Número 1 - abril/maio de 1998
Frente Universitária Lepanto

Editorial
A Modernidade morreu, mas quem foi ao seu funeral?


Cinco horas da manhã. O telefone toca. O aviso, seco e frio, foi  dado sem demora: “a modernidade entrou em agonia, em pouco  tempo morrerá”! Sem que praticamente ninguém se desse conta, a modernidade estava dando seus últimos suspiros. Suspiros que ressoavam como a voz de um enfermo moribundo avisando que seu tempo acabara... Mas, como sempre acontece, a voz dos otimistas estava prevalecendo: “Não vamos pensar no pior, não é nada sério, isso passará logo.” Resultado: muito poucos esperavam o agravamento da doença. Acorreram ao hospital apenas alguns curiosos, nenhuma autoridade ou jornalista quis estar presente. Aliás, parece que a imprensa moderna também adoeceu, contagiada pela mesma doença... 

A doença, segundo renomados especialistas, ainda é misteriosa! Parece ser mais uma das inúmeras surgidas durante essa sua longa enfermidade. Talvez uma infecção, talvez velhice mesmo. Mas todos são unânimes: sua morte é iminente! Sua doença não tem mais cura, sua saúde não volta mais! 

E, por paradoxal que seja, sua vitalidade terminou quando parecia ter chegado ao ápice. Com efeito, sua influência havia alcançado todas as pessoas em todos os lugares da terra. Tudo aderia ao moderno: quer nas artes, na linguagem, nos costumes e na cultura, na ciência e na filosofia, a moda era ser moderno. Afinal, diga-se de passagem, a modernidade sempre foi uma ditadora férrea: era preciso ser moderno custe o que custar.

O tradicional cheirava à poeira de livros velhos, guardados em antigos baús, de casas desertas, abandonadas pelo tempo... Era como a modernidade encarava seus opositores. Ela era a novidade, jovem e atraente, acreditava ter superado tudo. Não acreditava em Deus, é verdade. Mas, pensava ela, para que Deus? Agora, o moderno é ser científico! A religião oprime, impõe limites, restrições... A hora é de liberdade e igualdade, o resto deve ser abolido. Um dos seus últimos brados já dizia tudo: “É proibido proibir”.

De fato, tudo parecia consolidar a modernidade. Entretanto, quanto mais ela espalhava suas idéias de ilusória liberdade, tanto mais sorvia o veneno de sua ruína. A igualdade absoluta e a liberdade radical, em cumplicidade mútua, não quiseram mais saber da modernidade, já não precisavam de seu serviço: era hora de desligarem os aparelhos! 

 O tremor agonizante da modernidade -seguida de sua morte- despertou a sociedade adormecida, onde tudo passara desapercebido. Apareceram vozes discordantes da unanimidade moderna, vozes que proclamavam bem alto os ideais perenes, frutos de um passado que não morre. 

Vivemos o desmentido de que é preciso acabar com toda a hierarquia ou toda a moral. Hoje, a realidade nos salta aos olhos: drogas, AIDS, suicídios, violência, etc. Já não há mais família, atacam a religião, a Igreja. Todos são livres para serem como quiserem, só não podem ser diferentes da maioria... Assim, o Brasil católico tinha vergonha de se proclamar católico, escondia-se no silêncio e no anonimato.

Esses frutos da “finada” modernidade começaram a descolar da juventude. O que queremos hoje já não é ser moderno! O moderno saturou, cansou e não deixou saudades. É hora de redescobrir o passado esquecido e caluniado, os valores que não morrem com o tempo. Passado bendito de nossos antepassados, futuro esperado de nossos descendentes. Um futuro baseado em um verdadeiro progresso, isto é, no reto aproveitamento das forças da natureza, segundo a Lei de Deus e a serviço do homem. 

Mostraremos que a nossa geração não foi omissa e deixou a História passar como quem assiste a um cortejo. Façamos nós esse cortejo. O cortejo inaugural de uma outra Era Histórica nascida sobre a sepultura do falso conceito de modernidade!

 
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Boletim Post-modernidade No. 1
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