Lepanto http://www.lepanto.com.br A Frente Universitária & Estudantil Lepanto é um grupo de jovens Católicos que tem como objetivo defender a Doutrina Católica e a Civilização Cristã Fri, 10 May 2013 10:00:07 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=3.5.1 Santo Odon http://www.lepanto.com.br/catolicismo/vida-de-santos/santo-odon/ http://www.lepanto.com.br/catolicismo/vida-de-santos/santo-odon/#comments Fri, 10 May 2013 10:00:07 +0000 Equipe Lepanto http://lepanto.com.br/?p=1189 Abade de Cluny. Restaurador e consolidador dos fundamentos da Idade Média.

Santo Odon, abade de Cluny

Santo Odon, abade de Cluny

Nos séculos VIII e IX, a Europa passou por uma profunda crise religiosa e social, ocasionada, em grande parte, pelas invasões dos vikings que, devastando cidades e queimando igrejas, abalaram as estruturas políticas, sociais e econômicas então existentes.

A par disso, mosteiros e abadias, antes refúgio da piedade, arte e cultura, estavam em decadência, devido a abusos de membros do alto Clero e da nobreza, os quais apoderavam-se de bens e rendimentos eclesiásticos.

Ademais, alguns nobres nomeavam abades, os quais muitas vezes eram leigos, seus apaniguados. “Os monges, se os havia, estavam reduzidos a um canto, deixados à sua própria sorte, sem franca liberdade e sem verdadeira obediência, reduzidos a vegetar”(1). O relaxamento chegou a tal ponto que levou o Papa João XI a exclamar: “Já não há, por assim dizer, um só mosteiro em que a regra seja observada!”

A situação, infelizmente, não era melhor na Sé de Pedro, Cátedra da Verdade e luz dos povos. Atravessava esta uma terrível noite escura, sucedendo-se os Papas em períodos de pouco mais de dois anos, vítimas que eram do veneno assassino ou de trágicos acidentes naturais. Só entre 822 e 894, 32 Pontífices passaram pelo Trono de São Pedro! (2).

Para reverter essa situação, era necessário uma série de Santos suscitados pela Providência divina, os quais por sua ação reformassem a ordem espiritual para que esta permeasse, em toda a ordem temporal e no âmago da vida dos povos, a seiva do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Um deles, e sob certo aspecto talvez o mais providencial, foi Santo Odon  (879-942), Abade de Cluny, chamado a restaurar, ordenar e consolidar em seus fundamentos a sociedade temporal de então, para que ela se elevasse e atingisse seu apogeu, merecendo assim o título — que um autor francês atribuiu à  Idade Média — de “a doce primavera da Fé”.

Iniciando Santo Odon a chamada reforma cluniacense, imprescindível para mudar aquele estado de coisas, sua profunda e benéfica influência fez-se logo notar nas duas esferas, a temporal e a espiritual, graças ao grande número de Santos e homens providenciais que formou, e o papel que estes desempenharam. Basta lembrar o grande Papa São Gregório VII, o monge Hildebrando saído de uma das abadias reformadas por Cluny.

Cluny tornou possível uma tão profunda mudança, que permitiu à Idade Média merecer de Leão XIII (1878-1903) o célebre elogio:

“Tempo houve em que a filosofia do Evangelho governava os Estados. Nessa época, a influência da sabedoria cristã e sua virtude divina penetravam as leis, as instituições, os costumes dos povos, todas as categorias e todas as relações da sociedade civil. Então a Religião instituída por Jesus Cristo, solidamente estabelecida no grau de dignidade que lhe é devido, em toda parte era florescente, graças ao favor dos Príncipes e à proteção legítima dos Magistrados. Então o Sacerdócio e o Império estavam ligados entre si por uma feliz concórdia e pela permuta amistosa de bons ofícios. Organizada assim, a sociedade civil deu frutos superiores a toda expectativa, cuja memória subsiste e subsistirá, consignada como está em inúmeros documentos que artifício algum dos adversários poderá corromper ou obscurecer” (3).

Nascimento de Odon, fruto da oração paterna 

Santo Odon, abade de Cluny 2O sábio Abon, pertencente à nobreza militar franca e ligado a muitas das casas reinantes da época, mais nobre ainda pela virtude do que pelo brasão de armas, via os anos escoarem-se sem ter filhos. Numa véspera de Natal, cheio de fervor, suplicou com lágrimas ao Divino Salvador que, pela virtude de Seu nascimento temporal e pela fecundidade de Sua Santa Mãe, tornasse fecunda sua esposa, estéril e já passando à maturidade.

No ano seguinte, 879, seus votos foram ouvidos, dando sua mulher à luz  um menino, que recebeu o nome de Odon, que ele se apressou em consagrar a São Martinho de Tours, um dos Santos mais populares da época. Quando Odon atingiu a idade da razão, Abon deu-lhe como preceptor um piedoso sacerdote, que o formou na virtude e no rudimento das letras.

Na puberdade, Odon transformara-se em um belo rapaz, cheio de encanto e boa disposição. O pai, por apego, em vez de cumprir o voto que fizera a São Martinho, destinou-o à carreira das armas, enviando-o para a corte de Foulques II, Conde d’Anjou, e depois para a de Guilherme, o Piedoso, Duque da Aquitânia.

Não é de estranhar que, na vida de corte, o jovem Odon, cada vez mais entusiasmado com caçadas, aprendizado das armas e jogos, fosse deixando seus exercícios de piedade. Mas Deus, que o queria para Si, fazia com que, por mais que procurasse, ele não encontrasse nisso senão desgostos. Ao mesmo tempo, sonhos terríveis — nos quais via a punição de uma vida tíbia e relaxada — o aterravam. Angustiado com esse estado de coisas, o adolescente recorreu à Santíssima Virgem: numa noite de Natal suplicou-Lhe instantemente que se apiedasse dele, e o conduzisse pela reta via da santificação.

No dia seguinte, Odon, então com 16 anos, amanheceu com terrível dor de cabeça, incapaz de manter-se de pé. O estranho mal, que durou três anos, foi se agravando de modo a temer-se por sua vida. Foi só então que o pai, assustado e vendo nisso uma punição de São Martinho, narrou ao filho a consagração feita, aconselhando-o a renová-la por si mesmo. Odon o fez, prometendo servir o Santo até o fim da vida. A cura foi instantânea!

Cônego de São Martinho, monge

Agindo em conseqüência, Odon dirigiu-se a Tours para servir a Deus na igreja de São Martinho. Seu antigo protetor, Foulque d’Anjou proporcionou-lhe uma ermida perto da igreja, e fundou nesta uma Canonia para fornecer a Odon a necessária subsistência. Ali, entre a prece e o estudo, Odon passou alguns anos numa vida de austeridade e penitência que emulava com a dos antigos monges do deserto. Partiu depois para Paris, a fim de prosseguir seus estudos filosóficos e musicais.

De volta a Tours, crescendo nele o desejo do isolamento, dirigiu-se para o Mosteiro de Baume, reformado por São Bernon. Este havia obtido do Papa uma bula colocando seu mosteiro e os que viesse a fundar diretamente sob a tutela do Sumo Pontífice. Evitava assim qualquer ingerência do poder temporal. Empenhou-se em que seus monges observassem rigorosamente a Regra de São Bento.

Maquete do que deveria ser a Abadia de Cluny

Maquete do que deveria ser a Abadia de Cluny

Isso atraiu-lhe muitos varões desejosos de praticar a virtude, entre os quais Santo Odon e Santo Adgrin. O mosteiro já não podia conter tanta gente. Guilherme, o Piedoso, Duque da Aquitânia, veio em seu auxílio, cedendo-lhe uma propriedade que possuía em Cluny. Desse modo, fundava-se em 910 a Abadia que viria a ser como que a alma da Idade Média (4). O exemplo de Guilherme foi seguido por outros potentados, e São Bernon viu-se à testa de seis mosteiros, fundados ou reformados como o de Baume.

