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Silenciadas
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Tendo o MST ultrapassado todos os limites da lei e do bom senso, a TFP adverte: caso as autoridades não atuarem agora com energia e decisão, o caos instalar-se-á no País e daí, poder-se-á descambar para a guerrilha e mesmo para a guerra civil |
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São Paulo, maio de 2000 É
preocupante a conjuntura atual, como imprevisíveis são os rumos que ela pode
acarretar para o nosso querido Brasil. Diante disso, a TFP — fiel à sua missão
de defender a Tradição, a Família e a Propriedade, consignada em seus
Estatutos, fiel também ao pensamento de seu insigne fundador, Professor Plinio
Corrêa de Oliveira — não pode omitir sua contribuição, ainda que com
breves reflexões, para o esclarecimento de seus sócios, cooperadores,
correspondentes, amigos e simpatizantes esparsos pelos quatro cantos deste nosso
País-continente, e do público em geral. Seguiram-nos
as figuras incomparáveis do Beato José de Anchieta, do Pe. Manoel da Nóbrega
e de tantos outros luminares da fé e gigantes da dedicação, que outro intuito
não possuíam senão o de, catequizando os pobres indígenas, livrá-los do
extremo primitivismo e da inqualificável barbárie e decadência em que então
jaziam. São
muito conhecidos os relatos, da época e posteriores, que nos falam da
antropofagia, do infanticídio, do suicídio ritual, da escravidão das
mulheres, do homossexualismo, para que seja preciso aqui insistir sobre isso. Tais
realidades nortearam os ensinamentos que, recebidos na formação dos
brasileiros, despertaram em suas mentes, e sobretudo em seus corações, um sólido
amor à Pátria, à sua grandeza, à sua predestinação histórica. Nessas
verdades, ou seja, nos princípios da civilização ocidental e cristã, e na
sabedoria colonizadora lusa, fundamenta-se essa prodigiosa unidade
territorial e nacional da América portuguesa. Nossos
maiores, vindos da Mãe Pátria — Portugal —, diminuta em extensão, mas
grande em bravura, fizeram do Brasil a extraordinária obra de civilização
cujo lume, em sua essência, não é ofuscado pelos numerosos problemas atuais.
Nela se produziu a mais surpreendente fusão de raças — quão contrastante
com o que se passa em outras plagas de inspiração protestante — de tal modo
que à unidade de território somou-se a unidade do que poderíamos chamar a raça
brasileira, a valorosa gente que habita esta grande terra. Raça esta,
na composição da qual o índio e o negro, e posteriormente o imigrante, ocupam
posições de honra. Um
show publicitário que pode virar revolução Os
acontecimentos rocambolescos e desairosos que marcaram as comemorações dos 500
anos do Brasil são por demais recentes para que seja necessário entrar em
pormenores. Eles continuam a produzir seus efeitos. Basta
lembrar genericamente a tentativa de erigir um monumento antidescobrimento no próprio
local-símbolo do descobrimento, em Porto Seguro. O enfrentamento de
manifestantes do MST e seus caudatários contra a Polícia baiana, para
desvirtuar a solenidade comemorativa oficial, da qual participavam o Presidente
da República e o Presidente de Portugal. O desígnio de realizar uma
anticomemoração, paralela e contrária à que se realizava. O protesto
arruaceiro levado a cabo pelo MST por meio de invasões de mais de uma dezena de
edifícios públicos, além de distúrbios e ocupações várias. A exigência
de manter um diálogo com o governo federal, de potência a potência,
designando inclusive quais deveriam ser seus interlocutores. A afronta feita ao
representante de João Paulo II, Cardeal Angelo Sodano, por um índio
devidamente industriado, que se apresentou durante a Missa para invectivar os
presentes dizendo que eles não tinham vergonha. O que obrigou o Bispo de Eunápolis
a pedir perdão ao Legado pontifício, deixando claro que a intervenção do índio
fora escrita por alguém que ocupa cargo na CNBB. Todo
esse show o povo brasileiro foi constrangido a presenciar, através de
certa mídia loquaz e meticulosa, pronta a dar cobertura a qualquer palavra,
qualquer gesto, qualquer ameaça proveniente dos arraiais dos “sem-terra” e
quejandos. A
tal ponto os atentados à ordem foram levados longe, que as autoridades puderam
falar, sem ridículo, em ameaça às próprias instituições, em mobilização
do Exército e em enquadramento dos responsáveis na Lei de Segurança Nacional.
