Em Defesa dos 500 anos da Terra de Santa Cruz

| 26 de setembro de 2008 | 1 Comentário

A Frente Universitária Lepanto não podia permanecer indiferente à comemoração deste V Centenário, enaltecendo a providencial façanha da Evangelização do Novo Continente e fazendo um ato de reparação pelas injustas acusações levantadas contra Portugal e Espanha.

Manifesto – abril/2000

E o melhor fruto que dela se poderá tirar será salvar esta gente”

(Pero Vaz de Caminha)

Temas
do Manifesto

Introdução
Quem Somos 
A Expansão da Fé e do Império
As Navegações e o Ideal de Cruzada
A Falsa “dizimação dos índios”
A proteção aos povos nativos
Civilização e liberdade: obras da Igreja
O agradecimento devido aos evangelizadores do Brasil
Bem-Aventurados os que forem fiéis, pois deles será o Brasil

Várias correntes revolucionárias iniciaram uma maciça ofensiva publicitária contra a celebração desses 500 anos do descobrimento. Seus porta-vozes acusam Portugal, os Papas e Reis, de terem sido, na realidade, promotores de uma injusta invasão, com o objetivo de espoliar o continente americano de suas riquezas, aniquilar os povos e culturas locais, e instaurar um duríssimo e opressivo sistema de exploração dos aborígenes sobreviventes.

Assim, os pontífices e reis da época, juntamente com os missionários, guerreiros e colonizadores da América, teriam sido responsáveis por um gravíssimo pecado coletivo. E, por isso, os fatos lembrados nas comemorações do V Centenário não mereceriam ser celebrados, mas antes repudiados e objeto de “atos penitenciais”.

Por trás desses ataques revive, mal dissimulado, o velho mito marxista da “luta de classes”: os “opressores” teriam sido a Igreja e os Reis; os “oprimidos” seriam os indígenas.

A questão ultrapassa o campo meramente histórico para se converter em problema de grande atualidade, por duas razões: em primeiro lugar, tais acusações revelam o fundo indígeno-tribalista dos rumos que o socialismo vai tomando depois da espetacular auto-extinção do regime soviético; e, em seguida – fato de gravidade incomensurável – essas acusações redundam, segundo a mente de seus autores, numa contestação da santidade da Igreja.

Por tudo isso, julgamos conveniente apresentar as reflexões que se seguem, todas elas sustentadas em centenas de documentos e historiadores.

 

A Expansão da Fé e do Império

Ao contrário do que afirma ultrapassada corrente marxista, infelizmente ainda presente nos meios acadêmicos, não é a Economia o “motor da História”. Outros eram os objetivos das navegações.

ão se explica a enorme expansão de Portugal, país com pouco mais de um milhão de habitantes, somente por motivos econômicos ou políticos.

A pesquisadora inglesa, Elaine Sanceau, assim descreve o fato: “A expansão portuguesa além-mar é fenômeno inexplicável à face da História. O desejo de expansão supõe falta de espaço  e os Portugueses tinham mais do que o bastante na sua linda pátria pequenina…” (Elaine Sanceau, Afonso de Albuquerque, o Sonho das Índias)

O Cronista da época dos descobrimentos, Damião de Góes, deixa mais patente ainda tais objetivos: “E porque el Rei foi sempre mui inclinado às coisas que tocavam a nossa Santa Fé Católica, mandou nesta armada oito frades da Ordem de S. Francisco, homens letrados, de que era Vigário Frei Henrique de Coimbra (…) para administrarem os Sacramentos aos Portugueses, e aos da terra que se quisessem converter à Fé”. (Damião de Góes, Chronica d’El Rei d. Manuel, Part I, Cap. LIV).

Seria errôneo negar existir o interesse econômico, aliás inteiramente legítimo. Pior erro cometeria, porém, aquele que não entendesse a “Visão de mundo” daqueles homens. Homens que ainda respiravam o ar da “doce primavera da Fé” e se lançavam no ideal de lutar por Deus e pelo Império.