O Abade viu logo em Odon qualidades de inteligência e de alma que prometiam assegurar-lhe o futuro de sua obra. Dedicado à instrução dos noviços e numerosos pensionistas do mosteiro, Odon formou-os nas letras humanas e divinas com prudência e raro talento. Como mestre de noviços visava sobretudo incutir-lhes o desapego dos bens terrenos e a procurar em tudo somente Jesus Cristo.

Migalhas de pão transformadas em pérolas

Um milagre que ocorreu nessa época evidencia quanto Odon era dileto ao Criador. Segundo os hábitos do mosteiro, era de regra que os monges pegassem toda migalha de pão que sobrasse ao redor do prato e a pusessem na boca antes de terminada a leitura.

Ora, Odon as havia recolhido, mas absorto com o que era lido, não as levara à boca a tempo. Como, pela regra, não podia comê-las nem deixá-las, não sabendo o que fazer, esperou o término da oração de ação de graças, foi ao meio do refeitório e, prosternando-se diante do Abade, acusou sua falta. Como este não entendeu o que dissera, Odon abriu a mão para mostrar-lhe as migalhas. Estas tinham se transformado em pérolas de especial valor, que foram depois empregadas nos ornamentos da igreja.

Com permissão do Abade, Odon foi à casa paterna dar assistência religiosa a seus idosos pais. Falou-lhes com tanta unção do desapego deste mundo, que ambos, apesar da idade, renunciaram a tudo e entraram num mosteiro para terminar seus dias.

À sua volta o monge, apesar de sua relutância, recebeu o sublime Sacramento da Ordem, tornando-se sacerdote eternamente.

Abade de Casa religiosa esteio de uma época

Antes de falecer, em 927, São Bernon dividiu seus mosteiros entre seu parente Guy e Odon. Este ficou com os de Déols, Massay e Cluny. Foi neste último que ele se fixou, sendo por muitos considerado seu fundador, pois foi quem organizou e desenvolveu a fundação nascente.

Se São Bernon tornara suas abadias conhecidas na Aquitânia e Borgonha, Santo Odon dar-lhes-ia reputação universal.

Prevendo o papel que a Providência Divina reservava a seus mosteiros, procurou ardentemente aumentar a santa milícia que os compunha e dar-lhe formação proporcional ao papel que desempenharia no futuro.

Nesse trabalho o Abade unia, ao mesmo tempo, intransigência férrea, bondade profunda e um humor sempre alegre que conquistava seus monges: “no recreio faz-nos rir até as lágrimas”, dizia um deles. Mas era sempre ele o primeiro no exemplo da observância às regras, na mortificação e nas mais humilhantes penitências.

O silêncio era tão rigoroso em Cluny, que os monges haviam se acostumado a falar por gestos, e o faziam mesmo quando estavam em missão fora do mosteiro, ou como no caso de dois aprisionados pelos Normandos, na prisão onde se encontravam.

A fama de Odon atraiu ao redor de Cluny muitos anacoretas, desejosos de aproveitar sua direção e conselhos.

O Império monástico cluniacense: sustentáculo do apogeu medieval

O que resta da Abadia de Cluny

O que resta da Abadia de Cluny

“Tudo, nesse grande Santo, tinha proporções admiráveis: sua influência, suas boas obras, sua energia” (5). Por isso, muitos Senhores feudais pediam-lhe que aceitasse abadias para reformar, ou fundasse novas em seus domínios. Assim, o abade de Cluny tornou-se tão grande Senhor temporal, que concorria para a paz da Europa, na qualidade de pacificador e conselheiro, procurado como árbitro entre litigantes.

Desse modo visitou Roma três vezes a pedido dos Papas Leão VII e Estêvão VIII. Foi-lhe solicitado, numa das vezes, que reconciliasse o Príncipe de Roma, Alberico, com seu sogro Hugo, Rei dos Lombardos. Se não obteve deles uma paz definitiva, entretanto ambos foram concordes em testemunhar-lhe grande veneração. Alberico estabeleceu Odon como Arquimandrita de todos os mosteiros situados na vizinhança de Roma, incumbiu-o de reorganizar o Mosteiro romano de São Paulo-fora-dos-Muros, ocupar-se de Subíaco, de Santa Maria no Aventino, de São Lourenço e outros famosos mosteiros romanos ou das cercanias.

Em suas constantes viagens apostólicas, o Abade de Cluny visitou com sucesso Pavia, Monte Gargano, Salerno etc. Mas nada obteve em Farfa, devido à oposição de dois de seus monges, assassinos do último Abade. Somente após a morte do Santo é que uma expedição militar conseguiu instalar ali um reformador.

Assim, Odon percorreu praticamente toda a França e parte da Itália acrescentando casas religiosas a seu imenso império monástico.

Em cada comunidade, nova ou reformada, o Santo passava uma temporada, fazendo observar a regra cluniacense, seus usos e costumes. Conquistava primeiro os religiosos mais antigos e os de boa vontade, e depois, pouco a pouco, os demais.

Para isso, convocava cada manhã os monges para um capítulo, no qual ia lendo e comentando a Regra, respondendo perguntas e aplainando dificuldades. Dessa forma, com suave firmeza, atraía  todos para o mais alto. Quando constatava já progressos, deixava alguns dos seus monges continuando sua obra, e passava a outro mosteiro. De tempos em tempos, voltava para reafervorar os tíbios e estimular os fervorosos.

Para preservar a unidade de regime, de estatutos, de regra e de disciplina nessas abadias, era sempre o Abade de Cluny que as governava através de um Prior local. Cluny tornou-se assim a metrópole e cabeça desse sistema abacial, modelo depois seguido por outras abadias, principalmente por Cister.

Em viagem, era comum ver o poderoso Abade descer de sua cavalgadura para socorrer um necessitado, e, muitas vezes, colocá-lo na cavalgadura, puxando ele a rédea até a localidade mais próxima. Sua caridade não conhecia limites. Mandava que os restos de pão e de vinho que sobrassem no refeitório fossem distribuídos aos pobres peregrinos. Cluny alimentava 18 pobres por dia, sendo que, durante a Quaresma, chegava a distribuir víveres para mais de 7 mil indigentes.

Grande músico, Odon compôs 12 antífonas a São Martinho, um hino ao Santíssimo Sacramento, uma antífona a Santa Maria Madalena, tendo escrito também um trabalho teórico sobre  música. Conta-se que nas viagens o santo Abade ensinava os pastores a cantar suas antífonas, presenteando-os quando o faziam bem.

“Nunc dimmitis”, após concluída a obra

Enfim, a obra providencial de Santo Odon estava terminada. Dera o impulso inicial desse verdadeiro império monástico, no qual se praticava a observância mais estrita: “De Benevento ao Oceano Atlântico os mais importantes mosteiros da Itália e das Gálias  felicitavam-se de estar submissos a seu comando” (6) Ele podia cantar o seu “Nunc dimittis” (Levai-me agora, Senhor), como o Profeta Simeão após conhecer o Redentor. Estando em Roma, grave doença fez-lhe pressentir que seu fim estava próximo. Odon pediu então muito a seu patrono, São Martinho, que lhe fosse concedido morrer junto a seu túmulo,  tendo este Santo lhe restituído a saúde. Depois dos muitos sofrimentos e fadigas de tão longa viagem em lombo de burro e a pé até Tours, lá chegou no próprio dia da festa de São Martinho.

