcastle: sua direção
passou a tocar na estação, não mais o hard rock ou
sucessos do hit parade pop, mas... música clássica! Serena,
harmoniosa, inteligente, ela acalma os ânimos. Nada das excitações
desordenadas do rock.
Os “trombadinhas” não agüentaram. Eles que vinham
resistindo aos bem treinados vigias do metrô e à polícia
municipal bateram em fuga ao som de tocatas.
Um professor do Royal College of Music, tido como inspirador
da operação, assumindo ares de Sherlock Holmes desvendando
enigmático crime, declarou à imprensa, com a fleugma dos
vencedores: “O fato é revelador do poder da música sobre
os humores; ela pode alterá-los; os ‘trombadinhas’ não encontraram
nos clássicos o impulso ao crime”.
Eis pois a fórmula de comprovado sucesso para “limpar”
certos lugares de perigosos ajuntamentos: mais violino e menos cassetete!
(ABIM)
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Eleição
sem idéias tumultua entradas das Universidades
Às vésperas de
novas eleições, assistimos a um dos mais vexatórios
espetáculos de banalização de nosso Estado de Direito.
Trata-se aqui de algo que já vem se tornando um apanágio
das eleições: a mediocridade do político brasileiro
traduzida por sua ausência de idéias e de interesses legítimos.
Os políticos deveriam
compor uma elite sensível aos anseios do país, sendo nobres
defensores dos autênticos interesses nacionais. Infelizmente não
é bem isso a que assistimos. Política, para a maioria dos
brasileiros, tornou-se muito mais uma defesa de interesses pessoais que
uma expressão altruísta do poder, onde prevaleceria o bem
comum.
É oportuno lembrar
que a doutrina social da Igreja reconhece como legítimas as três
formas de governo: “Monarquia”, “Aristocracia” e “Democracia”, desde que
visem o bem comum para o qual a atividade social é constituída.
No caso específico
da democracia, devemos ter presente que sua autenticidade “repousa por
inteiro sobre o caráter genuíno da representação.
... Pois, se a democracia é o governo do povo, ela só
será autêntica se os detentores do Poder
Público...
forem escolhidos, e atuarem , segundo os métodos e tendo em vista
as metas desejadas pelo povo. Se tal não se dá, o regime
democrático não passa de uma vã aparência, quiçá
de uma fraude’’.
Esta vã aparência
democrática torna-se explícita na época das eleições,
quando nem mesmo a pluralidade partidária evita o problema da eleição
sem idéias. Pois, apesar do grande número de partidos ou
de candidatos disputando as eleições, não há
uma verdadeira diversidade ideológica, já que as correntes
políticas raramente - para não dizer nunca - definem com
clareza sua posição ideológica. Assim, a cada período
de eleições, o legítimo e saudável conflito
de idéias, pressuposto fundamental de toda boa democracia, vai sendo
suprimido.
Quantos dos candidatos têm
a coragem de enfrentar o poder das TVs, que constantemente agridem os mais
elementares valores morais? E as invasões criminosas das terras
alheias, quem denuncia? Qual desses candidatos combate as invasões
do MST em defesa do Estado de Direito?
Ao invés de se escolher
idéias em debate, vota-se em homens sem idéias, vazios
de conteúdo e de caráter duvidoso, não porque não
existam idéias nos eleitores, mas porque essas idéias não
são representadas pelos candidatos dos partidos, que preferem não
definir nada que seja polêmico.
O eleitor fica sem voz...
dentro de uma unanimidade sem idéias, onde todos dizem o mesmo,
isto é, não dizem nada!
O país está saturado dessas eleições
repletas de aparências e vazias de conteúdo. Eleições
nas quais os debates sérios, a respeito de temas fundamentais, dão
lugar aos showmícios... Até quando?!
Luiz Carlos Júnior
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A mentira com
Asas de Ferro
“Um país que progrida velozmente e sem tradição
é como um homem que anda rapidamente sem caminho e sem rumo!”