O renomado historiador Jaime Cortesão, selando a união dos objetivos religiosos, políticos e econômicos, afirma: “Podem considerar-se objetivos principais, por um lado, a aliança com os índios e a sua melhor cristianização, e por outro a guerra aos mouros infiéis, para obter, pela paz com uns e a luta com os outros, o exclusivo do comércio oriental. Quanto à guerra com os mouros, fazer reparo a essas intenções seria ingênua incompreensão do tempo. Este pleito secular constituía ainda então um dos fundamentos da própria nacionalidade. (…) E a balança (…) era naquele tempo um símbolo de paz.” (Jaime Cortesão, A Expedição de Pedro Álvares Cabral e o Descobrimento do Brasil).

Nesse sentido, não deixa dúvidas a carta de Pero Vaz de Caminha: “Porém, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar”.

 

As Navegações e o Ideal de Cruzada 

Portugal construíra a melhor e a mais bem equipada frota da época.

Desde que o Infante D. Henrique criara a famosa Escola de Sagres e reunira em torno dele os  melhores gênios, Portugal despontava como uma potência naval, muitas décadas à frente das demais nações européias.

Mais do que uma potência naval, Portugal era um país profundamente católico, onde o heroísmo do Cavaleiro Medieval e do Cruzado que libertava o Santo Sepulcro não havia morrido. Não por acaso vários historiadores chamam a “Tomada de Ceuta“, início das grandes navegações, como a última das Cruzadas.

Com efeito, quase todos os homens que participaram da “Tomada de Ceuta” estavam Cruzados, isto é, portavam cruzes em seus uniformes, deixando claro que partiam para uma ação religiosa. O Papa da época, Gregório XII, confirma essa disposição de combater pela Cruz e concede a indulgência plenária, própria aos que morrem em uma Cruzada.

 

A Falsa Dizimação dos Índios

Outra das mentiras espalhadas pelos detratores da evangelização constitui a suposta “dizimação dos indígenas” perpetrada por Portugal e Espanha.

Para tanto, baseiam-se no frei Bartolomeu De Las Casas, hoje inteiramente desacreditado por historiadores sérios, como Philip W. Powell (norte americano), Ramón Menéndez Pidal (espanhol), Josep-Ignasi Saranyana (catedrático de História da Teologia na Universidade de Navarra) etc.

Falar em “dizimação” dos índios é fechar os olhos para a miscigenação existente na América Latina. É, em última análise, negar a evidência para sustentar uma ideologia falsa e ultrapassada. Praticamente, não há brasileiro sem sangue indígena. Ora, os mestiços já não eram considerados índios e era natural, portanto, que o número da população indígena declinasse.

Outro fator que contribuiu muito para tal declínio foram as epidemias que atingiram tanto europeus quanto indígenas. A primeira grande epidemia foi de gripe suína ou “gripe de cerdo” (Dr. Francisco Guerra, revista “El Médico“, Madri).

Os abusos que ocorreram, como veremos, foram sempre combatidos pela ação da Igreja.

 

A proteção aos povos nativos

Desde a bula Inter Caetera, de Alexandre VI (1497), a Igreja deixava claro que as terras descobertas – ou por descobrir – eram territórios de apostolado, conforme a ordem expressa de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda criatura. O que crer e for batizado, será salvo quem, porém, não crer, será condenado” (Mc., 16).

Ao mesmo tempo, conforme centenas de documentos, os monarcas da Península Ibérica pediam pastores para evangelizar o novo Continente.

E foi assim que se fez em cem anos o que na Europa demorou mil! Desse zelo dos Papas e dos monarcas resultará o envio, no espaço de um século e meio, de mais de 16.000 missionários ao Novo Mundo.

Em oposição ao que ensinam alguns professores de História, ainda influenciados pela historiografia marxista, a Igreja foi a grande guardiã da liberdade dos indígenas.

Exemplo característico desse zelo pela liberdade dos indígenas o dá o Papa Paulo III em 29 de maio de 1537, ao escrever uma carta ao Cardeal Tabera, de Toledo, em apoio ao Edito pelo qual Carlos V proibiu que seus súditos escravizassem índios ou os espoliassem de seus bens. O pontífice lançou a excomunhão latae sententiae (automática) para todos aqueles, “de qualquer dignidade, estado, condição, grau e excelência“, que reduzissem os índios à escravidão.