Santo Odon celebrou a Missa com um fervor extraordinário, oferecendo-se a Deus como vítima imolada à Justiça Divina. Três dias depois, caiu novamente de cama, e começou a preparar seus filhos espirituais para prosseguirem sua obra em meio a lamentações e preces de milhares deles provenientes de várias casas. Assim entregou sua alma de fogo ao Criador.

Santo Odon selecionara e formara os discípulos na  escola que criara. Cluny continuaria por mais de um século a ser dirigida por discípulos que deram origem à famosa série dos “Santos Abades de Cluny”.  Esta começa por seu sucessor direto, Beato Aimar, substituído por São Maiolo, elevando-se depois Santo Odilon, para culminar com aquele que talvez foi o maior de todos eles: São Hugo, que levou Cluny a seu apogeu.

Notas
(1)  Cfr. Vie des Saints et des Bienheureux, RR. PP. Bénéditins de Paris, Éditions Letouzey et Ané, 1954, tomo IX, pp. 624-25.
(2)  Santos de Cada Dia, Organização do Pe. José Leite, S. J., Editorial A. O., Braga, 1987, vol. III, p.326.
(3)  Encíclica Immortale Dei, 1-11-1885, Bonne Presse, Paris, Vol. II, p. 39.
(4)  Cfr. Celso da Costa Carvalho Vidigal, Cluny, Alma da Idade Média, in Catolicismo nº 61, janeiro de 1956.
(5)  Les Petits Bollandistes, Vie des Saints,  d’après le Père Giry, par Mgr Paul Guérin. Typographie des Célestins, Bar-le-Duc, 1874, tomo XIII, p. 495.
(6)  Idem.

Oferecido pela Revista Catolicismo

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Lembranças de um tempo offline http://www.lepanto.com.br/lepanto/lembrancas-de-um-tempo-offline/ http://www.lepanto.com.br/lepanto/lembrancas-de-um-tempo-offline/#comments Thu, 09 May 2013 20:44:46 +0000 Equipe Lepanto http://www.lepanto.com.br/?p=4593 offlineTrabalho com computadores desde os 14 anos de idade, especialmente em programação e construção de sites, e “naturalmente” acompanhei o desenvolvimento tecnológico da informática nos últimos 16 anos. Digo “naturalmente”, assim, entre aspas, porque é tal a velocidade do avanço na ciência da computação que um lançamento, por exemplo, de uma nova placa hoje pode facilmente tornar-se obsoleta dentro de um ano, porque os softwares cada vez mais atualizados e avançados exigem peças, por sua vez, cada vez mais potentes. O que nos obriga a estar sempre nos atualizando nessa matéria. E o “natural” acompanhamento desse desenvolvimento tecnológico facilmente se transforma em uma imposição das circunstâncias criada pela própria velocidade da inovação.

Em 1999, quando concluía meu curso de Técnico em Processamento de Dados no Colégio Estadual do Paraná, vivíamos ainda na era do disquete. O pendrive, o CD regravável (nem se pensava em DVD), Skype, teleconferências com vídeo gratuita, recebimento de e-mail no celular, tablets, Ipads (sim, me recuso a aderir ao modismo da escola marxista de Bauhaus e iniciar essa palavra com o i minúsculo, tão ao gosto do hippie esquerdista Steve Jobs), HD’s com mais de 4 GB, músicas em formato mp3, etc., tudo isso fazia parte de ficção científica. Acredite.

Naquela época – para o mundo da informática parece que o tempo passa mais rápido e o decorrer de apenas uma década parece equivaler a eras inteiras -, então, como eu dizia, naquela época as redes sociais se reduziam as salas de bate-papo dos grandes portais de internet. Muitos desses contatos online depois se transformavam em contatos reais, seja por telefone ou mesmo com um encontro para uma conversa. Isso era considerado natural, embora não sem risco, para pessoas que ainda não viviam plugadas em um computador ou celular com acesso a internet 24 horas por dia.

Uma das sensações mais agradáveis da minha infância, até hoje me lembro, foi quando, certa noite, a luz do bairro inteiro se apagou. A televisão, ainda em forma de tubo, desligava-se forçosamente. Minha mãe, então, apalpava todas as gavetas do cômodo de seu quarto a procura de velas e da caixa de fósforos. Quando um palito era aceso fazia aquele barulho inconfundível do atrito da pólvora com a caixa e surgia um clarão forte, refletindo uma enorme e temível sombra de minha mãe na parede, para, em seguida, perder rapidamente a intensidade da luz que logo tornava a aumentar e a se estabilizar assim que o palito comunicava sua chama ao pavio da vela.

A luz que saia da vela não era tão estável e forte como a da lâmpada elétrica. Mas ela dançava com a leve corrente de ar que passava pelas frestas da casa fazendo um jogo misterioso de luzes e sombras.

Bom, vela acesa e luz restabelecida, mas, e agora? O que fazer?

Sem saber ao certo quando a luz elétrica voltaria, saímos para fora de casa e procurávamos ver a extensão da área do bairro comprometida com a falta de luz. Ficávamos no portão, à luz da lua, vendo as estrelas e conversando um pouco sobre o ocorrido. Aos poucos as famílias vizinhas também começavam a sair de suas casas.

Não demorava muito para que as crianças da rua – eu era uma delas – escapassem da atenção de seus pais e se reunissem para conversar – conversa de criança, é claro! – e, como sempre, a confabulação acaba em um rápido acordo de fazer alguma brincadeira, como por exemplo pique esconde. Por duas vezes ocorreu isso em minha vida e até hoje me lembro. Depois de meia hora, a luz voltava e as crianças ouviam com desgosto seus nomes sendo pronunciados em alta voz pelos seus respectivos pais. A brincadeira tinha terminado. Entrávamos novamente em nossas casas. A TV era religada e a novela, com atores e cenários visivelmente artificiais, continuava com seu blá blá blá. Sentávamos no sofá e não tinha mais nada para fazer do que se contentar com aquilo até que o sono chegasse.

Hoje em dia, nesta época dos popularizados jogos de vídeo games e da fácil aquisição de jogos piratas, parece que muitas crianças nem sabem o que é pique esconde. Desde a infância a sociabilidade mais inocente e natural é coibida pelas ofertas de felicidade oferecidas pelo mundo da seita cibernética -sim, isso mesmo, seita, mas seria longo demais explicar isso aqui.

Internet vicioHoje as crianças estão cada vez mais soturnas e dependentes da informática. As pessoas estão cada vez mais conectadas com o mundo através das redes sociais e, ao mesmo tempo, mais solitárias no mundo real. O vocabulário das conversas decaiu, o rendimento escolar está cada vez pior, divórcios e adultérios aumentaram com os contatos virtuais, a TV é uma das grandes responsáveis pelo fim das conversas entre pais e filhos e as redes sociais, jogos e toda a internet estão colocando uma pá de cal no que sobrou.

Este post já está gigantesco e meu tempo de usar a internet já está também acabando. Apenas concluo que minha intenção é tentar iniciar um debate sobre os malefícios do uso descontrolado da internet, do computador, do celular e de toda parafernália eletrônica que inunda atualmente nossos lares. Já passamos da hora de controlar o uso dessas ferramentas e de colocar elas ao nosso serviço sem nos deixar escravizar pelas mesmas.

desconectadoHá abundantes matérias já escritas por especialistas sobre os males psicológicos e fisiológicos que tudo isso pode gerar em nossas vidas, mas o que talvez falta enfatizar é que podemos viver a vida sem estar conectado à internet. Regular seu uso é necessário e abandonar as redes sociais seja talvez uma obrigação… isso se queremos realmente ter uma vida social.

Desculpe pela improvisação deste post, mas, acredite, existe vida offline, e se você não consegue viver uma semana sem estar plugado saiba que patologicamente você já está dependente, não importa o pretexto que utilize!

