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Entre o Céu e a Terra
Entre a alma e o corpo, entre o natural e o sobrenatural, entre o espiritual e o temporal, há um nexo profundo onde a unidade representa a verdade, a bondade e a beleza. Caro colega universitário, repare nessas construções que evocam um passado cheio de esplendor e ideal, onde as almas estavam postas diante de panoramas grandiosos e cheios de vida sobrenatural.
Essas construções foram feitas por homens
como nós, mas que tinham diante de si a certeza de lutarem por algo
que valia imensamente mais do que eles mesmos. Hoje, na “modernidade”, esses castelos e catedrais parecem cada vez mais distantes... Acostumados que estamos a não nos importarmos com as “aparências” e a considerarmos apenas o aspecto prático e funcional de cada objeto, facilmente nos esquecemos de que a aparência muitas vezes reflete a essência. Com efeito, “a roupa não faz o monge”... mas, é igualmente verdade que o dignifica perfeitamente. Exterioriza, simbolicamente, aquilo que ele representa, sua essência e sua condição particular. Esses monumentos, impressos neste boletim, nada mais são do que a manifestação visível de algo que existia na alma dos seus construtores. Era o desejo de perfeição! Não bastava a funcionalidade, era necessária a beleza. E isso se dava em todas as classes sociais e com todos os objetos. Cada um deles deveria refletir sua luz própria, símbolo de uma realidade mais alta, transcendente, sobrenatural. “O universo é uma catedral cujo fim é a glorificação de Deus”! O desejo de perfeição manifesto na alma católica deu frutos inimagináveis. Ora era um castelo de sonhos, ora uma catedral onde se adorava o autor de toda a criação. O “espírito medieval” tendia ao maravilhoso - ao perfeito - seguindo o preceito evangélico: “Sede perfeito como vosso pai celestial é perfeito”. E buscava realizar, na terra, uma imagem do Céu, não só nos seus princípios morais, mas também - e como conseqüência - na vida prática: “Venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu.” Todavia, essa “visão de mundo” foi sendo substituída por uma outra, inteiramente diversa da anterior. Era a modernidade! Com sua densa nuvem de ilusões ela envolveu e seduziu os espíritos de seu tempo. Angariou votos e realizou prodígios. Em sua tirania, destruiu igrejas e queimou castelos tentando apagar da lembrança a glória de uma época por ela tão caluniada. Chegou a dizer que enforcaria o “último nobre nas tripas do último padre!” O tempo passou, a modernidade envelheceu e aquelas construções de outrora permanecem para as gerações que nascem na Pós-modernidade, cansadas das velhacarias modernas e desejosas de um futuro cheio de ideal e grandeza, como o representado por esses castelos. Caro colega universitário, repare nesses castelos e compare os frutos de cada época. Será mesmo que evoluímos? Ou será que, em algum momento da história, o ocidente desviou de seu caminho? Escreva para nós e participe de nossas reuniões! Frederico Romanini de Abranches Viotti
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