Essa posição foi confirmada diversas vezes ao longo dos séculos, não se encontrando qualquer documento oficial da Igreja autorizando a escravidão dos índios livres

 

Civilização e liberdade: obras da Igreja

A condição dos índios na América, antes da chegada dos europeus, era a de escravos de seus  despóticos caciques ou das tribos que os aprisionavam, sendo torturados e mortos em rituais de canibalismo e ocultismo.

Para se ter idéia, peguemos o exemplo dos índios Maias e Astecas, tidos como os mais “evoluídos”. Apenas na inauguração do templo principal de Tenochtitlan (hoje Cidade do México) foram mortos 80.000 índios, depois usados em suas refeições…

Incontáveis são os documentos narrando os horrores desses rituais de antropofagia. Documentos silenciados propositadamente pelos detratores da evangelização da América, que procuram imaginar a situação dos índios como se eles estivessem em uma espécie de paraíso terrestre, em perfeita liberdade e harmonia com a natureza. Para tristeza desses detratores, muito diversa era a realidade.

 

O agradecimento devido aos evangelizadores do Brasil

“A Primeira Missa”

Bem lembrou a ex-deputada Sandra Cavalcanti, hoje secretária de Projetos Especiais da Prefeitura do Rio de Janeiro, diante da confusão espalhada pela imprensa sobre um possível “pedido de perdão” que a CNBB faria pela evangelização do Brasil: Se foi crime colonizar o Brasil, buscar melhores condições de vida, implantar hábitos de higiene etc., então o pedido de desculpas não é só da Igreja Católica. É dos médicos, que desmoralizaram os curandeiros. É dos engenheiros, que construíram estradas de ferro e pontes. É dos professores, que ensinaram a ler e a escrever. É das famílias que não aceitaram mais matar velhos e crianças aleijadas. É dos cozinheiros europeus, que tiraram, de nosso cardápio, os saborosos churrascos de brancos, bispos e desafetos…

E concluiu: “Nunca será demais exaltar as figuras de Nóbrega, Anchieta e seus companheiros. Pedir desculpas pela ação evangelizadora desses padres, definindo o seu comportamento como cruel, colonialista, desrespeitador, é dar prova de total desconhecimento dos fatos e de total cegueira diante da realidade.”

No mesmo sentido se pronunciou o Papa João Paulo II em 1992: “Comosucessor de Pedro, desejo proclamar hoje diante dos senhores que a História é dirigida por Deus. (…) Face aos novos horizontes que se abriram a 12 de outubro de 1492, a Igreja, fiel ao mandato recebido de seu Divino Fundador (cfr. Mt. 28, 19) sentiu o dever peremptório de implantar a Cruz de Cristo nas novas terras e de pregar a Mensagem evangélica a seus moradores. (…) O que celebramos este ano é precisamente o nascimento desta esplêndida realidade: a chegada da Fé através da proclamação e difusão da Mensagem evangélica no continente. E o celebramos no sentido mais profundo e teológico do termo: como se celebra a Jesus Cristo, (…) o primeiro e maior Evangelizador, já que Ele próprio é o ‘Evangelho de Deus’ ” (L’ Osservatore Romano, 15 de maio de 1992)

 

Quem somos nós: a Frente Universitária Lepanto

Constituída por estudantes, a Frente Universitária Lepanto tem o objetivo de trazer, para o ambiente estudantil, informações documentadas e análises sérias sobre os acontecimentos atuais, sempre com fundamento na doutrina católica tradicional.

Como afirmou um grande poeta francês, Paul Claudel, “A juventude não foi feita para o prazer, mas sim para o heroísmo”. É para esse heroísmo que convidamos os nossos leitores. Um heroísmo que consiste em perceber a crise do mundo moderno e levantar uma reação contra ela.