Internet 4

Fonte: Sou Conservador Sim, e daí?

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URGENTE: Relatório da Embrapa desmente laudos da Funai http://www.lepanto.com.br/variedades/noticias-silenciadas/urgente-relatorio-da-embrapa-desmente-laudos-da-funai/ http://www.lepanto.com.br/variedades/noticias-silenciadas/urgente-relatorio-da-embrapa-desmente-laudos-da-funai/#comments Thu, 09 May 2013 14:49:26 +0000 Equipe Lepanto http://www.lepanto.com.br/?p=4586
Produtor rural Raul das Neves, dono de uma fazenda no Mato Grosso do Sul, mostra o documento de sua terra. Demarcação pela Funai anula o título.

Produtor rural Raul das Neves, dono de uma fazenda no Mato Grosso do Sul, mostra o documento de sua terra. Demarcação pela Funai anula o título. A foto é de Marcello Casal Jr., da Agência Brasil.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) produziu relatório entregue à Casa Civil no qual demonstra que a maioria das ocupações de índios no Mato Grosso do Sul é recente. A Funai vem exigindo a criação várias terras indígenas na região baseados em laudos que atestam a ocupação antiga do território.

O problema tomou proporções graves quando a presidente Dilma Rousseff, em visita ao Show Rural realizado em Cascavel, no Paraná, em fevereiro passado, recebeu as primeiras reclamações de produtores rurais denunciado os processos fraudulentos da Funai. Os presidentes das Federações da Agricultura dos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul, além da Presidente da CNA, Senadora Katia Abreu, entregaram à Presidente um relatório com as denuncias. Dilma mandou Gleisi investigar o assunto.

Gleisi botou a Embrapa no circuito e pediu um mapeamento da ocupação e das características das terras de maneira a verificar a justeza dos estudos desenvolvidos pela Funai. Na semana passada, a Embrapa finalizou o primeiro levantamento.

O documento é bombástico. valendo-se de várias fontes e técnicas, incluindo imagens de satélite, a Embrapa concluiu que a presença de índios nos locais que a Funai tenta demarcar como Terra Indígena é recente ou até inexistente. A presença mais antiga data de 1990, uma área chamada de Tekoha Porã, reúne índios vindos de Naviraí (MS) e constitui uma aldeia inserida na malha urbana de Guaíra. A maioria sobrevive com Bolsa Família e cesta básica.

Nas demais áreas, os índios estão presentes a partir de 2007; em cinco delas só foi registrada a presença de índios a partir do ano passado, 2012, muitos deles vindos do Paraguai. Em quatro das 15 áreas avaliadas sequer há índios, constatou a Embrapa.

Gleisi já encaminhou o relatório ao ministro da Justiça recomendando que os estudos da Funai no Oeste do Paraná sejam suspensos. O estudo da Embrapa explica e reforça os rumores de queda da cúpula da Funai.

A Federação da Agricultura do Paraná, que mobiliza agricultores para irem a Brasília, debita a criação da tensão ao envolvimento de setores de universidades estaduais e federais, em especial Unioeste, UEM e Unila, além do Cimi, Ministério Público e ONGs menos conhecidas.

Gleisi vai para a audiência com uma opinião formada: “Não resolveremos uma injustiça cometendo outras.” Ela defende soluções alternativas para o problema dos índios – que precisam de assentamentos, saúde, educação e programas de acesso à renda – e não com a expulsão dos produtores rurais.

 

capa_livro_indigena_2edEm seu célebre livro Tribalismo indígena — Ideal comuno-missionário para o Brasil no século XXI, escrito há mais de 30 anos, Plinio Corrêa de Oliveira denunciou uma corrente de missionários contrária à catequização dos índios e à sua integração na sociedade. Um sistema tribal pagão é o ideal desses neomissionários orientados pela Teologia da Libertação. As previsões do autor se confirmaram por completo.

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Fonte: Paz no Campo

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Justiça polonesa condena partido que queria tirar crucifixo do Parlamento http://www.lepanto.com.br/variedades/noticias-silenciadas/justica-polonesa-condena-partido-que-queria-tirar-crucifixo-do-parlamento/ http://www.lepanto.com.br/variedades/noticias-silenciadas/justica-polonesa-condena-partido-que-queria-tirar-crucifixo-do-parlamento/#comments Mon, 29 Apr 2013 14:16:56 +0000 Equipe Lepanto http://www.lepanto.com.br/?p=4571 Parlamento polonês: o crucifixo disputado fica à esquerda da foto

Parlamento polonês: o crucifixo disputado fica à esquerda da foto

O Tribunal Distrital de Varsóvia pronunciou-se contra um partido polonês que abriu um processo exigindo a remoção de um crucifixo da sala de debates do Parlamento nacional, informou a agência Reuters.

O processo foi mais uma tentativa cristianofóbica para banir a influência do catolicismo na vida dos poloneses.

O Tribunal argüiu que esse crucifixo nunca motivou protestos, que foi sempre aceito pelos poloneses, e que não violava os seus direitos.

O crucifixo foi instalado na câmara em 1997.

Justiça condenou tentativa intolerante de tirar este crucifixo do Parlamento

Justiça condenou tentativa intolerante de tirar este crucifixo do Parlamento

O tribunal também condenou o denunciante – o ex-magnata da vodca Janusz Palikot, líder de um partido anticlerical –, apontando a insinceridade de sua denúncia, pretensamente baseada na “tolerância”, mas de fato intolerante com os símbolos religiosos.

“O Tribunal fracassou na hora de mostrar objetividade”, redargüiu Andrzej Rozenek, um dos deputados do partido condenado.

Ele acenou que apelaria à Corte Europeia dos Direitos Humanos em Estrasburgo.

Porém, a maioria dos deputados elogiou a decisão da Justiça, por representar o sentimento da maioria dos poloneses.

“Este caso parece uma grotesca piada”, disse o deputado da oposição Andrzej Jaworski.

partido anti-crucifixo de Palikot – que trabalha pela agenda homossexual (a qual inclui a legalização do “casamento” homossexual) e pela legalização da maconha – já conta com o primeiro deputado trans-sexual.

 

Fonte: Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

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Nem a natureza ficou insensível http://www.lepanto.com.br/catolicismo/nem-a-natureza-ficou-insensivel/ http://www.lepanto.com.br/catolicismo/nem-a-natureza-ficou-insensivel/#comments Sat, 30 Mar 2013 14:05:05 +0000 Equipe Lepanto http://www.lepanto.com.br/?p=4562
No Sepulcro vazio, o anjo avisa às santas mulheres que Cristo Ressuscitou. Obra de Fra Angélico (1387 - 1455)

No Sepulcro vazio, o anjo avisa às santas mulheres que Cristo Ressuscitou.
Obra de Fra Angélico (1387 – 1455)

Enquanto ainda não desponta para nós, o sol, que nunca deixa de iluminar a Terra, se vela em outros confins. As trevas da noite que cobrem a pessoa adorável de Nosso Senhor Jesus Cristo e de seus discípulos estão prestes a se dissipar. A Páscoa se aproxima.

Ao contemplar e refletir sobre tão sublime mistério da Ressurreição, podemos imaginar a noite escura que de repente passa a brilhar com toda intensidade, para simbolizar o maior milagre da divindade de Cristo: o Filho de Deus que se encarnou, padeceu e morreu, agora ressuscita, após vencer a morte, o demônio e o pecado.

Com a Ressurreição, um novo dia raia para a humanidade. Inicia-se para os apóstolos e os discípulos o período da evangelização, que redundaria séculos mais tarde na civilização cristã: “Ide por toda parte e pregai o Evangelho. Aquele que crer e for batizado será salvo, o que não crer será condenado. Eis que estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos”.