Sobretudo tendo em vista o repúdio generalizado da população a essas
desordens, inconformada com a atitude passiva que até então vinham tomando
alguns governantes em face de fatos que se avolumavam na razão direta da
impunidade de seus autores. O
MST aparecia nas páginas dos jornais e nos vídeos das TVs como uma espécie de
gigante Adamastor a ameaçar o povo brasileiro com a implantação, de um
momento para outro, de um socialismo de tipo fidelcastrista, odiento e
destruidor, ante a omissão inexplicável de autoridades assustadas e inertes. Esse
era o show. Autenticamente show. Mas show que, se não
fosse detido a tempo, poderia transformar-se em amarga realidade, como aconteceu
tantas vezes na história das revoluções. Foi também um show a queda
da Bastilha em 1789; mas porque providências não foram tomadas a tempo, cabeças
rolaram na guilhotina e a França inteira se ensangüentou. Foi ainda um show
a tomada do Poder por Kerensky, na Rússia, em agosto de 1917; mas três meses
depois seguia-se a esse show a maior, a mais longa e mais espantosa
tirania que o mundo já conheceu. De
fato, em pouco tempo o MST deu mostras abundantes de ser um pernicioso movimento
anti-social. As reintegrações de posse concedidas em série pelos Tribunais
bem mostram o caráter ilegal do esbulho possessório praticado pelo movimento
invasor. Mas, por incrível que pareça, muitos governadores negam-se a cumprir
essas ordens judiciais, ou então, protelam indefinidamente seu cumprimento. Fruto
de uma hábil manipulação de guerra psicológica, o mal deixou de ser o
esbulho para ser o confronto. Cada vez que uma invasão se processava,
procurava-se inculcar que o importante não era restabelecer a ordem e o
direito, mas sim evitar o confronto. Com isso, o grande perigo deixava de ser o
MST, e passava a ser a Polícia Militar, apresentada pela propaganda esquerdista
como intolerante e perigosa. Não
faltou, desde o princípio, quem denunciasse — e de modo insistente — o
perigo que constituíam as incipientes “ocupações” de terra. Esse mérito
ninguém o pode negar ao Prof. Plinio Corrêa de Oliveira e à obra por ele
fundada, a TFP. Apontou ele o risco que corriam a agricultura nacional, os
produtores rurais, os agricultores pobres utilizados como massa de manobra, o
direito de propriedade e o próprio futuro do Brasil. Porém,
onde sua voz normalmente deveria ser ouvida com mais atenção — nas lideranças
da classe dos produtores rurais — aí encontrou ela, não raro, um eco
distante, um ar desatento, otimista em relação à situação, uma atitude freqüentemente
omissa, por vezes até complacente com o mal que começava já a mostrar suas
garras. Ainda
recentemente o Sr. Luís Suplicy Haffers, presidente da Sociedade Rural
Brasileira, afirmou que “o ministro Raul Jungmann tem tido muito bom
desempenho na reforma agrária” (“Jornal do Brasil”, 26-4-00). Quando
é público e notório que a escalada do MST se deve, em larga medida, à política
de Reforma Agrária do Sr. Jungmann. Adubado
pela doutrina revolucionária da “esquerda católica”, regado
incessantemente pelas águas fertilizantes do dinheiro proveniente até do
Exterior, iluminado pelo brilho fátuo mas constante de certa mídia, não
encontrando diante de si obstáculo proporcional às forças políticas que o
apoiavam, o espinheiro do MST cresceu e se desenvolveu, ameaçando agora cobrir
todo o Brasil com seus galhos rebarbativos e agressivos. Chegando inclusive a
lançar várias metástases, que se constituem em organizações similares
atuando no campo ou nas cidades, como o MLST, e contagiando também a mais
antiga CONTAG. Quanto
à opinião pública nacional, de modo geral, ela tomou o MST, inicialmente, com
indiferença, depois com desagrado crescente; hoje, assustada, ela cobra providências
do Governo. Atualmente
o MST ultrapassou todos os limites, não só da lei mas do bom senso. As invasões
de terras particulares e de prédios públicos, os seqüestros, a manutenção
de reféns, a provocação de conflitos com mortos e feridos, tudo isso faz dele
um movimento pouco diferente da guerrilha que infesta a Colômbia. A continuarem
as infrações à ordem nesse ritmo, em breve aqui também se poderá seguir o
exemplo do governo colombiano, que concedeu extensas zonas do País para serem
dominadas pelos guerrilheiros... à espera do momento em que eles dominem o País
todo. Tais
reflexões ocorrem naturalmente a quem assistiu perplexo o show produzido
em torno do MST nesses últimos dias, a pretexto de comemoração dos 500 anos
do descobrimento do Brasil. E
isto, não obstante a clara advertência feita por João Paulo II: “Nem a
Justiça nem o bem comum consentem em danificar alguém nem invadir sua