Post-modernidade traz
aos seus leitores um trecho muito elucidativo sobre a ilusão da
modernidade. Trata-se de memórias do prof. Plinio Corrêa de
Oliveira, fundador da TFP, sobre um moderno trem que rasgava a noite e
atravessava as terras de uma fazenda na qual ele se encontrava, quando
ainda jovem.
Nesse hipotético
diálogo, o pensador católico descreve a sedução
que o progresso, representado por um trem com ‘asas de ferro”, comunicava
aos homens de seu tempo. Uma ilusão de um falso progresso desvinculado
do passado.
“Quando menino, passava
temporadas em uma fazenda. Naquele tempo havia uma dificuldade técnica
para se construir pontes e túneis. O resultado era que os trens
davam voltas em torno das montanhas, para se evitar a construção
de túneis; e depois andavam mais um pouco para pegar o rio num ponto
de estreitamento, para se fazer uma ponte menor e atravessar por lá.
Com isso os trens davam muitas voltas.
Ouvia-se de longe, na sede
da fazenda onde eu estava, o silvo do trem que rasgava o silêncio
da tardinha. Dez ou quinze minutos depois, aquele apito se fazia ouvir
de outro lado. Era o ziguezague em torno do ponto em que eu estava fixo.
Eu ficava desagradado e aflito com aquilo. Por que este barulho rasga de
um modo tão indiscreto, por assim dizer sem pedir licença,
o augusto silêncio desta noite que vai descendo?
Em determinado momento,
o trem passava em frente do terraço da fazenda. Mentiroso como é
o progresso moderno, para quem estava do lado de fora ele dava a impressão
de um palácio. Os trens naquele tempo eram diferentes dos de hoje.
Tinham cortininhas, eram iluminados por dentro, e tinha-se a impressão
de que era um palácio feérico que ia levando uns privilegiados
a toda velocidade para a cidade, onde um futuro feérico os esperava.
Quando o trem acabava de
passar, ele deixava a impressão de um conto de fadas que passara,
depois de ter feito barulho, de ter deitado faíscas. Um conto de
fadas que dizia: “Eu te darei um futuro deslumbrante, se romperes com
esta calma, com este silêncio, com esta patriarcalidade, e entrares
nas minhas asas de ferro. Eu te levarei para a cidade, onde serás
um anônimo, mas onde um torvelinho delicioso te fará esquecer
o teu passado e te embriagará de uma glória que eu te prometo,
se fizeres força. Não terás passado, mas terás
dinheiro. Serás um anônimo montado em milhões”.
Mas eu pensava: “Estou
vindo da cidade, conheço este trem, andei dentro dele com horror,
detestei as sacolejadas dele, abominei as fagulhas que ele lança.
Quantas vezes consultei o relógio para saber quanto tempo ele ainda
levaria para chegar. Eu vinha para o campo com vontade de encontrar isto
que eu tenho aqui, e voltarei para a cidade aborrecido por ter de deixar
isto. É uma mentira, esse trem ‘blasfemando’ contra a natureza.
Ele é mentira com asas de ferro, levando para uma aventura que é
uma loucura. Isto é a morte da sabedoria. Nesse corre-corre desvairado
não há continuidade, não há pensamento, não
há calma, não há tradição. E onde não
há nada disto não pode haver futuro. Há transformações,
mas transformação não é sempre futuro. Transformação
pode ser decadência. Transformação pode levar facilmente
para a morte”.
Eram estas as considerações
que eu fazia, para diferenciar-me daquilo e manter o meu direito de não
ser assim, de querer outra coisa e caminhar para um outro rumo.”
(Texto extraído de uma reunião gravada
em fita magnética, sem revisão do autor).
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Crepúsculo
de um Século, Aurora de um Milênio
Loucura.
“Nós estamos todos loucos. Sim, isto é tão
comum quanto pegar um resfriado”, disse Herbert Kutchins, referindo-se
à metodologia e a filosofia utilizada no manual estatístico
e diagnóstico de disturbios mentais, a “bíblia” dos psiquiatras
dos Estados Unidos. Segundo Kutchins, da Universidade Estadual da Califórnia,
esta nova tendência acaba considerando que “ser louco é
normal”.
(Jornal do Brasil - 6/10/94).