Os Santos Evangelhos narram que pelo fim da noite de sábado saíra Maria Madalena em companhia de outra Maria para visitar o sepulcro, e eis que se deu um grande terremoto. O Anjo do Senhor desceu do Céu e, chegando ao túmulo, afastou a pedra e sentou-se em cima dela. Seu aspecto era como o de um relâmpago, e sua veste, branca como a neve.

O grande terremoto que se desencadeara com um estrondo à semelhança de canhão homenageava e anunciava o grande Rei que ressurgiu dos mortos. Diante do que presenciavam, os guardas se sentiram aterrados, e o anjo disse às mulheres:“Não vos amedronteis: sei que procurais a Jesus que foi crucificado. Não está aqui, pois ressuscitou como havia dito. Vinde e vede o lugar onde fora deitado o Senhor”. (Mat. 28, 1-7).

O Criador de todas as coisas não jaz mais na sepultura. Diante do esplendor do arauto celeste, a natureza estremeceu. E os inimigos de Cristo, que rondavam em torno do Sepulcro, ficaram apavorados, desmaiando uns e fugindo outros.

Segundo São Beda, do princípio do mundo até aquele momento em que Cristo ressuscitou, o dia começava a ser contado na véspera. Isto era para indicar que os homens passaram do dia para a noite, pois, com o pecado original, a luz do paraíso terrestre havia desaparecido.

Com a Ressurreição, o mundo — envolto até então nas trevas do pecado e na sombra da morte — retornou à luz da vida e começou a brilhar com intensidade, pois as trevas do paganismo tinham acabado de ser vencidas pelo grande Redentor.

Desaparece assim o sábado, passando Cristo a iluminar o mundo com o novo dia do Senhor, enquanto a sua Igreja resplandece para substituir a obscurecida sinagoga, isto é, o Antigo Testamento. A aliança de Deus com os homens estava restabelecida.

Ressurreicao de Nosso Senhor

Nosso Senhor Jesus Cristo aparece a Santa Maria Madalena

Quando Jesus Cristo expirou na Cruz, a natureza não ficou insensível nem indiferente, pelo contrário, convulsionou-se. O mesmo se deu no momento de sua gloriosa Ressurreição. Ficou assim assinalado que a natureza divina e humana de Cristo manifestou extraordinário exemplo de grandeza, poder e humildade.

O poder da Ressurreição vence a morte, espanta as trevas e suplanta o poder de satanás. O terremoto indica que os corações dos homens se comovem pela fé na paixão e morte do Salvador e nos incita a fazer penitência pelos nossos pecados, a fim de nos enchermos de um santo e salutar pavor, que é o início da sabedoria.

Ao ressuscitar, Cristo e Senhor Nosso destrói o véu da morte que O envolvia, fazendo com que o Céu e a Terra se voltem a relacionar. O Anjo do Senhor manifesta o brilho da claridade, da clarividência e da felicidade, pois Cristo Salvador ressuscitou dos mortos.

Ao ver o anjo descer do Céu, retirar a grande pedra que estava à entrada da sepultura e sentar-se em cima dela, os inimigos do Salvador estremeceram de pavor e medo. Como será então quando Ele voltar à Terra para julgar os vivos e os mortos? Os elementos da natureza seguramente não ficarão insensíveis… 
______________ 
O Pe. David é sacerdote da igreja do Imaculado Coração de Maria, Cardoso Moreira – RJ 

Fonte: Agência Boa Imprensa

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A Paixão de Cristo revive na Paixão da Igreja http://www.lepanto.com.br/catolicismo/a-paixao-de-cristo-revive-na-paixao-da-igreja/ http://www.lepanto.com.br/catolicismo/a-paixao-de-cristo-revive-na-paixao-da-igreja/#comments Thu, 28 Mar 2013 15:25:20 +0000 Equipe Lepanto http://www.lepanto.com.br/?p=4551 Cristo Flagelado 1

A evidência dos fatos deixa patente que a partir do Concílio Vaticano II [foto abaixo] penetrou na Igreja, em proporções impensáveis, a “fumaça de Satanás” de que falou Paulo VI, a qual se foi dilatando dia a dia mais, com a terrível força de expansão dos gases. Para escândalo de incontáveis almas, o Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo entrou no sinistro processo da como que autodemolição, a que aludiu aquele mesmo Pontífice, em Alocução de 7 de dezembro de 1968.

Concilio_Vaticano_II

Concílio Vaticano II

A História narra os inúmeros dramas que a Santa Igreja Católica Apostólica Romana sofreu nos vinte séculos de sua existência. Oposições que germinaram fora d’Ela, e de fora mesmo tentaram destruí-la. Tumores formados dentro d’Ela, extirpados, contudo, pela própria Esposa de Cristo, mas que, já então de fora para dentro, tentaram destruí-la com ferocidade.

Quando, porém, viu a História, antes de nossos dias, uma tentativa de demolição da Igreja, já não mais articulada por um adversário, mas qualificada de como que autodemolição em altíssimo pronunciamento de repercussão mundial?

A atitude normal de um católico vendo a Igreja, sua Mãe, passar por essa crise deve ser antes de tudo de profunda tristeza, porque é lamentável que isso seja assim. É um perigo para incontáveis almas que a Igreja seja afligida por tal crise. E, por essa razão, pode-se ter a certeza de que quando Nosso Senhor, do alto da cruz, viu todos os pecados que haveriam de ser cometidos contra a obra da Redenção que Ele consumava de modo tão profundamente doloroso, sofreu enormemente em vista de tal gênero de pecados, cometidos em nossos dias.

Cristo Flagelado 2E, evidentemente, todos esses pecados produziram sofrimentos verdadeiramente inenarráveis no Sapiencial e Imaculado Coração de Maria, que pulsava de dor no peito da Santíssima Virgem enquanto Ela estava de pé junto à Cruz.

Considerando quanto Nosso Senhor e sua Santíssima Mãe sofreram por causa do que agora está se passando, é impossível não se ficar consternado, muito mais do que em qualquer Sexta-Feira Santa anterior, porque talvez este seja um dos pontos mais agudos da Paixão, e que se mostra em toda a sua hediondez nas atuais circunstâncias da vida da Igreja.

O homem contemporâneo é um adorador do prazer, do gáudio, da diversão, e tem horror ao sofrimento.

Ora, está-se aqui em presença de um padecimento agudíssimo. Pode-se compreender, pois, embora tal atitude não seja justificável, a posição de tantas almas que evitam pensar nisso e considerar a fundo o que está se passando para não sofrer em união com Nosso Senhor esta situação trágica, como trágica foi a Paixão.

Cristo Flagelado 3Em face do drama em que se encontra a Santa Igreja, muitas almas procuram, então, assumir uma posição de indiferença, parecida com a de numerosos contemporâneos de Nosso Senhor, que acreditavam que Ele era Homem-Deus. Mas que, vendo-O passar durante a Via Sacra, em vez de se compadecer por seus lancinantes sofrimentos, achavam melhor não considerá-los, e pensar em outras coisas.

E eis a prova: Nosso Senhor pregou maravilhas e fez milagres portentosos que devem ter impressionado pelo menos uma parte considerável do povo que O cercava. Não seria concebível que essa parte, santamente impressionada, tenha se mantido numa atitude tão quieta, inerte, diante do que se passava. E que a única pessoa que fez algo em prol do Redentor, durante a parte inicial da Via Sacra, tenha sido a Verônica com o seu véu, no qual ficou estampada, depois, a face sagrada do Salvador. Verdadeiramente, mais ninguém a não ser ela tomou tal atitude.

