30 de Março – São João Clímaco

| 30 de março de 2012 | Comente!

São João Clímaco

Abade

(+ 605)

 S. JOÃO CLÍMACO nasceu, em 525, na Palestina. Tendo recebido ótima educação, dedicou-se ao es­tudo das ciências com tão bom re­sultado, que mestres e companhei­ros o honraram com o cognome de escolástico, título de grande distin­ção que era dado só a homens de extraordinário saber.

Com a idade de 16 anos apenas, se retirou para a solidão, perto do monte Sinai. Desde os dias dos Santos Antão e Hilário, o número de eremitas era considerável. João, receando não poder entregar-se à vida religiosa no meio de muitos monges, esco­lheu um lugar solitário, onde viveu sob a direção do venerável ancião Martírio.

Observando rigorosamen­te o silêncio, evitou os escolhos da vã loquacidade. A obediência ga­rantiu-lhe grande tesouro de me­recimentos, e tão consideráveis fo­ram os progressos que fez nesta virtude, que parecia não ter vontade própria. Pela sujeição da vonta­de à do mestre, evitou os perigos que ameaçam àqueles que preferem seguir as inspirações do amor pró­prio.

Quatro anos passou João no no­viciado, antes de fazer os santos vo­tos e, quando afinal foi marcada a data em que se ofereceria a Deus, preparou-se pela oração e pelo je­jum, para tão solene ato.

Martírio morreu em 560, e João retirou-se para o deserto de Tola, que se es­tende aos pés do monte Sinai. A cela em que residia, distava da igre­ja dos monges três léguas. Todos os sábados e domingos ia ao convento, para assistir à santa Missa e receber a santa Comunhão com os religiosos.

Por mais que quisesse esconder-se do mundo e fugir do contato com os homens, não lhe foi possí­vel atingir este ideal; assim aconte­ceu que teve de atender o pedido de um jovem, chamado Moisés, pa­ra que o aceitasse como noviço.

S. João possuía o dom de conhe­cer e curar doenças da alma. Um monge de nome Isaac via-se ator­mentado por tentações contra a pureza e a luta contra a crise le­vou-o quase ao desespero. Neste es­tado lastimável, refugiou-se na solidão de João, pedindo ao santo ere­mita socorro e consolo. “Meu filho, disse-lhe Clímaco, o remédio está no coração, vamos rezar”. Prostra­ram-se no chão e desde aquele mo­mento, ficou o monge livre da ten­tação.

A fama de santidade e o alto grau de perfeição que Clímaco possuía, não impediram que lhe surgissem inimigos, nas fileiras dos próprios monges. A humildade e paciência do Santo, porém, desarmaram as acu­sações caluniosas dos desafetos.

Em 600 foi João eleito Hegumen (abade) de todos os monges do monte Sinai e da redondeza. Dos 70 anos de idade, que contava, 50 anos tinha passado no deserto. Sua administração coincidiu com uma terrível seca e grande fome. Vendo a miséria que reinava, João entre­gou-se à oração, e Deus recompen­sou-o mandando chuva abundan­te e fertilizadora. Ao mesmo tempo recebeu Clímaco uma carta de S. Gregório Magno, em que o grande Papa se recomendava às orações do santo abade e com a carta, man­dou-lhe uma avultada quantia, des­tinada ao hospital que existia perto de Sinai.

A pedido do abade João de Raito, João compôs pequena regra para a vida religiosa.

A pedido do abade João de Rai­to, superior de um convento situa­do perto do Mar Vermelho, João compôs pequena regra para a vida religiosa. Este livro contém os princípios da perfeição evangélica e é intitulado Climax, que quer dizer escala. Daí o cognome, que a hagio­grafia deu ao autor da obra: João Clímaco.

Uma outra obra que João escreveu, é um resumo de instru­ções para o Superior. Dos superio­res exige, em primeiro lugar a pu­reza de corpo e alma, depois traba­lho incessante na santificação da própria alma, firmeza e coragem, unidas a grande caridade e indulgência para com as fraquezas hu­manas.

Depois de ter dirigido o con­vento de Sinai quatro anos, João Clímaco pediu demissão do cargo, para poder preparar-se tranquila­mente para a morte. Deixando em seu lugar o abade Gregório, voltou para o deserto de Tola, onde mor­reu aos 30 de março de 605. João Clímaco faleceu com 80 anos. Pou­cos dias depois o seguiu Gregório, conforme o pedido que tinha feito a Deus.

Retirado e adaptado do livro: Lehmann, Pe. João Batista , S.V.D., Na Luz Perpétua, Lar Católico, Juiz de Fora, 1956.
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