Não escrevemos para a maioria que passa à sombra da História, mas para aqueles que são capazes de amar um ideal que vale incomparavelmente mais do que uma brilhante carreira ou uma fortuna guardada em bancos. Um ideal que não morrerá jamais e que já nasceu vitorioso, pois se sustenta nas palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo: “As portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja.” Ross Perot, empresário e fundador da companhia Eletronics Data System, disse certa vez: “As águias nunca voam em bandos”. Mas, em torno de um ideal comum, podemos dizer nós, aglutinam-se as águias que, na aurora do século XXI, saberão defender a civilização nascida do sangue de Cristo e das lágrimas da Santíssima Virgem. A civilização prometida por Nossa Senhora em Fátima quando afirmou: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!

Brasília, 12 de março de 2000

 

Bem-Aventurados os que foram fiéis, pois deles será o Brasil

Profeta Joel, Congonhas do Campo - MG

No momento em que o Brasil comemora o seu Descobrimento, vozes estranhas se levantam para condenar a obra evangelizadora de Portugal, para denegrir cinco séculos de esforços heróicos nosentido de integrar o continente americano na civilização ocidental e Cristã, nascida na Europa. Vozes impregnadas de relativismo sedutor e falso!!!

Mais do que descobrir o Brasil, Portugal converteu povos e salvou almas. Mais do que expandir o Império, Portugal expandiu a Fé, irradiando o lumen Christi (a luz de Cristo) pelos quatro cantos da Terra.

Afirmou o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, a quem dedicamos esse manifesto de fidelidade à Igreja de Cristo: “implantando a primeira Cruz, erguendo o primeiro altar, rezando a primeira Missa, e congregando no ato sagrado portugueses e índios, Frei Henrique de Coimbra lançava as bases do Brasil cristão“.

Combater a evangelização da América ou do Brasil não é defender a cultura indígena, mas combater o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo que ordenou a evangelização do mundo inteiro. É condenar os índios ao paganismo mais primitivo, à escravidão mais selvagem, ao desconhecimento da Redenção.

Diante desses fatos, a Frente Universitária Lepanto lança o brado de fidelidade aos valores eternos da Tradição católica, apostólica e romana.

Que essa Terra de Santa Cruz, catequizada pelo zelo apostólico de homens como o Beato José de Anchieta, iluminada pelo Cruzeiro do Sul, tendo como ato oficial uma santa Missa e em cujo solo se implantou a Cruz de Cristo, possa ser um farol a iluminar os horizontes do mundo inteiro nesse momento em que a humanidade assiste, impassível, ao funeral da falsa modernidade. Que a Santíssima Virgem, Nossa Senhora Aparecida, mantenha o Brasil nas vias de sua providencial missão.

No Livro da Vida ficará inscrito que neste ano de 2000, no crepúsculo do milênio, existiram estudantes se unindo em defesa da História da Igreja; existiram outros estudantes aderindo a esse esforço heróico.

Existiram ainda os que se omitiram por indiferença ou por covardia… Existiram, por fim, os que se puseram em combate – não pela Cruz de Cristo – , mas pelo paganismo primitivo.

Bem-aventurados aqueles que defenderem a gloriosa obra evangelizadora da Igreja, pois deles será o Brasil de sempre, a Terra de Santa Cruz!

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Categoria: Brasil 500 anos

Comentários (1)

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  1. Renato disse:

    Eu também acreditava nessa falácia contra os colonizadores portugueses,eles só exaltam Inglate
    rra e EUA,só porque é PROTESTANTE.Minha irmã é Professora e quando fazia faculdade o Professor
    manipulado sempre passava filmes como:o nome da rosa,a missão,Lutero,e os “evangélicos” adora-
    vam,ficavam felizes,porque a máscara da ICAR tava caindo.Fora outros filmes como:Epátia,código
    de Davinci,sigmata,Joana D arc,inferno de São Judas,(filme irlandes) que a Rede Record sempre
    está passando.E para difamar Portugal,tem minisséries como: A muralha,quintos dos infernos,
    novelas de sucesso como,Xica da silva,essa novela detona o Brasil colonia e o povo ficou com
    ódio dos portugueses e dos católicos.

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