Cristo Flagelado 4As santas mulheres e Nossa Senhora juntaram-se mais adiante a Nosso Senhor e foram até o alto do Calvário. A Virgem Santíssima está acima de todo elogio. As santas mulheres, que A acompanharam, merecem um elogio que participa do louvor a que Nossa Senhora fez jus. Mas, fora disso, inércia.

Por ocasião da Semana Santa, o que mais se deve pedir a Nossa Senhora, é que Ela nos liberte desse estado de espírito, de tal mentalidade.

Se nosso Redentor está sofrendo, devo querer padecer aquilo que O atormenta. E sofrerei isso meditando nas dores d’Ele. Esse é o meu dever, dada a união que Ele condescendeu misericordiosamente em estabelecer entre Si mesmo e mim. E o que não for isso não pode deixar de ser qualificado senão de abominável.

Os dias em que vivemos são de gravidade, de tristeza, mas na última fímbria do horizonte aparece uma alegria incomparavelmente maior do que qualquer gáudio terreno: a promessa de um sol que nascerá — o Reino de Maria, anunciado no ano de 1917 por Nossa Senhora em Fátima.

Imagem Milagrosa de Nossa Senhora de Fatima

______________ 
Artigo do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, distribuído à imprensa em 25-2-1994.

Fonte: Agência Boa Imprensa

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Mais de um milhão de franceses marcham novamente contra o “casamento” homossexual http://www.lepanto.com.br/lepanto/mais-de-um-milhao-de-franceses-marcham-novamente-contra-o-casamento-homossexual/ http://www.lepanto.com.br/lepanto/mais-de-um-milhao-de-franceses-marcham-novamente-contra-o-casamento-homossexual/#comments Thu, 28 Mar 2013 14:56:46 +0000 Equipe Lepanto http://www.lepanto.com.br/?p=4546 24-03-2013: a manifestação vista desde a dianteira

24-03-2013: a manifestação vista desde a dianteira

PARIS — A imensa Avenue de la Grande Armée – que vai do Arco do Triunfo até a ponte que comunica Paris com La Défense – foi pequena para conter a multidão que se manifestou mais uma vez contra o projeto socialista de “casamento” homossexual que o equipara ao casamento normal e permite a adoção de crianças por casais sodomíticos.

Nem mesmo os organizadores aguardavam tamanha adesão.

Após idêntica manifestação realizada no 13 de janeiro, supunha-se uma certa diminuição, devido à proximidade das datas.

Em janeiro, a “guerra dos números” enfrentou o cálculo prévio da polícia (350 mil) contra o dos organizadores (entre 800 mil e 1 milhão de participantes).

Uma contagem mais ponderada, organizada pelo general de exército Bruno Dary, ex-governador militar de Paris, estimou então o comparecimento entre 800 mil e 900 mil pessoas.

24-03-2013: a manifestação vista desde o fundo

24-03-2013: a manifestação vista desde o fundo

Desta vez, o número resultou muito superior a olhos vistos.

Enquanto a polícia estipulou “pelo menos 300 mil”, mas avisando que revisaria seus cálculos, os organizadores falaram em 1 milhão e 400 mil.

O deputado da UMP (centro-direita) Henri Guaino foi um dos muitos políticos presentes – eles sempre aparecem quando o vento é favorável – e disse: “Em 13 de janeiro, vós éreis um milhão. Hoje vós sois ainda mais numerosos” – segundo publicou “Le Figaro”.

A Prefeitura de Paris, nas mãos de um grande propulsor da agenda homossexual e do socialismo, interditou a manifestação na prestigiosa avenida dos Champs Elysées, cônscio de que se a permitisse contribuiria para abrilhantar ainda mais a marcha de protesto contra o casamento antinatural.

Contudo, os Champs Elysées não teriam sido suficientes para tanta gente.

A juventude muito presente comunicava entusiasmo

A juventude muito presente comunicava entusiasmo

Tal foi o comparecimento, que a polícia precisou liberar a Avenue Foch, outra imensa artéria que vai desde o Arco do Triunfo até o Bois de Boulogne, e a Avenue Carnot.
Satélites capturaram com sensores de calor a área ocupada pelos manifestantes nessas grandes avenidas e nas ruas adjacentes:oito quilômetros de ruas inteiramente cheias!

Mais importante do que o número foi o entusiasmo e o fervor dos participantes.

Uma não explicada ojeriza e até proibição da parte dos organizadores ao uso de cartazes, bandeiras, símbolos não-oficiais, cânticos e slogans, bem como de outras formas de exprimir entusiasmo, na prática não conseguiu se impor.

Muitos apoios desde os prédios

Muitos apoios desde os prédios

Ordeiros, mas aguerridos, os mais distintos grupos vindos de toda a França cantavam, agitavam bandeiras de suas regiões, erguiam cartazes feitos em casa, faziam rufar caixas e tambores.

Os slogans espontâneos abandonaram a linguagem “politicamente correta” dos slogans oficiais: “Hollande, demite-te”, “Hollande, não queremos a tua lei”.

Uma confusão episódica envolveu 200 ou 300 manifestantes e a polícia.

Socialismo desabafou sua impotência

Socialismo desabafou sua impotência

Esta utilizou gases lacrimogêneos e força excessiva, mas o fato passou desapercebido para a imensa concentração.

Na hora da dispersão, tornou-se inevitável utilizar a contígua Avenue Champs Elysées, que ficou repleta de manifestantes voltando para suas casas.

O fato serviu de pretexto para a polícia, que sob ordem do governo socialista carregou contra os populares, bem no espírito da falsa tolerância da agenda homossexual!

Clero jovem participou

Clero jovem participou

Este episódio tangencial foi explorado pela grande imprensa para desviar a atenção do público do aspecto central do evento: majoritariamente católico e conservador, o povo francês recusa o “casamento” homossexual.

Houve manifestações análogas e simultâneas em muitas cidades da França, bem como diante de embaixadas, consulados e órgãos oficiais franceses em numerosos países, inclusive em locais inimagináveis como o Dubai, o Congo e o Afeganistão.

1.400.000 contra o 'casamento' homossexual

1.400.000 contra o ‘casamento’ homossexual

Os conchavos políticos continuam e os parlamentares de esquerda se apressam para passar no mês de abril um projeto à revelia da vontade popular.

Por sua vez, nenhuma autoridade eclesiástica de relevo, na França ou no Exterior, se destacou pela adesão a um protesto popular em defesa de princípios essenciais da Lei de Deus, dos Evangelhos e do Direito Natural.

1.400.000 contra o 'casamento' homossexualConsiderando manifestações como essas de 24 de março e 13 de janeiro, ainda que o projeto passar, ficará patente para a História que sua aprovação se deveu a confabulações entre políticos e eclesiásticos de esquerda.

Na aprovação dessa lei em nada foi respeitado o sentimento da esmagadora maioria do povo francês.

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A América Latina entra na História http://www.lepanto.com.br/catolicismo/a-america-latina-entra-na-historia/ http://www.lepanto.com.br/catolicismo/a-america-latina-entra-na-historia/#comments Sat, 16 Mar 2013 14:31:48 +0000 Equipe Lepanto http://www.lepanto.com.br/?p=4539 Fumaça branca anuncia a eleição do novo Pontífice - veja o telegrama enviado pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira ao Papa recém-eleito

Fumaça branca anuncia a eleição do novo Pontífice – veja o telegrama enviado pelo Instituto Plinio Corrêa de Oliveira ao Papa recém-eleito

A cada conclave, o surgimento da “fumata bianca” na chaminé da Capela Sistina assinala o momento em que pelo orbe católico se espalha a notícia, sempre prenhe de júbilo e de esperança, de que a Barca de Pedro tem um novo timoneiro; bem como alimenta a expectativa do anúncio solene do “habemus Papam”, feito pelo Cardeal Protodiácono, quando todos, afinal, conhecem o nome escolhido para ocupar a Cátedra de Pedro. Tal a força divina da Santa Igreja que esse evento cria compreensível emoção até entre muitos daqueles que afirmam não professar qualquer fé religiosa.

