Número 3 - setembro/outubro de 1998
Frente Universitária Lepanto

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Entre o Céu e a Terra


Entre a alma e o corpo, entre o natural e o sobrenatural, entre o espiritual e o temporal, há um nexo profundo onde a unidade representa a verdade, a bondade e a beleza.

   Caro colega universitário, repare nessas construções que evocam um passado cheio de esplendor e ideal, onde as almas estavam postas diante de panoramas grandiosos e cheios de vida sobrenatural.

 Essas construções foram feitas por homens como nós, mas que tinham diante de si a certeza de lutarem por algo que valia imensamente mais do que eles mesmos. Lutavam para fazer da Terra uma imagem do Céu. 

 Hoje, na “modernidade”, esses castelos e catedrais parecem cada vez mais distantes... Acostumados que estamos a não nos importarmos com as “aparências” e a considerarmos apenas o aspecto prático e funcional de cada objeto, facilmente nos esquecemos de que a aparência muitas vezes reflete a essência.

 Com efeito, “a roupa não faz o monge”... mas, é igualmente verdade que o dignifica perfeitamente. Exterioriza, simbolicamente, aquilo que ele representa, sua essência e sua condição particular. 

 Esses monumentos, impressos neste boletim, nada mais são do que a manifestação visível de algo que existia na alma dos seus construtores.

 Era o desejo de perfeição! Não bastava a funcionalidade, era necessária a beleza. E isso se dava em todas as classes sociais e com todos os objetos. Cada um deles deveria refletir sua luz própria, símbolo de uma realidade mais alta, transcendente, sobrenatural.

 “O universo é uma catedral cujo fim é a glorificação de Deus”! 

 O desejo de perfeição manifesto na alma católica deu frutos inimagináveis. Ora era um castelo de sonhos, ora uma catedral onde se adorava o autor de toda a criação.

 O “espírito medieval” tendia ao maravilhoso - ao perfeito - seguindo o preceito evangélico: “Sede perfeito como vosso pai celestial é perfeito”. E buscava realizar, na terra, uma imagem do Céu, não só nos seus princípios morais, mas também - e como conseqüência - na vida prática: “Venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu.

 Todavia, essa “visão de mundo” foi sendo substituída por uma outra, inteiramente diversa da anterior. Era a modernidade! Com sua densa nuvem de ilusões ela envolveu e seduziu os espíritos de seu tempo. Angariou votos e realizou prodígios. 

 Em sua tirania, destruiu igrejas e queimou castelos tentando apagar da lembrança a glória de uma época por ela tão caluniada. Chegou a dizer que enforcaria o “último nobre nas tripas do último padre!” 

 O tempo passou, a modernidade envelheceu e aquelas construções de outrora permanecem para as gerações que nascem na Pós-modernidade, cansadas das velhacarias modernas e desejosas de um futuro cheio de ideal e grandeza, como o representado por esses castelos.

 Caro colega universitário, repare nesses castelos e compare os frutos de cada época. Será mesmo que evoluímos? Ou será que, em algum momento da história, o ocidente desviou de seu caminho? 

 Escreva para nós e participe de nossas reuniões! 

Frederico Romanini de Abranches Viotti
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