propriedade sob nenhum pretexto”, disse o Sumo Pontífice, quando de sua
visita ao Brasil em 1991. “Ao Estado — prosseguiu — cabe o dever
principalíssimo de assegurar a propriedade particular por meio de leis sábias”
(“Folha de S. Paulo”, 15-10-91). Advertência
reiterada depois com ênfase: “Recordo as palavras do meu predecessor Leão
XIII, quando ensina que ‘nem a justiça, nem o bem comum consentem em
danificar alguém ou invadir a sua propriedade sob nenhum pretexto’ (Rerum
Novarum, 55). A Igreja não pode estimular, inspirar ou apoiar as iniciativas ou
movimentos de ocupação de terras, quer por invasões pelo uso da força, quer
pela penetração sorrateira das propriedades agrícolas” (João Paulo II,
ao receber, em 21-3-1995, os Bispos brasileiros da Regional Sul 1, do Estado de
São Paulo). Por
seu credo socialo-comunista, por seus métodos, por seu desprezo pela
propriedade, por sua violência antibrasileira, o Movimento dos Sem-Terra quiçá
ter-se-ia esvanescido, não fosse o apoio que essa ala do Episcopado nacional,
através da Comissão Pastoral da Terra e outros meios, lhe empresta. No
momento, com os primeiros atos enérgicos por parte do Governo federal, em nosso
País à beira de uma guerra civil, de uma dilaceração que, de norte a sul,
quebraria esse preciosíssimo e maravilhoso vaso de cristal que é a unidade
nacional, surge um raio de esperança. Oxalá ele se transforme em
realidade! Pois,
se operada essa quebra, o caos e a luta fratricida podem tomar conta da Nação.
E, a ocorrer tal catástrofe, nada mais triste do que constatar a dura
realidade: o MST (e o mesmo se diga de seus congêneres), que hoje se apresenta
como movimento político, a isso teria levado nossa terra e nossa gente, com o
triste suporte, e mesmo incentivo, da parte minoritária, porém a mais atuante,
do colégio dos Prelados que traçam os rumos em nossa Pátria da atuação da
Santa Igreja Católica Apostólica Romana. Também
os pobres índios utilizados pela
“esquerda católica” Até
mesmo pensadores e sociólogos de idéias bem diferentes das da TFP, viram-se na
obrigação de contestar tal insensatez. Foi o caso, por exemplo, do sociólogo
Hélio Jaguaribe que, entre outras observações de bom senso, afirma que é um “equívoco
perpetuar as culturas indígenas. Nenhum povo permanece eternamente no neolítico
.... Os índios (apenas cerca de 300 mil) dispõem de 11% do território
nacional. O que falta é apropriada assistência para que, voluntária mas
condignamente, ingressem na comunidade brasileira” (“Jornal do
Brasil”, 4-5-00). Aliás,
tem causado não pequena estranheza a concessão de extensas áreas do território
nacional — muitas delas fronteiriças — a uns poucos índios, merecedores
sem dúvida de toda a nossa simpatia e ajuda, mas atualmente incapazes de
administrá-las e de aproveitá-las devidamente. E que são mencionados,
ademais, como se constituíssem “nações” diferentes da brasileira. Nações
que amanhã, sob o influxo de demagogos, poderão querer ter seu próprio território
para constituir-se em Estado soberano. Ao
que tudo isso visa? Ao desmembramento do Brasil e à constituição de Estados
comuno-tribalistas? — É impossível não perguntar. *
* * Assim,
por meio destas breves considerações, a TFP — a mais pujante força católica
leiga antimarxista e anti-socialista que tenha surgido em nosso País — abre
de par em par sua alma diante de todo o Brasil. E ela espera que “do Prata
ao Amazonas, do mar às cordilheiras” — conforme dizia conhecido refrão
— seja ouvida esta advertência, toda ela feita de amor a nossa Pátria e à
civilização cristã: o Brasil caminhará para a paz e para a ordem se nossas
autoridades atuarem agora com energia e decisão, e a opinião pública
brasileira fizer sentir todo o seu descontentamento com o presente rumo que o
MST e congêneres visam dar ao País. Caso contrário, do caos poder-se-á
descambar para a guerrilha e mesmo para a guerra civil, e o Tribunal da História
e o de Deus julgarão os que forem culpados pelo rasgamento do tecido da unidade
nacional. Em
qualquer caso, a TFP não se desviará de sua atitude — nunca desmentida desde
que foi fundada — de atuação rigorosamente dentro da Lei de Deus e dos
homens. Nesta
abertura de alma, invocamos a Rainha e Padroeira do Brasil, Nossa Senhora
Aparecida, rogando-Lhe que conduza a todos os brasileiros nas vias da sabedoria
cristã e nos preserve dos desvarios que ponham a perder esse dom imensamente
precioso da unidade nacional. Conselho
Nacional |
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Página da TFP: http://www.tfp.org.br |
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