O anúncio da eleição do Cardeal D. Jorge Mario Bergoglio, como Papa Francisco, repetiu, uma vez mais, todo este ritual solene em que se mesclam esperanças, preces confiantes e gestos solenes. É fácil perceber que tal escolha tenha causado especial comoção e alegria entre os católicos latino-americanos. Ver, pela primeira vez, no Sólio de São Pedro, um Pastor oriundo do chamado Continente da Esperança é fator compreensível de orgulho.

Essa escolha de um primeiro Papa argentino reconhece o papel central da América Latina na vida da Santa Igreja e do mundo contemporâneo e, mais ainda, o papel primordial que a esta caberá no reerguimento da civilização cristã.

Vem-nos à memória, nesse particular, as proféticas palavras do diretor do jornal O Legionário, o então jovem deputado Plinio Corrêa de Oliveira, num artigo de 15 de outubro de 1933, intitulado precisamente “A missão da América Latina”:

“Nesta tarde de civilização, que ameaça ser a tarde da própria humanidade, só dois fatores nós vemos realmente capazes de abrir para o homem uma janela salvadora sobre o futuro: no plano espiritual, a Igreja Católica, e no plano terreno, a América Latina.

Uma lenda antiga nos conta que à beira de certo lago havia um rochedo que crescia à medida  que as ondas o acometiam, de sorte a nunca ser submergido, ainda nas maiores tempestades. Hoje em dia, este rochedo é a Pedra, é a Cátedra de Pedro, que tem avultado com as revoluções, zombando das heresias, crescendo em vigor à medida que seus adversários crescem em rancor. [...] Assistiu ao nascer de todos os países do Ocidente. Vê-los-ia morrer sem receios por seus próprios dias, que não se contam com a brevidade dos dias de uma nação. [...]

Para atuar, porém, ela também se serve de fatores humanos. E, destes, o mais promissor é a América Latina.

Tenham embora os católicos latino-americanos pecado como pecaram, não pesa sobre os ombros de suas nações, ainda na infância, a culpa esmagadora de que [outros continentes] são réus. [...] É certo que a nós, como nações, se poderia aplicar a frase de Santo Agostinho: “tantilus puer, et tantum peccator!”- Tão jovem, e já tão grande pecador!

No entanto, nunca partiu daqui um grito de heresia. [...] Apesar dos pesares, nossos costumes ainda conservam muito daquela suave urbanidade que é a característica das índoles cristãs. [...] Quando, portanto, da imensa caldeira em que fervem os restos de nossa civilização emergirem os primeiros princípios de uma nova ordem de coisas, tendo por base o respeito à Igreja, à propriedade e à família, só a América do Sul oferecerá ao mundo um caminho a ser edificado, com suas regiões imensas, que as crises econômicas não esgotaram, e seus povos de reservas morais sólidas, que até lá terão passado pelo cadinho do sofrimento, e nele terão formado sua têmpera de povos fortes.

A América do Sul será, portanto, o grande laboratório onde a nova civilização católica se vai erguer.”

Numerosos analistas apontam para a eleição e a ação do Papa Wojtyla como um dos fatores decisivos para a derrubada do Comunismo moribundo na Europa de Leste. Possam a eleição e a ação do Papa Francisco derrubar o seu sucedâneo crioulo, o neo-socialismo populista do século XXI, também ele moribundo depois da saída de Hugo Chávez da cena latino-americana!

Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, nas sendas de seu inspirador, não pode deixar de almejar ao novo Pontífice, em quem reside o poder das chaves, graças especiais que inspirem suas decisões soberanas – independentes dos juízos dos homens – e sua missão pastoral, atenta às aspirações e necessidades autênticas do rebanho de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Oremos para que sua atuação encha de clareza os espíritos, dê força aos ânimos, e dê glória à Igreja santa de Deus”.

Foi neste estado de ânimo que o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira dirigiu ao Papa Francisco o seguinte telegrama:

São Paulo, 14 de março de 2013.

À Sua Santidade
o Papa Francisco,
Palácio Apostólico
00120 Cidade do Vaticano
Vaticano

Santidade,

Neste momento de júbilo para os católicos, pela eleição de um novo Pontífice, o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, seus diretores, membros e simpatizantes, dirigem-se a Vossa Santidade, após sua eleição ao Trono de São Pedro, para prestar-lhe a filial homenagem de sua fidelidade.

Vossa eleição enche de especial orgulho e alegria os corações dos latino-americanos, ao verem pela primeira vez no Sólio Pontifício um filho deste Continente da Esperança, tão amado de Deus e que ao longo de seus cinco séculos de história enriqueceu a Santa Igreja com o vigor de sua Fé e de seu devotamento.

Erguemos a Nossa Senhora de Guadalupe, Imperatriz das Américas, preces ardorosas a fim de que Ela obtenha da Divina Providência para Vossa Santidade suas mais escolhidas graças, com vistas a conduzir a Barca da Santa Igreja com a sabedoria e a firmeza que as tormentosas circunstâncias do mundo contemporâneo impõem.

Animados por essa esperança, pedimo-Vos, Santo Padre, nos concedais a Vossa Bênção Apostólica.

Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

Adolpho Lindenberg

Presidente

Fonte: Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

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Parlamento polonês recusa três projetos da agenda homossexual http://www.lepanto.com.br/variedades/noticias-silenciadas/parlamento-polones-recusa-tres-projetos-da-agenda-homossexual/ http://www.lepanto.com.br/variedades/noticias-silenciadas/parlamento-polones-recusa-tres-projetos-da-agenda-homossexual/#comments Mon, 11 Mar 2013 20:01:55 +0000 Equipe Lepanto http://www.lepanto.com.br/?p=4534 Parlamento da Polonia

Parlamento da Polonia

O Parlamento da Polônia rejeitou em primeira leitura três projetos de lei que concederiam direitos legais a casais que não estão casados formalmente, inclusive aos homossexuais, informou a agência Reuters.

A polêmica teve um caráter muito amplo, pois confrontou os políticos liberais que querem quebrar o conservadorismo dominante nesse país de maioria católica.

Antes da votação, o primeiro-ministro Donald Tusk pediu aos legisladores “para tornarem mais digna a vida dos homossexuais”.

Foram recusados projetos de medidas para conceder a casais homossexuais direitos à herança, inclusão no sistema de saúde do “cônjuge” e pensão alimentícia.

A Câmara Baixa votou contra os três projetos, inclusive o mais artificiosamente moderado que visava introduzir reformas em matéria de herança com termos enganadores para a maioria católica.

Até mesmo 46 integrantes do partido do primeiro ministro liberal Tusk, incluindo o ministro da Justiça, Jaroslaw Gowin, votaram com a oposição conservadora.

O deputado Robert Biedron – homossexual assumido e defensor dos direitos LGBT – prometeu continuar lutando pela ampliação dos direitos legais de parceiros não casados, homossexuais ou não.

Para isto pode contar com o apoio da União Europeia, ONGs e eclesiásticos “progressistas”.

A legalização do aborto e de drogas leves também entrou no debate opondo conservadores católicos e liberais e comunistas laicistas.

Os partidários da Revolução Cultural também visam pôr em dúvida a influência do catolicismo e da Igreja na vida pública polonesa, cientes de que esse é o grande inimigo que se trata de remover do país.

