A igreja de Satanás e a liberdade religiosa – Uma pergunta e uma resposta

| 19 de novembro de 2015 | Comente!
Santiago Fernández

MissaNegraemHarvard

Caro Leitor,

Transcrevemos abaixo artigo-posicionamento publicado recentemente no site do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira sobre a “liberdade religiosa”, o qual aderimos totalmente.


Um leitor nos envia uma pergunta a respeito do artigo “No estado do Texas: Batalha contra Lúcifer”, publicado há pouco menos de duas semanas no site do IPCO, o qual relata a campanha da TFP norte-americana que mobilizou muitos aderentes contra a inauguração de um templo luciferino, no dia 30 de outubro, na cidade de Houston (EUA). A pergunta merece especial atenção, considerando o momento presente em que vários leitores podem estar se indagando o que pensar em face do que vem sendo executado em nome da propalada “liberdade religiosa”.

***

Pergunta — “Qual é a opinião da instituição de vocês quanto à liberdade de culto para religiões não cristãs, como o judaísmo e o Islã? Na opinião de vocês, o governo da nação cristã deveria permitir a convivência pacífica com pessoas não cristãs?”

IPCO — A pergunta é feita especificamente a propósito do judaísmo e do Islã, mas o próprio autor a estende para as pessoas não cristãs em geral.

Nossa instituição — o Instituto Plinio Corrêa de Oliveira — embora não sendo uma associação religiosa, é constituída de católicos praticantes, conforme facultado pelo Código de Direito Canônico, os quais, portanto, se guiam pela doutrina e as leis da Igreja Católica. A pergunta do consulente equivale, pois, a perguntar o que a doutrina católica ensina a respeito.

Há duas situações diversas a considerar: uma é a situação de Cristandade, outra a situação do Estado laico, que se estabeleceu hoje praticamente em quase todas as nações do Ocidente.

Numa situação de Cristandade, em que a imensíssima maioria da população é católica e o Estado é confessional, a Igreja deve proteger a fé dos seus fieis e, portanto, interditar o proselitismo dos não católicos, para que estes não molestem a fé dos católicos. Nessa situação, a Igreja concedia aos não católicos a faculdade de realizar seu culto inter parietes domesticas, não porém o culto público. Os locais de culto não deveriam ter aparência externa de igreja.

No caso dos Estados laicos, como os que se disseminaram, após a Revolução Francesa, por quase toda parte, os governos apregoam a total liberdade de culto, qualquer que seja a religião. Na verdade, historicamente essa posição tem se revelado falsa e farisaica porque, uma vez instalado, o Estado laico tenta impor a toda a população princípios opostos ao Cristianismo.

É o que assistimos no Brasil de hoje, em que todos os princípios da Moral católica e da Doutrina social da Igreja — consubstanciados nos Dez Mandamentos da Lei de Deus que exprimem a própria Lei natural, inserida por Deus na alma humana e postulada pela própria natureza racional do homem — vão sendo meticulosamente combatidos e paulatinamente substituídos por princípios imorais, liberais e revolucionários. Para não ir mais longe, lembramos a malfadada Ideologia de Gênero, que o governo brasileiro vem tentando introduzir obrigatoriamente nos currículos escolares.

E assim, a Igreja hoje, no Brasil, considerada na sua moral e nos seus princípios fundamentais, já se encontra na situação de perseguida. À nação brasileira se aplica mais bem a classificação de nação ex-cristã, e os bons católicos devem lutar corajosamente pela salvaguarda de seus princípios mais sagrados. Nesta luta, é possível – e muitas vezes necessário – aceitar de bom grado a colaboração de todos, mesmo não cristãos que ainda conservem respeito por esses princípios básicos da Lei natural.

Assim sendo, a luta entre o bem e o mal em nossos dias assumiu nova configuração, que pede uma união entre todos que se dispõem a lutar pela boa causa. Por exemplo, a luta em favor da família, contra o aborto, pelos dois Mandamentos que protegem a propriedade privada (o 7° e o 10º), e assim por diante.

Foi o que levou a TFP norte-americana a organizar um protesto de seus conterrâneos — e a ele aderiram vários protestantes — contra a instalação de um templo luciferino, no estado do Texas, uma vez que o culto satânico propugna diametralmente o contrario dos princípios da Lei natural e da racionalidade humana, ou seja, o reinado de Satanás sobre o mundo.

Uma religião que cultua Lúcifer dá bem a medida dos abismos a que o Estado laico chegou!

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