***
Punk, coisa do passado!
Segundo pesquisas realizadas por diversos jornais, como
“Correio Braziliense”, “Folha de S. Paulo” e “Estado de
S. Paulo”, a juventude atual está cansada do que antes era tido
como moderno. Por exemplo, diz a “Folha de S. Paulo”, em sua edição
de 28 de julho de 1996, em que publicou ampla pesquisa feita em 41 países,
com mais de 25 mil adolescentes entre 15 e 18 anos: “Foram arquivados
os ideais socialistas, a rebeldia contra tudo e todos dos punks”. Para
Carlos A. di Franco, do “Estado de S. Paulo”, em seu artigo: “Juventude
e Contra-Revolução”, os jovens estão cada vez
mais religiosos e buscando valores de ordem espiritual.
***
Trave no próprio olho...
Pesquisa publicada pela revista “imprensa” em 1995, revela
que “os jornalistas brasileiros são prepotentes e se acham acima
de tudo”. 80% deles diz não ter nenhuma religião, e a maior
parte dos entrevistados identifica-se com o PT. Por fim, a maioria deles
acha que a imprensa não tem culpa pela crise no país. Isso
se chama não ver a trave no próprio olho.
(Revista Imprensa, 1995)
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Em lembrança
dos 185 anos de nascimento de Giuseppe Verdi
Verdi, Giuseppe ( Fortuino Francesco ) ( * 10/09/1813 + 27/01/1901
)
Compositor italiano, nasceu em Roncole, Parma, em 10 de setembro de
1813. Seu nome na verdade era Fortuino
Francesco porém por causa da unificação italiana,
recebeu o pseudônimo de Giuseppe Verdi, onde o segundo nome significava
Victore Emanuele Rei di Italia, fazendo assim homenagem ao rei que unificaria
a Itália. Sua primeira obra “Oberto” (1839) foi recebida com grande
entusiasmo, levando-o a ser contratado por um influente editor. A terceira
ópera, um drama bíblico sobre o exílio dos judeus,
“Nabuco”, triunfou como tema da unificação da Itália.
Entre suas óperas, destacam-se “Rigoleto”, baseada na “Dama das
Camélias”, de Alexandre Dumas Filho. Insatisfeito com as condições
da ópera na Itália, Verdi inclinava-se a abandonar o teatro
quando foi tentado por três encomendas irrecusáveis: “A força
do destino” ( São Petesburgo, 1862 ) “Dom Carlos” ( Paris, 1867),
ambas inspiradas nos textos de Shiller, e “Aída” (Cairo, 1871),
inspirada na obra do francês Camille du Locle. Seguiu-se, então,
um intervalo interrompido apenas por “Quarteto de Cordas” (1873) e “Réquiem”
(1874). Já em idade avançada, Verdi surpreendeu o mundo com
suas obras-primas: a tragédia shakespeariana “Otelo” (1887) e a
comédia “Falstaff” (1893). Morreu em Milão, 27 de Janeiro
de 1901.
André Stempniak - S. José dos Campos
- SP - stempniak@arsa.com
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Inauguradas Casas
para Estudantes
A Frente Universitária
Lepanto tem a satisfação de informar à seus leitores
que foram inauguradas casas para estudantes em Brasília e S. Paulo.
São ambientes sadios
e moralizados para rapazes universitários ou pré-universitários,
que precisem de um local tranqüilo e ordenado para seus estudos e
moradia.
Em ambas as cidades, as
casas estão situadas próximas das principais universidades.
Se você está
procurando um bom local para estudar e morar, ligue para nós ou
mande-nos um e-mail:
Frente Universitária Lepanto
(061) 364-3103 - Frederico Viotti
e-mail: lepanto@apis.com.br
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Frases em
Destaque - História
O historiador é um profeta voltado para o passaado.
Friedrich von Schlegel
As civilizações não morrem à maneira dos
homens.
A decomposição nelas precede à morte
Georges Bernanos
A História não estuda só os fatos materiais e
as instituições,
seu verdadeiro objeto de estudo é a alma humana.
Fustel de Coulanges
Artigo: Entre o Céu
e a Terra
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