 

Fonte: Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

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O Espírito Santo e o próximo conclave http://www.lepanto.com.br/catolicismo/o-espirito-santo-e-o-proximo-conclave/ http://www.lepanto.com.br/catolicismo/o-espirito-santo-e-o-proximo-conclave/#comments Mon, 11 Mar 2013 19:55:53 +0000 Equipe Lepanto http://www.lepanto.com.br/?p=4529 (Tradução Helio Viana)

Conclave

Os olhos do mundo, não só dos católicos, estão voltados neste momento para São Pedro, a fim de saber quem será o novo Vigário de Cristo. A espera que se manifesta antes de cada Conclave é desta vez mais acurada e intensa, pela sucessão de acontecimentos que nos deixam chocados e confusos.

Massimo Franco escreve no “Corriere della Sera” de 27 de fevereiro de 2013 que “dentro da Cidade do Vaticano está se consumando o fim de um modelo de governo e de uma concepção do papado”, e compara a dificuldade que a Igreja atravessa hoje com a fase final da crise do Kremlin soviético. “O declínio do Império vaticano – escreve – acompanha aquele dos EUA e da União Europeia em crise econômica e demográfica. Mostra um modelo de papado e de governo eclesiástico centralizado, desafiado por uma realidade fragmentada e descentralizada”. A crise do império vaticano vem apresentada como uma crise de modelo de papado e de governo eclesiástico inadequado para o mundo do século XXI. A única saída seria a de um processo de “auto-reforma” que salvasse a instituição desnaturando-lhe a essência.

Na realidade, o que está em crise não é o governo “monocrático” conforme com a Tradição da Igreja, mas o sistema de governo nascido das reformas pós-conciliares, que nos últimos 50 anos vêm expropriando o Papado de sua autoridade soberana para redistribuir o poder entre as conferências episcopais e uma onipotente Secretaria de Estado. Mas, sobretudo Bento XVI e seus predecessores, por razões diversas de temperamento, se tornaram vítimas do mito da colegialidade de governo na qual sinceramente acreditaram, renunciando a assumir muitas responsabilidades que teriam podido resolver o problema da aparente ingovernabilidade da Igreja. A atualidade perene do Papado está no carisma que lhe é próprio: o primado de governo sobre a Igreja universal, da qual o magistério infalível é a decisiva expressão.

Bento XVI, dizem alguns, não exerceu com autoridade seu poder de governo, por ser um homem suave e manso, que não tem nem o caráter nem a força física para fazer frente a essa situação de grave ingovernabilidade. O Espírito Santo o iluminou infalivelmente, sugerindo-lhe o supremo sacrifício da renúncia ao pontificado para salvar a Igreja. Porém, não se dá conta de quanto este discurso seculariza e humaniza a figura do Sumo Pontífice. O governo da Igreja não se rege com base no caráter de um homem, mas em sua correspondência à assistência divina do Espírito Santo.

O Papado tem sido ocupado por homens de caráter imperioso e guerreiro como Júlio II, e por temperamento suave e amável como Pio IX. Mas foi o beato Pio IX, e não Júlio II, que correspondeu mais perfeitamente à graça, ascendendo ao cume da santidade própria ao exercício heroico do governo papal. A concepção segundo a qual um Papa fraco e cansado deve renunciar não é sobrenatural, mas naturalista, porque nega a ajuda decisiva ao Pontífice daquele Espírito Santo que impropriamente vem invocado. O naturalismo se transforma neste ponto no seu oposto: em um fidelismo de impronta pietista, pelo qual a penetração do Espírito Santo absorve a natureza humana e torna-se o fator regenerador da vida da Igreja. Trata-se de heresias antigas que hoje afloram até nos ambientes mais conservadores.

O erro, sempre mais difuso, é aquele de tentar justificar qualquer decisão que seja tomada por um Papa, por um Concílio, por uma Conferência Episcopal, em nome do princípio pelo qual “o Espírito Santo assiste sempre a Igreja”. A Igreja é por certo indefectível porque, graças à assistência do Espírito Santo, o “Espírito da Verdade” (Jo 14, 17), tem a garantia de seu Fundador de perseverar até o fim dos tempos na profissão dessa mesma fé, desses mesmos sacramentos, da mesma sucessão apostólica de governo. Indefectibilidade, todavia, não significa infalibilidade estendida a todos os atos de Magistério e de governo, nem tampouco impecabilidade da suprema hierarquia eclesiástica.

Na história da Igreja, explica Pio XII, “alternam-se vitórias e derrotas, subidas e descidas, heroicas confissões com o sacrifício de bens e da vida, mas também, em alguns de seus membros, queda, traição e divisão. Um testemunho da história é inequivocamente claro: o portae infero non praevalebunt (Mt 16, 18); mas também não falta a outra testemunha, até as portas do inferno tiveram o seu sucesso parcial” (Discurso De todo coração, de 14 de setembro 1956). Malgrado os sucessos parciais e aparentes do inferno, a Igreja não fica abalada nem pelas perseguições, nem pelas heresias ou pelos pecados de seus membros; pelo contrário, obtém nova força e nova vitalidade diante das graves crises que a golpeiam.

Mas se os erros, as quedas, as deserções não devem nos desencorajar, quando ocorrem não podem ser negados. Foi, por exemplo, o Espírito Santo que inspirou a escolha de Clemente V e de seus sucessores de transferir a sede do Papado de Roma para Avignon? Hoje os historiadores católicos concordam em defini-la como uma decisão gravemente errada, que enfraqueceu o Papado no século XIV, abrindo o caminho para o Grande Cisma do Ocidente.

Foi o Espírito Santo que sugeriu a eleição de Alexandre VI, um Papa que teve uma conduta profundamente imoral antes e depois de sua eleição? Nenhum teólogo, mas também nenhum católico, poderia sustentar que os 23 cardeais que elegeram o Papa Borgia foram iluminados pelo Espírito Santo. E se isso não aconteceu naquela eleição, pode-se imaginar que não aconteça em outras eleições e conclaves, que viram a escolha de Papas fracos, indignos, inadequados para a sua alta missão, sem que de algum modo isso prejudicasse a grandeza do Papado.

A Igreja é grande também porque sobrevive à pequenez dos homens. Pode, portanto, ser eleito um Papa imoral ou inapropriado. Pode acontecer que os cardeais do conclave rejeitem o influxo do Espírito Santo, e que o Espírito Santo, que assiste o Papa no cumprimento de toda a sua missão, seja recusado. Isso não significa que o Espírito Santo é derrotado pelos homens ou pelo demônio. Deus, e só Ele, é capaz de tirar o bem do mal e, portanto, a Providência guia todos os acontecimentos da História. No caso do conclave, explica em seu tratado sobre a Igreja o cardeal Journet, assistência do Espírito Santo significa que ainda que a eleição fosse o resultado de uma má escolha, tem-se a certeza de que o Espírito Santo, que assiste a Igreja transformando em bem até o mal, permite que isso aconteça por fins superiores e misteriosos. Mas o fato de que Deus tire o bem do mal praticado pelos homens, como aconteceu com o primeiro pecado de Adão, que foi a causa da Encarnação do Verbo, não significa que os homens possam fazer o mal sem culpa. E todo pecado deve ser pago, no tempo ou na eternidade.

Cada homem, cada nação, cada assembleia eclesiástica deve corresponder à graça, que para ser eficaz necessita da cooperação humana. Em face do processo de demolição da Igreja, do qual já falava Paulo VI, não se pode, portanto, permanecer com os braços cruzados, em um estado de otimismo pseudo-místico. Devemos rezar e agir, cada um de acordo com a sua própria possibilidade, para que esta crise tenha fim e a Igreja possa mostrar visivelmente aquela santidade e aquela beleza que jamais perdeu, e que nunca perderá até o fim dos tempos.

 

Fonte: Instituto Plinio Corrêa de Oliveira

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